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- Eventos do Diálogo Nacional geram queixas e suspeitas de desvio de dinheiro
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) está a ser acusado por participantes de uma auscultação realizada em Dezembro passado para recolher contribuições de jovens da zona Centro do País no quadro do Diálogo Nacional Inclusivo. Para além dos próprios participantes que não viram até hoje a cor do dinheiro referente a ajudas de custo e despesas inerentes às deslocações das respectivas províncias para a capital provincial, prestadores de serviços de aluguer de sala e catering denunciam também o incumprimento de compromissos financeiros, de facturas emitidas há dois meses.
Jossias Sixpense, Beira
A auscultação decorreu na região Norte, na Cidade de Nampula, e na região Centro, na Cidade da Beira, envolvendo participantes das respectivas províncias, entre os dias 14 e 15 de Dezembro. Segundo os denunciantes, a organização teria solicitado deslocações e prestação de serviços com recursos próprios, sob promessa de pagamento no local no decursio da conferência, o que, quase dois meses depois, ainda não foi cumprido.

De acordo com relatos recolhidos pelo Evidências, os participantes foram informados de que a logística estaria assegurada, mas que as ajudas de custo só seriam pagas à chegada aos locais de acomodação. Com base nessas garantias, vários participantes recorreram a recursos próprios para custear transporte e outras despesas.
No entanto, segundo as denúncias do grupo do Centro do País, os pagamentos nunca foram efectuados, apesar de sucessivas promessas, levando os participantes a acusar o PNUD de má-fé, burla e falta de transparência. Há quem suspeite que o dinheiro possa ter sido desviado pelas pessoas que estiveram à frente do processo.
“Fomos orientados a viajar de Tete para a Beira com os nossos próprios meios, com promessa de receber à chegada. Quando chegámos, disseram que seria no fim do evento. Depois disseram que podíamos viajar e que fariam as transferências. Já se passaram quase dois meses, alegaram problemas no sistema e agora nem atendem as chamadas. Sentimo-nos burlados”, relatou uma das participantes.
O Evidências apurou, ainda, que em Nampula, há igualmente participantes que alegam não ter recebido os valores prometidos, enfrentando a mesma situação de falta de resposta clara por parte dos representantes do PNUD.
Prestadores de serviços também sem pagamento

Além dos participantes, prestadores de serviços também denunciam falta de pagamento. O Evidências teve acesso a uma cotação datada de 02 de Dezembro de 2025 e as referidas facturas, referentes ao aluguer de salas, equipamentos de som e projecção, bem como serviços de acomodação.
Segundo os prestadores, após a prestação dos serviços, o PNUD deixou de responder correspondências, sem efectuar os pagamentos devidos. Na Beira, a conferência foi acolhida pela Casa do Artista, enquanto em Nampula, pela UCM. A presidente da Casa do Artista, uma das entidades envolvidas, manifestou forte indignação.
“Alugámos a sala nos dias 13 e 14, com som e projecção. Normalmente exigimos pagamento antecipado, mas, por se tratar do PNUD, uma organização internacional com reputação, confiámos. Já passaram quase dois meses e ainda não fomos pagos. Precisamos de pagar os técnicos e trabalhadores que dependem destes serviços. Estou absolutamente indignada”, afirmou.
PNUD promete esclarecimentos e depois declina-se
Após as denúncias, o Evidências contactou o PNUD para obter o contraditório. Abílio Matingane, responsável administrativo que esteve envolvido nos eventos, informou que se encontra de férias, mas prometeu averiguar o estágio do processo.
“Peço que aguardem até segunda-feira para me inteirar do assunto. Submeti o processo e vou fazer o seguimento para saber em que ponto se encontra”, declarou.
Contactado novamente, um responsável da administração do PNUD, que se identificou como Chris, afirmou que iria falar com o colega para obter informações e dar uma resposta ao jornal.
“Vou contactar o senhor Abílio, pois esta actividade faz parte do projecto dele. Após a interacção, voltarei a contactar para prestar esclarecimentos”, disse.
Enquanto aguardávamos a resposta, recebemos intermináveis ligações de um indivíduo que se identificou como oficial de comunicação e pediu o congelamento desta peça jornalística, com a promessa de que a instituição liquidaria a dívida e só em caso de isso não se efectivar é que poderiamos avançar, ao que declinámos. Perante a nossa determinação, solicitou que não fosse citado e que compactuássemos com a ideia de que não contactarmos a instituição. Durante toda a interacção, procurou minimizar o assunto alegando que são apenas três ou quatro pessoas e que o não pagamento deveu-se a problemas de dados. Contudo, documentos na posse do Evidências provam o contrário.



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