Membro da CAD diz que Albino Forquilha admitiu ter recebido 219 milhões de meticais

DESTAQUE POLÍTICA
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  • Valor seria destinado a partidos extra-parlamentares para apoiar a FRELIMO e Chapo

Um membro sénior da Coligação Aliança Democrática (CAD), movimento que inicialmente ia apoiar Venâncio Mondlane nas eleições presidenciais, afirma que o presidente do partido PODEMOS, Albino Forquilha, terá admitido, numa reunião, ter recebido 219 milhões de meticais destinados a financiar partidos extra-parlamentares para apoiarem a FRELIMO e o seu candidato presidencial, Daniel Chapo. A revelação surge mais de um ano depois de uma denúncia apresentada ao Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) pelo activista Adriano Nuvunga, que acusava Forquilha de ter recebido o montante em troca de influenciar a reposição da verdade eleitoral. Segundo Justino Mondlane, o valor teria sido entregue por dois empresários da praça.

Elísio Nuvunga

Novos elementos surgem em torno das suspeitas contra Albino Forquilha. Justino Mondlane, membro da CAD, disse há dias numa estação televisiva nacional, e esta segunda-feira, confirmou novamente ao Evidências que o líder do PODEMOS confessou perante membros da organização com a qual partilhavam estratégia para conduzir Venâncio Mondlane à presidência, ter recebido os 219 milhões de meticais, embora tenha alegado depois que o dinheiro “misteriosamente desapareceu”.

“Num encontro que nós tivemos lá na sede da CAD, exactamente ali perto da Romos (Cidade de Maputo), o presidente Albino Forquilha apareceu a dizer que tinha recebido exactamente os 219 milhões de meticais, mas que, do nada, sumiram. Não sabemos se é verdade, mas foi o que ele disse”, revelou.

Segundo Mondlane, vários partidos extra-aparlamentares integravam a Frente Ampla da Oposição (FAO), com o objectivo de preparar uma candidatura competitiva para as presidenciais de 2029.

“Estávamos numa organização chamada FAO, que era presidida pelo presidente Albino Forquilha do PODEMOS. Eu, por causa da visão, não aceitei cargo, mas era membro sénior sem pasta na FAO. Juntava todos os partidos extra-parlamentares para constituir a frente, que era para depois organizar um candidato sério e forte para 2029”, explicou.

Mondlane contou que representantes da FAO foram convidados ao Hotel Indy Village, em Maputo, por empresários do sector privado, incluindo Amade Camal e Agostinho Vuma, para discutirem o apoio financeiro à FRELIMO.

“Fomos convidados para uma reunião no Indy Village. Eles disseram que precisavam de sete partidos para dar dinheiro. Mas disseram que, em troca, devíamos apoiar o partido FRELIMO e o seu candidato presidencial Daniel Chapo. Queriam que mobilizássemos os eleitores a dizer que vamos votar no partido X. Era essa a pretensão”, denunciou.

A proposta gerou debate na FAO. Alguns dirigentes defendiam aceitar o dinheiro para garantir o funcionamento dos partidos, outros rejeitaram.

“Algumas vozes disseram que precisávamos de dinheiro para os partidos serem funcionais, mas outras disseram que não, não podia acontecer. Eu disse não, não se pode fazer uma brincadeira dessas. Então, anunciaram que tinham esses 219 milhões para repartir pelos sete partidos que aceitassem apoiar a candidatura do presidente Chapo e da FRELIMO. Aqueles 219 milhões não eram só para o Forquilha, eram para repartir pelos membros da FAO. Alguns aceitaram e, de forma discreta, foram fazer esse apoio. Eram partidos, digamos, mais pequenos (menores), quase insignificantes”, acrescentou.

Refira-se que a suspeição remonta a Janeiro do ano passado, quando o activista Adriano Nuvunga, director do CDD, apresentou denúncia no GCCC, acusando Forquilha de receber o montante e uma viatura de luxo, em detrimento da verdade eleitoral. O PODEMOS respondeu com queixa-crime por difamação.

O PODEMOS, registado em Maio de 2019 e composto por dissidentes da FRELIMO, ganhou visibilidade política graças a Venâncio Mondlane, após ser “chumbada” a sua candidatura pela CAD. O partido enfrenta actualmente tensões internas; no 11.º Conselho Central, dois membros, Hélder Mendonça e Fernando Jone, foram suspensos após questionarem decisões da direcção. Críticos apontam autoritarismo e falta de transparência financeira. Forquilha terá informado que o partido recebia cerca de 60 milhões de meticais do Estado, quando o valor real ultrapassaria os 80 milhões, parte dos 466 milhões distribuídos anualmente às forças parlamentares.

Importa referir que Justino Mondlane já foi detido pela PRM durante manifestações contra os resultados eleitorais de 2024, acusado de conspiração e incitamento à violência. Mondlane refutou todas as acusações, alegando limitações visuais.

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