Governo do Distrito de Gorongosa e PRM uniram-se para inviabilizar, sem sucesso, a marcha do ANAMOLA

DESPORTO POLÍTICA
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  • Agentes da polícia recuaram depois de testarem a resistência de organizadores com disparos

O ANAMOLA, reconhecido legalmente há poucos meses, tem realizado marchas de celebração em vários distritos do país. Mas, em Gorongosa, o acto não foi pacífico. A marcha de saudação à criação do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), realizada no último sábado, em Gorongosa, aconteceu à revelia após tentativas do governo distrital e da Polícia da República de Moçambique (PRM) de impedir o evento. Segundo os organizadores, as autoridades recusaram, por três vezes, receber as comunicações formais sobre a realização da marcha, alegando “falta de condições”, sem apresentar nenhuma fundamentação legal.

Jossias Sixpense – Beira

A Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) realizou no passado sábado, 15 de Novembro, uma marcha no distrito de Gorongosa, apesar da oposição explícita do governo distrital e da Polícia da República de Moçambique (PRM). O evento, que visava saudar a criação legal do partido, culminou em tensão quando agentes da PRM dispararam dois tiros para o ar na tentativa de dispersar os manifestantes. A estratégia, no entanto, falhou: perante a firme resistência do grupo, a polícia viu-se forçada a recuar.

A marcha ocorreu num cenário de tensão e intimidação. De acordo com João José Araújo, coordenador distrital do ANAMOLA em Gorongosa, o partido submeteu por três vezes, sendo a primeira em Agosto, a segunda em Setembro e a terceira em 11 de Novembro, ofícios ao governo distrital para comunicar a realização da actividade.

“Em todas as ocasiões, a resposta foi a mesma: não havia condições para a marcha. Contudo, nunca nos foi citado nenhum fundamento legal para esta decisão”, afirmou Araújo. Perante a indefinição, o partido dirigiu-se directamente ao comando distrital da PRM para solicitar cobertura policial para o evento, agendado para o dia 15.

Na manhã do evento, os organizadores depararam-se com um forte aparato policial no local de partida. Inicialmente, acreditavam tratar-se do contingente solicitado para garantir a segurança. A expectativa rapidamente se desfez.

“Estivemos enganados. Quando faltavam poucos minutos para o início, os agentes começaram a tentar dispersar-nos”, relatou o coordenador. Araújo deslocou-se então ao comando da PRM, onde se encontrou com o chefe das operações, Jonito Wiliamo, que responde pelo distrito na ausência do comandante, o qual se encontrava de férias. No encontro, a polícia aconselhou o partido a “agir de acordo com a resposta dada pelo governo”, ou seja, a cancelar a marcha.

Ignorando a intimidação, o ANAMOLA deu início à marcha conforme planeado. A reacção da polícia foi imediata: dois tiros foram disparados para o ar. Em vez de provocar pânico e fuga, os disparos apenas causaram uma paragem momentânea na marcha. Minutos depois, os manifestantes retomaram o percurso, determinados.

A resistência inesperada obrigou os agentes policiais a recuarem, permitindo que a marcha prosseguisse sem mais interferências. Tentativas de contactar o chefe das operações, Jonito Wiliamo, para obter um posicionamento oficial sobre os factos descritos não foram bem-sucedidas.

Refira-se que, recentemente, o comandante-geral da PRM, Joaquim Sive, reconheceu publicamente, em Quelimane, que a actuação policial durante as manifestações pós-eleitorais do ano passado foi “extremamente violenta” e apelou à corporação para recuperar a confiança das comunidades através de práticas mais profissionais.

Em contraste, em Gorongosa, o comando da polícia e o governo distrital são novamente acusados de repressão política e violação do direito constitucional de participação política.

Gorongosa tem um histórico de episódios de violência política. O caso mais recente ocorreu a 18 de Maio, durante as celebrações do dia da vila, quando a polícia atacou uma reunião do MDM. Na ocasião, agentes armados e mascarados dispararam contra os participantes, deixando vários dirigentes e membros feridos, incluindo o delegado distrital e líderes das ligas da Mulher e da Juventude.

O novo episódio envolvendo o ANAMOLA reacende os alertas sobre a persistência de práticas de intolerância política num distrito marcado por tensões históricas.

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