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Empresários moçambicanos buscam parceria estratégica com o Egípto com vista a modernização da agricultura, com enfoque na produção do arroz e do trigo, considerados vitais para a segurança alimentar, redução das importações e recuperação económica pós inundações.
Durante uma recepção ao embaixador do Egípto em Moçambique, Mohamed Farghal, a Fundação para a Competitividade Empresarial (FUNDEC) manifestou interesse em aprender com a experiência egípcia, através da transferência de conhecimento, tecnologia e boas práticas agrícolas, com vista ao aumento da produção e produtividade, criação de emprego, poupança de divisas e redução da dependência externa.
O presidente da FUNDEC, Agostinho Vuma, sublinhou o contraste entre os níveis de produção agrícola dos dois países como evidência da urgência de reformas estruturais no sector, com vista ao alcance da eficácia sobretudo na produção de sereais como arroz e trigo.
“Enquanto o Egipto produz anualmente cerca de 4,2 milhões de toneladas de arroz e até 9,7 milhões de toneladas de trigo, Moçambique produziu apenas 161.800 toneladas de arroz em 2023. Estes números mostram claramente a necessidade de modernização tecnológica e aumento da produtividade agrícola no país”, afirmou.
Durante a reunião, o embaixador Mohamed Farghal destacou que a escolha de Moçambique para esta cooperação resulta do grande potencial económico do País e das relações históricas sólidas entre os dois Estados.
“Moçambique é um país grande, cheio de oportunidades. Mantemos relações muito fortes e acreditamos que existe um enorme potencial para aprofundar esta cooperação”, afirmou o diplomata.
Farghal explicou ainda que a cooperação bilateral deverá abranger sectores estratégicos para o desenvolvimento económico, com destaque para a agricultura, mas também para o turismo e a pesca, considerados prioritários na fase inicial da parceria.
“Teremos várias áreas de trabalho, nomeadamente a agricultura, o turismo e a pesca, no âmbito deste início de colaboração entre os nossos países”, sublinhou.
O encontro teve lugar em Maputo e insere-se no esforço de reforço da diplomacia económica e da competitividade da economia nacional, num contexto em que o sector agrícola enfrenta enormes desafios provocados por eventos climáticos extremos que destruíram campos de produção e meios de subsistência.
A reunião decorreu igualmente no âmbito dos preparativos para o lançamento das primeiras métricas nacionais de competitividade, incluindo o Índice de Competitividade Empresarial de Moçambique (ICEM) e o Índice de Emprego e Produtividade (IEP), instrumentos que visam medir o desempenho das empresas e orientar políticas públicas baseadas em evidência.
Segundo a FUNDEC, a visita do embaixador egípcio visa também garantir assistência às empresas nacionais, sobretudo do sector agrícola, que perderam grande parte dos seus meios de produção devido às cheias e inundações.
“O nosso objectivo é assegurar que as empresas tenham condições para se recuperar e reconstruir, depois de terem perdido quase tudo. Precisamos de parcerias estratégicas que tragam soluções práticas para relançar a produção agrícola”, concluiu o responsável.



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