Visão sobre o papel das Fintechs no acesso às fontes de financiamento (1)

OPINIÃO

Por: Teodósio Camilo

 Desde os primórdios, o Sector Financeiro foi especializado por instituições financeiras de carácter tradicional na provisão de produtos e serviços desta área. Actualmente, o advento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) trouxe uma nova dinâmica, através de introdução de forças da inovação tecnológica. Estas forças concorrerem na disrupção tecnológica, transformação da estrutura tradicional de negócios, introdução de novas formas de prover produtos financeiros, disponibilização de informação financeira e possibilitam o encontro de diferentes actores do mercado nas vertentes oferta e procura. A abertura de contas bancárias, outrora feitas de forma burocrática, passa a ser mais flexível, as transacções são instantâneas, facilidade de fornecimento de informação sobre gestão de riscos financeiro e seguros podem ser realizadas através das TICs.

Com a massificação da Internet, na década de 90, registou-se uma nova forma de compreender o mundo de negócios e diferentes ferramentas de tecnologias ganharam campo no sistema financeiro. Os factores tempo e espaço ficaram reduzidos. Os custos de investimentos alocados aos serviços de terceiros como Marketing porta a porta para comercialização de bens e serviços ofertados pelas empresas, divulgação de imagens através de panfletos e cartazes, entre outros, foram minorados (Gomber & Parker, 2018).

Assim, aplicação das tecnologias de informação e comunicação na área financeiro forjou-se novas ferramentas denominadas Financial Technologies (Fintechs), ou seja, Tecnologias Financeiras. Estamos perante o Mundo Digital. Assim sendo, as fintechs surgem como soluções inovadoras por meio da tecnologia, diminuem intermediários entre as empresas financeiras e clientes, ou entre uma solução financeira e o cliente final.

O conceito fintech destaca, conforme Katori (2017), as novas empresas que exploram o mercado financeiro através da tecnologia, trazem um conceito mais simples Serviços Financeiros Digitais. Nota-se o surgimento de start-ups financeiros, pequenas empresas em fase inicial de funcionamento, geralmente caracterizadas por modelos de negócios inovadores de empreendedorismo, uso intensivo de tecnologia e buscam baixos custos de produção sem prejudicar a qualidade do produto e serviços. Nesta percepção, Start-up fintech refere-se a um grupo de pessoas que trabalha em algo inovador e lucrativo a custos baixos, sem envolver numerosos recursos humanos, mas na esfera financeira, usando tecnologias como computadores, smartphones, tablets e demais, mas todos conectados na Internet. As fintechs comportam cinco categorias: dados e análises, inteligência artificial, pagamentos, moedas digitais e crowdfunding (Haddad & Hornuf, 2016).

As fintechs são verdadeiramente soluções inovadores, permitem a oferta de uma variedade de serviços, por forma a trazer soluções sustentáveis, a baixo custo, aos diferentes consumidores de produtos e serviços financeiros. As fintechs, direccionadas a dados e análises focalizam-se na gestão de dados gerados no sector financeiro, segmentação de clientes, identificação de oportunidades para novos produtos e serviços bem como optimização de preços. Evidenciam-se igualmente na provisão de serviços de gestão de riscos e privacidade das informações financeira de clientes (Chaves, 2018).

Favaro et al. (2019) consideram que a categoria de eficiência financeira, a aplicação as fintechs estão direccionadas a segurança das operações dos actores do mercado financeiro. Enquanto as da classe de inteligência artificial informatizam o processo de tomada de decisões, a partir de uma base de dados e de análises, procuram manter e tratar um volume de informações com uma celeridade de forma sustentável, acessível e torna a análise humana insuficiente e cara.

As fintechs focalizadas aos pagamentos oferecem produtos e serviços, a semelhança dos bancos comerciais, possibilitam a transferência de valores entre pessoas e instituições, respondem a demanda do consumidor, através de instrumentos de pagamentos mais seguros, eficientes, convenientes e procuram simplificar as transacções de compra e venda.

Outra área das fintechs é a de provisão de moedas digitais responsável por, além de criar, monitorar as transacções de moedas virtuais, definem blockchain plataforma que promete integrar diversas áreas, manutenção digital dos pagamentos, dos registros médicos e de documentos de identidade.

Entretanto, as fintechs direccionadas à crowdfunding ou financiamento colectivo também denominado financiamento em massa, referem-se ao financiamento realizado através da Internet ou dos media Sociais que abrange um elevado valor através da contribuição de muitas pessoas, abrange um elevado número de beneficiários colectivamente, contempla-se um número elevado de investidores, projectos, mas atribuindo pequenas quantidades monetárias.