Oito anos depois, Governo avança com estrada alternativa de acesso ao Porto da Beira

DESTAQUE POLÍTICA
Share this
  • Enfim, ultrapassada guerra de protagonismo entre edilidade e executivo

Após anos de impasses institucionais e tentativas falhadas de viabilização do projecto, o Governo lançou, na passada sexta-feira (12), a primeira pedra para a construção da estrada alternativa de acesso ao Porto da Beira, na Província de Sofala. A nova via surge como resposta ao congestionamento crónico de camiões na Cidade da Beira, que tem afectado negativamente a mobilidade urbana, a actividade económica e a eficiência logística do principal porto da região centro do país.

Jossias SixPense, Beira

O projecto tem um histórico que remonta ao ano 2013, quando o Conselho Municipal da Beira (CMB) elaborou o Plano Director de Desenvolvimento da Cidade até 2030, no quadro de um Master Plan financiado pelo Reino dos Países Baixos, num montante global de cerca de um milhão de euros. Desse valor, 700 mil euros, provenientes de um banco holandês, destinavam-se especificamente à construção da estrada alternativa de acesso ao Porto da Beira.

Contudo, segundo o Presidente do Município da Beira, Albano Carige, que participou nas negociações à época, o projecto acabou por ser inviabilizado após a Direcção Executiva dos Caminhos-de-Ferro de Moçambique ter considerado que a estrada não era prioritária para a empresa, decisão que travou a implementação do plano durante vários anos.

Na altura, o caso foi entendido como um expediente político do Governo central, dada a constante disputa de protagonismo com o executivo municipal da dita capital do centro, por ser da oposição, tal como se viu aquando da construção do sistema de drenagem e infra-estruturas verdes naquela cidade.

O lançamento da primeira pedra, ocorrido oito anos depois, foi presidido pelo Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, que reconheceu os múltiplos desafios enfrentados pelo sector, com destaque para os elevados custos de manuseio e transporte de mercadorias, o longo tempo de espera no acesso ao porto, a burocracia e as fragilidades em matéria de segurança ao longo dos corredores logísticos.

No caso específico do Porto da Beira, Matlombe sublinhou tratar-se de uma infra-estrutura estratégica para a revitalização do papel da logística no crescimento da economia nacional, razão pela qual o Governo tem vindo a realizar estudos e análises aprofundadas, em coordenação com parceiros públicos e privados, para melhorar a sua eficiência operacional.

Durante a cerimónia, o governante anunciou que o Executivo, através do Conselho de Ministros, aprovou a modernização do Porto da Beira, incluindo a construção do Centro de Apoio e Facilitação Logística de Dondo e a integração da nova estrada de acesso ao porto. A iniciativa enquadra-se no modelo de concepção, construção, exploração e manutenção de infra-estruturas rodoviárias sob regime de portagens, com posterior reversão ao Estado moçambicano.

Matlombe desafiou ainda a concessionária Cornelder de Moçambique a assumir um papel activo na implementação da solução, considerando-a um actor-chave no desenvolvimento da Cidade da Beira e do Corredor da Beira.

“Só para se ter uma ideia, circulam diariamente cerca de três mil camiões na Estrada Nacional Número Seis e, destes, cerca de mil têm como destino o Porto da Beira. No entanto, apenas 200 conseguem aceder ao porto, enquanto os restantes enfrentam dificuldades, o que explica o congestionamento que se verifica todos os dias”, afirmou o ministro.

Segundo o Governo, a nova estrada e o terminal logístico de Dondo deverão aliviar a pressão de tráfego sobre a Estrada Nacional Número Seis (EN6), melhorar a eficiência das operações portuárias e reforçar a competitividade do Corredor da Beira, tornando o Porto da Beira mais atractivo, seguro e funcional para os operadores económicos nacionais e regionais.

Promo������o
Share this

Facebook Comments