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Quando os primeiros relatórios meteorológicos começaram a indicar subida anormal dos níveis dos rios no sul do país, a decisão central não foi pública, foi operacional. Fontes governamentais indicam que, antes de o impacto atingir o pico, foram activados níveis elevados de alerta e reforçada a monitoria permanente através de uma sala de operações. A lógica foi evitar o que em crises anteriores se tornou padrão: reacção tardia após imagens já circularem nas redes sociais.
Nas 72 horas seguintes, os relatórios passaram a circular directamente entre o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres e a Presidência. O Presidente Daniel Francisco Chapo convocou sessões extraordinárias do Conselho de Ministros e deslocou-se às zonas afectadas ainda durante a fase crítica.
Quando troços da EN1 ficaram comprometidos, a preocupação deixou de ser apenas humanitária, passou a ser económica. O isolamento prolongado poderia provocar ruptura de abastecimento e especulação de preços. Foram então accionadas soluções aéreas temporárias e reforçada articulação com o sector privado.
Dias depois, a coordenadora residente das Nações Unidas em Moçambique, Catherine Sozi, descreveu a resposta como tendo sido marcada por “liderança política clara” e “coordenação técnica eficaz”.
O reconhecimento não encerra o debate sobre vulnerabilidades estruturais. Mas sugere que, ao contrário de episódios anteriores, a engrenagem institucional entrou em funcionamento antes do colapso logístico. Em gestão de desastres, o momento em que se decide pode ser tão determinante quanto o volume das águas.



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