Dois garimpeiros morreram soterrados há dias na mina explorada pelos filhos da governadora de Manica

DESTAQUE POLÍTICA
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  • Mineração continua na Mina Seis Carros mesmo depois da polémica
  • Ignoraram até ordens de Esperança Bias, chefe da Brigada Central da Frelimo

Um desabamento num dos vários buracos da Mina Seis Carros em Vanduzi, Manica, provocou a morte de dois garimpeiros, um zimbabweano e um moçambicano. O acidente, ocorreu há dois dias, na mina cuja operação é liderada pelos filhos da governadora provincial, à margem da lei, ignorando decretos do Conselho de Ministros e ordens directas de diversas brigadas de fiscalização, incluindo a intervenção da chefe da Brigada Central da Frelimo de assistência àquela província, Esperança Bias, despachada pelo seu partido para tentar dirimir a situação.

Evidências

Depois de o Evidências ter destacado na sua edição 235 que, afinal, num claro desafio ao Governo Central, a Mina Seis Carros, no Distrito de Vanduzi, Província de Manica, continua em plena operação através de uma cooperativa controlada pelos filhos da governadora Francisca Tomás, em cooperação com grupos de garimpeiros, violando o decreto do Conselho de Ministros que suspendeu todas as actividades mineiras na região por 90 dias, várias brigadas multidisciplinares de nível central e provincial foram despachadas para a região, mas nenhuma delas conseguiu conter a exploração que contionua a todo vapor.

Como prova da continuidade de operações mesmo depois de tantos decretos e ordens expressas de várias entidades, é o acidente ocorrido há dois dias, em que mais de 10 garimpeiros acabaram soterrados, tendo sido possível recuperar apenas dois corpos até ao momento.

Esse acidente é apenas o episódio mais recente de uma série de incidentes em minas operadas pelos filhos da governadora provincial, que continuam funcionando mesmo diante de ordens formais de paralisação.

A informação sobre o desabamento e consequentes mortes tem sido gerida com contenção pelas autoridades provinciais e pelos próprios operadores ilegais, possivelmente para não comprometer as operações lideradas pelos  filhos da governadora provincial, que continuam mesmo após a interdição das actividades.

Segundo relatos de testemunhas, os corpos resgatados foram apenas dois dos mais de dez trabalhadores que se encontravam na mina no momento do desabamento.

O desabamento ocorreu apenas alguns dias depois de a chefe da Brigada Central da Frelimo de Assistência a Manica, Esperança Bias, ter visitado o local. Durante a visita, os gestores daquela cooperativa que fomenta o garimpo ilegal tentaram demovê-la, com a promessa de que contribuiriam em dinheiro para apoiar o partido.

Serena como sempre, Bias ouviu atentamente o aliciamento, contudo, no fim deu um NÃO. Como chefe do partido que suporta o Governo, orientou as autoridades locais a criarem condições para a paralisação imediata das actividades.

A paralisação durou apenas dois dias, expondo o contrapeso de poderes entre as elites da Frelimo. O garimpo continuou sem interrupção, desafiando não só o decreto do Conselho de Ministros que suspendia a exploração mineira, mas também as várias brigadas que se deslocaram à zona para fiscalizar.

Antes da intervenção de Bias, o novo director provincial de Infra-estruturas, acompanhado de uma brigada multidisciplinar, já havia tentado suspender as operações, mas, de forma sistemática, a cooperativa dos filhos da governadora, praticamente ilibada num discurso-sentença do antigo secretário-geral e patriarca da voz do centro, Filipe Paúnde, manteve o garimpo em funcionamento, ignorando ordens de paralisação e operando sem licença de exploração.

O mesmo grupo já havia estado envolvido em operações similares na Mina Sominha, em Nhampassa, onde também ocorreram acidentes fatais. A persistência das operações, mesmo diante de ordens oficiais de paralisação, revela ainda a fragilidade institucional e a dificuldade do Executivo de se impor para fazer cumprir os seus decretos diante de poderes paralelos e clandestinos.

Recorde-se que após a divulgação de que, afinal, os filhos da governadora de Manica estavam envolvidos na mineração ilegal, como que a liderar um rebanho, Filipe Paúnde apareceu em parangonas referindo que “a governadora não tem filhos. Quem tem filhos é uma cidadã chamada Francisca (…). O governador não tem filhos. Governador é uma função, e ter filhos é uma questão social”, o Governo e outros actores relevantes passaram a reproduzir aquele discurso, abrindo caminho para que não houvesse, até aqui, nem responsabilização criminal, muito menos política.

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