Afonso Almeida Brandão
o palco mediático é, hoje, ocupado permanentemente por personagens secundárias, que parecem meros figurantes, apesar de se darem ares de protagonistas «de meia tigela», de não passarem muitas vezes de simples bonecos articulados, de que outros puxam por detrás dos cordéis. Temos o caso flagrante do nosso primeiro-ministro “a ser comandado (e ultrapassado) pelo «político de aviário» Celso Ismael Correia”. O pior, ainda, é que, além de tratar-se quase sempre de pequenos políticos, eles são também “comparsas” da pequena política, que nada tem a ver com a autêntica, a que se ocupa dos grandes problemas da polis e não a que se move por motivações mesquinhas, em que a coerência das ideias e da acção é preterida perante a conivência entre sectores com convicções opostas, unidos contra natura nos mesmos objectivos imediatos, sejam eles negativos e contrários aos princípios hipocritamente proclamados.
Ao darem maior projecção a essas movimentações cénicas — é só vermos a “fantochada” do juíz Efigénio Baptista que sistemática e vergonhosamente “continua a defender” «o seu chefe de linha», que é o principal responsável pelas Dívidas Ocultas — do que ao apuramento e debate das questões essenciais como o de tratar a Justiça como ela deve ser tratada, com isenção e Verdade —, e é bom que se diga que seria oportuno que “certos” meios de Comunicação Social deixassem de contribuir para que a opinião pública seja distraída do que deveria ser as suas preocupações reais, dada a gravidade e natureza do caso em si, através de “uma diversão espectacular” que alguns pseudo-jornalistas são “hábeis” em manter. Querem dois exemplos? Pois nós damos os nomes dos três Jornais NOTÍCIAS, DIÁRIO DE MOÇAMBIQUE e DOMINGO, naturalmente ao serviço da FRELIMO, no Poder, desde 1975.
E a política (a pequena) torna-se, deste modo, como dizia ironicamente o meu Querido e Saudoso Amigo Machado da Graça, parafraseando Paul Valéry, «a arte de levar as pessoas a não se ocuparem do que lhes diz respeito».
Os exemplos negativos são as dezenas e não temos espaço suficiente para falar deles nesta crónica semanal. Contudo, e por um descargo de consciência, é bom referir que importância devia ser dada ao debate sobre a situação efectiva de um País que apresenta na África Austral (e aos olhos da Comunidade Internacional) os maiores índices de Pobreza e de Analfabetismo, dois indicadores inexoráveis, que implicariam só, por si, um debate de consciências daqueles que ainda há poucos anos apresentavam como um País de “sucesso”, devido a políticas pretensamente “modernas”, sendo os responsáveis por esses resultados que deixaram em herança?
Os epígonos de tais políticas, que agora se agitam no palco da pequena política do bota-abaixo, deveriam antes ser chamados à boca de cena para assumirem a sua parte dessa responsabilidade, em vez de pretenderem que os que a não têm mudem de um momento para o outro o estado de coisas que já encontraram pela frente. E, sendo assim, é oportuno procurar saber se a FRELIMO (desde sempre à frente dos destinos do nosso País) é o único responsável pela situação que se vive neste momento em Moçambique, após a Assinatura dos Acordos de Roma, e se as culpas cabem a outros tantos e a quem concretamente…
Hoje proliferam, em Moçambique, os Ladrões, os Corruptos, a Política podre de que «uma mão lava a outra», uma Polícia desgovernada, a Mentira, a Vergonha, o Descaramento e também a Verdade Oculta de todos aqueles que já deviam estar a ver o Sol aos quadradinhos, e que continuam cá fora «a fazer das suas». Falar de nomes para quê? Todos nós sabemos quem são e onde estão…
A dureza dos tempos EXIGE que a Política volte a ser considerada uma coisa séria, de que todos devemos ocupar-nos, debatendo o fundamental e não o acessório, através do confronto de projectos e de programas e não de pessoas da laia do Celso Ismael Correia, que «corre atrás do melhor taxo» ou de caprichos polémicos, destinados a criar “factos políticos” ou “crises” por meios ínvios.
Foi para aplicar uma política de fundo que os moçambicanos sufragaram o programa eleitoral da actual Maioria. Têm, pois, razão os que o querem pôr em prática ao não cederem a conjunções circunstâncias de minorias que, sendo de sinal contrário, se concertam apenas por razões tácticas para criarem dificuldades à governação, quando o interesse do País perante os desafios da África Austral e sobretudo do Mundo, no plano Económico e Social — já para não falarmos da Saúde e do Covid-19 e de apenas 10% da nossa população ter sido vacinada, o que é uma vergonha! — seria, dizíamos, o de um esforço conjunto para vencer atrasos acumulados, enfrentando esses desafios e partir de perspectivas diferentes, sim, mas que podem ser complementares, desde que os objectivos sejam construtivos.
É essa a verdadeira política, que tanto há-de ser a do Poder como das oposições, um e outro igualmente responsáveis perante o País pelas consequências das suas atitudes, pelo que não podem deixar arrastar pelas tentações da pequena política… como aquela que é praticada por pessoas da estirpe do Sr. Celso Correia, muitas vezes de trazer para casa…
Mas é aos Cidadãos que todos nós somos que se impõe um sobressalto perante a Mediocridade dos “pequenos políticos” que proliferam entre nós e que se agitam no proscénio, prestando, entretanto, atenções aos bastidores. Era sobre estes que, criticamente, deveria incidir também a Luz Mediática, não se deixando fascinar nem ofuscar pelas luzes da Ribalta Política.
Muitos assuntos ficaram por ser abordados, entre eles, a Guerra que se está a passar em Cabo Delgado e, mais recentemente, o Tsunami destruidor que atingiu o Distrito de Tete. Mas para estes casos — e de tantos outros! — estão cá os nossos Colegas de Redacção do Jornal EVIDÊNCIAS para os relatar…

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