Luís Munguambe diz que não concorreu e não sabe como seu nome foi parar no boletim de voto

DESTAQUE POLÍTICA
  • Há barulho na Manhiça, após humilhação ao edil
  • Na mesma lista estava a Administradora, o SP e a esposa do Edil era chefe da brigada
  •  Alguns funcionários foram ameaçados pelo edil
  • O caso já foi enviado para a província e há lobbies para tentar

 

A Frelimo já começou a afinar a máquina rumo ao Congresso, e, como tal, decorrem neste momento conferências de base, desde a célula até a província, que culminarão com a eleição de novos órgãos de nível local e central, mas também mostram o nível de popularidade de alguns camaradas e a tendência de votos nas internas que se avisinham. No distrito da Manhiça, província de Maputo, por exemplo, os camaradas estão em rota de colisão desde a semana passada, depois de o presidente do Município local, que recentemente mostrou disponibilidade para um terceiro mandato, ter saído humilhado numa votação em que foi o menos votado, numa lista de 18 candidatos do Comité do Círculo Samora Machel, constituído pela “elite” do distrito, que concorriam a 15 assentos de delegados à conferência da localidade Manhiça-sede. Em contacto com o Evidências, o Edil da Manhiça, Luís Munguambe, mostrou-se revoltado, alegando que não concorreu para os referidos assentos, não sabe como é que seu nome foi parar naquele boletim de voto e suspeita que tenha sido “colocado por um grupo de arruaceiros que não estão felizes com as realizações que tem feito no município da Manhiça”, estando em curso diligências com vista a anulação do pleito, cuja brigada de assistência à zona, estranhamente, foi chefiada pela sua esposa, de nome Diana, e concorreram outros altos dirigentes do distrito, com destaque para a administradora Cristina Mafumo e o secretário permanente José Licucu.

 

Evidências

 

Recentemente, numa entrevista ao Jornal Magazine, o edil da Manhiça, Luís Munguambe, mostrou disponibilidade para concorrer para um terceiro mandato. No entanto, a vontade dos membros do partido parece ser diferente.

 

Há dias saiu humilhado da conferência do Círculo Samora Machel, constituído maioritariamente por dirigentes, órgãos de soberania, professores da Escola Secundárias, directores, funcionários do Municício e da administração local, ao não conseguir ser eleito como um dos delegados à conferência da localidade Manhiça-sede.

 

Não passou ao primeiro teste de popularidade e teve apenas 15 votos dos 54 possíveis, caindo na 18ª posição, numa lista de 18 candidatos, ou seja, foi o candidato menos votado e não conseguiu eleger-se para um dos 15 assentos à Conferência da Localidade, que a princípio deverá realizar-se dentro de dias.

 

Entretanto, em contacto telefónico ao Evidências, o edil da Manhiça, Luís Mungumbe, mostrou-se surpreso com o boletim posto a circular e jurou de pés juntos que não concorreu nas eleições do Comité do Círculo Samora Machel e que o seu nome “foi colocado por um grupo de arruaceiros que não estão felizes com as realizações que tem feito no município da Manhiça”.

 

Munguambe diz que não tinha como se candidatar para a vaga de delegado do Comité do Círculo Samora Machel porque é membro do comité distrital.

 

“Nunca me candidatei para qualquer vaga da célula, nem de círculo e muito menos da localidade porque eu sou membro do comité da zona que está acima da localidade e círculo. Sou membro do comité distrital, por isso não posso me candidatar num escalão abaixo, porque já estou acima. Puseram também nome da administradora da Manhiça, que também não se candidatou, como é que é possível que a administradora vá se candidatar no comité do círculo. Ela é membro do comité provincial, como é que vai para célula, não é possível. Não sei quem colocou meu nome naquela lista”, declarou Munguambe.

 

“Meu nome foi colocado na lista pelos arruaceiros que andam lá no partido”

 

Aliás, o edil jura de pés juntos que nem sequer sabia da data da realização das eleições de tal sorte que nem esteve.

 

“No mínimo devia tomar conhecimento que sou candidato, tinha que assinar um documento que mostra que sou candidato. Desafio as pessoas para mostrarem o documento que prova que assinei que sou candidato, desafio a pessoa a dizer também que falou comigo no dia Y ou X, porque no partido Frelimo tudo está organizado, o candidato assina documentos e entrega. Aliás, nem sabia a data da realização das tais eleições”.

 

Contra-atacando, reiterou que o seu nome foi colocado por pessoas mal-intencionadas, com o objectivo de o humilhar no seio do partido.

 

“O meu nome foi colocado na lista pelos arruaceiros que andam lá no partido. Puseram o meu nome de propósito e mobilizaram pessoas para não votarem, para terem a oportunidade de fazer este espectáculo barato. Nunca concorri, desde quando já viu resultados internos do partido Frelimo publicados no jornal? Agora estão a decorrer eleições internas em todo país e quando é que se publicou que o fulano ou sicrano venceu? Essa notícia não passa de uma montagem. São pessoas mal-intencionadas que não estão a gostar do trabalho que estou a desenvolver no município da Manhiça”, rematou.

 

Luís Munguambe diz que o partido já está a averiguar o que terá acontecido. “O partido vai averiguar o que aconteceu. A Frelimo está estruturada e sabe como as coisas funcionam, o partido não vai admitir este tipo de brincadeiras, porque não é possível concorrer num escalão abaixo do meu. Tinha que ser um paranoico para tomar esta medida, isso não se difere de descer do cavalo para o burro. Os que fizeram são da Frelimo apenas pelo nome e são inimigos. A Frelimo está satisfeita com as realizações que estou a fazer na Manhiça, diferente deles. O que nos outros mandatos não realizaram estou a realizar hoje. Trata-se da oposição da Frelimo dentro da própria Frelimo”, sublinhou.

 

Entretanto, Evidências apurou que geralmente não se concorre para ocupar aqueles assentos e o nome do edil e de outros altos dirigentes do distrito foram propostos pelo secretariado do Comité da Zona, havendo quem jura de pés juntos que Luís Munguambe sabia, até porque quem chefiava a brigada da zona que assistia àquele círculo é a sua esposa, de nome Diana. Entretanto, há relatos de alguns funcionários do município que estão a sofrer ameaças.

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