Alexandre Chivale escapa de tentativa de assassinato

DESTAQUE POLÍTICA
  • Preparação da execução terá sido coordenada no Ministério do Interior
  • “Estão a perseguir este boss (Chivale) já há muito tempo”
  •   “A ideia é seguirem a ele, bloquearem o carro, ele capotar e depois irem lhe terminar…”
  •   “Chivale é para ser deixado cair e lhe falharam no dia que era para lhe abater na porta”
  •   “… mandantes aqui no Ministério do Interior, que recebem dinheiro para assassinarem pessoas”

O conceituado advogado Alexandre Chivale, ora em parte incerta, após um mandado de captura emitido pelo juiz do caso das Dívidas Ocultas, Efigénio Baptista, terá sido vítima de uma tentativa de assassinato, em Outubro do ano passado, segundo consta de áudios supostamente preparatórios do crime já na posse das autoridades, em que estariam alegadamente envolvidos agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), dando a entender que a operação estaria a ser coordenada ao mais alto nível no Ministério do Interior. Na referida conversa, os agentes dão a entender que a meio do plano decidiram salvar a vida do alvo, que é a dado momento tratado como “objecto”, contrariando assim ordens de “… mandantes AQUI no Ministério do Interior, que estão aqui e recebem dinheiro para assassinarem pessoas”.

Evidências

A referida conversa com três interlocutores foi supostamente gravada por um dos agentes que estava envolvido no processo preparatório do alegado assassinato de Alexandre Chivale. Na conversa, os agentes dão a entender que estavam a conspirar contra os mandantes do crime. Pelo som ambiente, decorreu dentro de uma viatura onde estavam dois agentes, enquanto o terceiro elemento, identificado como sendo de reconhecimento, participou via telefone.

No áudio, é possível perceber que a preparação do suposto assassinato de Chivale já vinha sendo feita há muito tempo e que numa das ocasiões chegou a estar perto de ser abatido à saída da Tenda da BO, mas a missão acabou sendo abortada supostamente porque ordens na hora H foram de que “não podem atirar porque o terreno não está confortável”.

Curiosamente, no mesmo mês em que o áudio foi gravado, Alexandre Chivale, que chegou a reclamar pelas constantes demora na saída das sessões de discussão e julgamento, que por vezes se prolongavam até a madrugada, acabou sendo expulso na sequência de um requerimento do Ministério Público.

Um mês depois, o juiz viria a emitir um mandado de busca internacional contra Chivale, por não ter comparecido ao tribunal na qualidade de declarante. Neste momento, o causídico que já vinha se queixando de perseguição está em parte incerta.

Acompanha a seguir, em exclusivo, a transcrição do áudio da suposta tentativa de assassinato de Alexandre Chivale, onde é tratado por “objecto”, qualquer coisa como alvo, e os agentes chegam mesmo a sugerir que acção é coordenada pelo Ministério do Interior. O caso é do conhecimento do SISE, que inclusive tem informações e fotos dos carros que durante algum tempo vigiaram e seguiram Alexandre Chivale.

PARTE 1

Conversa ao telefone entre o agente 1 e o agente 2. A conversa acontece em viva-voz para o terceiro elemento acompanhar.

Agente 1 – Eu já consegui entrar em contacto com alguém (agente 3) que vai nos ajudar a chegar próximo do objecto (supostamente Alexandre Chivale).

Agente 2 (oficial de reconhecimento) – Yah!

Agente 1 – Eu estava a tentar lhe explicar aqui, mas podes ficar à vontade comigo, sobre as coisas como estão a funcionar e o que se pretende.   

Agente 2 – Ok.

Agente 1 –  Eu não sei se posso falar em viva-voz, ele a ouvir?

Agente 2 – A pessoa?

Agente 1 –  Sim, está comigo, daqui a nada vai entregar o almoço.

Agente 2 – Yeah, o problema é já dos telefones.

Agente 1 –  Ham, ok. O tio … (nome omitido) vai ter tempo quando?

Agente 2 – Eu estou aqui na Matola, nesta paragem da … (omitimos). Já, não sei, talvez você… Hão-de ir deixar o almoço juntos?

Agente 1 – Nada, ele vai sozinho. Não “podem” me ver lá.

Agente 2 –  Mas ok, é simples, é só explicar a esse homem aquilo que eu te disse. Não posso falar ao telefone porque telefone você também sabe… Se fosse Whatsapp a coisa seria outra. Essa é uma informação séria, não são coisas de brincadeiras. Não fica bem.

Agente 1 –  Está bem, meu camarada.

Agente 2 –  Você tem que dizer exactamente aquilo que eu te disse para o homem perceber. O mais rápido possível “djon”.

Agente 1 –  Aham! Está bem

Agente 2 – A cena ainda continua. Não é que parou. Então você explica ao homem e depois dá feedback do que ele vai te responder. Quando será, para a gente se encontrar com o objecto, não sei.

Agente 1 – Está certo

Agente 2 –  Mas eu gostaria que fosse nesses dias que estou cá, que é hoje ou amanhã, ou caso contrário sexta-feira, se eu for a sair.

Agente 1 – Certo (telefone desliga-se).

PARTE 2

Após desligarem o celular, Agente 1 e Agente 3 conversam no carro naquilo que se entende como um plano, visando contrariar a ordem de abate. Na referida conspiração, dão a entender que pretendiam alertar ao Chivale e depois denunciarem o esquema.

Agente 1 –  Yah, este gajo aqui…! Sabe, estão a perseguir este boss (Chivale) já há muito tempo. A ideia é seguirem a ele, bloquearem o carro, ele capotar e depois irem lhe terminar…

Agente 3 – Uma coisa boa é ele ter descoberto que estão a lhe seguir.

Agente 1 – Sim. E “dois”, aquele disse que está a trabalhar com uma moça, mas ele quer fazer com que mesmo o chefe e o Chivale despoletem as pessoas mandantes AQUI no Ministério do Interior, que estão aqui e recebem dinheiro para assassinarem pessoas. E ele diz mesmo que nem aquele burundês (uma referência ao cidadão ruandês Revocat Karemangingo) que foi assassinado na Matola, há conhecimento que são os chefes deles que mandam assassinar as pessoas.

Agente 3 –  Este gajo que estávamos a falar com ele é do Ministério do Interior?

Agente 1 – Sim, é do Ministério do Interior, é do reconhecimento. Ele é que está a trabalhar no assunto do Dr Chivale. Só que aquilo que vai acontecer tem que ter protecção dele e do Chivale.

Agente 3 – Dele quem?

Agente 1 – É um inspector principal, mas é um “chocho” (gíria policial). Ele disse que estou a pedir, não é que quero ganhar muito com isso, mas a vida daquele camarada é para salvar a todos nós. Tas a perceber?

Agente 3 –  Yah

Agente 1 – Porque, segundo o que ele explicou, parece que Chivale tem toda base e matéria capaz de tirar o chefe do local. Já para não existir isso tem que se dar stand by todos aqueles ali (provavelmente os mandantes). As pessoas que estão a trabalhar com ele são todos emocionados e viciados. Está a perceber?

Agente 3 –  Mas estes gajos do serviço (SISE) não estão envolvidos nessa cena?

Agente 1 – Esse é assunto do Interior. Eu perguntei se não haviam pessoas do SISE e ele disse não.

Agente 3 –  Mas ele disse o quê mesmo?

Agente 1 – Disse que Chivale é para ser deixado cair (assassinado). E já escoltaram Chivale e lhe falharam no primeiro dia que era para lhe abaterem aqui na porta. Só que ele disse que não podem atirar, o terreno não está confortável. Parem. Já naquele dia em que o Dr “bateu” (revelou) que é colaborador do SISE, ele ligou para mim e disse que estou a precisar de si para conversar consigo.

Disse o seguinte: eu não sei como vais fazer, mas faça-me chegar ao Dr Chivale para eu chegar lhe abrir a fita toda que eu tenho conhecimento.

Agente 3 –  Ok.

Agente 1 – No escritório do Dr Chivale ele conhece, casa do Dr Chivale ele conhece. Dr Chivale falha, por vezes atende telefone enquanto está na varanda, ele diz que sabe disso.  Mas por ser uma pessoa que entende que aquele senhor não tem culpa, ele diz que não quer fazer nada, pelo contrário, o que vai acontecer é virarmos o disco para despoletarmos que o Ministério do Interior está dentro de um assunto assim. Está a ver?

Agente 3 – Yah! (respirando fundo)

Agente 1  – Eu disse que vou te fazer chegar na pessoa, para não ser eu a explicar porque eu não sei. Eu, meu irmão, não vou te queimar e você também não vai me queimar. Se as coisas ficarem feias você fica no silêncio e eu também fico no silêncio. Eu vou te colocar com a pessoa e depois de conversarem vão saber o que deve se fazer.

Agente 3 – Okay! Yah, yah, mas vou te actualizar, hoje, até o final do dia vou te dizer alguma coisa.

Agente 1 – Mas já falei muitas vezes com o … (omitimos) e ele sempre disse vou te actualizar…

Agente 3 – Mas você explicou-lhe o assunto?

Agente 1 –  Sim expliquei. Até o chefe … (omitimos) nesse dia não queria sair de casa e eu lhe disse que eu não posso ficar com coisas, sem contar a vocês com quem convivemos e as nossas coisas são fechadas. Hoje é o Chivale que estão a abater, amanhã podemos ser nós. Nós temos que preservar estas pessoas. Termina a gravação.

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