- Os Sectários Sacrificam a Verdade ao Confiscarem a Democracia, cerceando o Debate Público
Afonso Almeida Brandão
Tendo surgido a partir de uma Manisfestação Intelectual em resposta ao Estado confessional, à Monarquia Absolutista e ao direito Divino dos Reis, no decurso do tempo o Liberalismo foi edificando um elaborado sistema de crenças que redundou numa autêntica religião de carácter universalista, apetrechando-se de uma intrincada liturgia pautada por um abrangente conjunto de normas que servem de guia moral para os seres humanos e que são proselitamente promovidas por um verdadeiro Clero Fanatizado, instalado nos Estabelecimentos de Ensino, no Jornalismo ou no Mundo do Entretenimento, que secunda uma Classe Política que reage furiosamente face a qualquer opinião divergente — imediatamente apelidada de discurso de ódio — não hesitando em lançar para a Pira Inquisitorial Liberal todos quantos ousarem sair do esquema mental gizado, sempre em nome do sacrossanto progressismo.
Dentre os MITOS fundacionais do vigente Liberalismo interseccionam-se aspectos essencialmente morais e antropológicos, como a esterilização da Família (ideologia de género, LGBTismo, Feminismo, etc., etc.), a restrição da Religião (Laicismo), o enfraquecimento da Soberania Nacional (Mundialismo) e a eliminação da Identidade Ética e Cultural dos Povos (multiculturalismo e mesticismo). Subjacente a esse processo encontra-se a escatológica ideia de que o Mundo Passado “é um somatório de pecados cometidos pela Raça Branca” e que esta deverá forçosamente expiar os mesmos e, para esse efeito, importa construir um Mundo Novo no qual os Brancos cultivem o sentimento de culpa, um ódio de si próprios traduzido num etnomasoquismo conducente ao seu desaparecimento físico, encarado como derradeira remição.
A constituição de Sociedades Multiculturais e Multirraciais em solo Europeu ou Africano — sem excluirmos os Estados Unidos da América e os Países Asiáticos —, adquire assim uma relevância dupla: “purgar” a Raça Branca do seu Racismo Congénito e, por via da promoção da Miscigenação generalizada, dar origem a uma massa humana Mestiça que concludentemente será impoluta e liberta do Mal.
O Multiculturalismo adquiriu um carácter dogmático e no seu corpo axiológico entronca-se o culto da diversidade, que em bom rigor manifesta-se através de uma redentora Xenofilia, a admiração pelo estrangeiro, pelo OUTRO, o qual está revestido de uma histórica aura crística de sofrimento e exclusão e cuja exasperada protecção oferece-nos a purificação da consciência. Assim, em detrimento dos nativos europeus, intrinsecamente maus, as reivindicações dos sujeitos pertencentes às demais raças que habitam no nosso Planeta, oprimidos e rejeitados desde o Nascimento, devem ser priorizadas em penitente genuflexão pelos Zelotas do Progressismo.
GÉNESE DA IDEOLOGIA MULTICULTURALISTA
Com o eclipse da era Imperial e o fim da Epopeia Colonial Europeia, o chamado Velho Continente conheceu um influxo populacional constituído tanto por europeus como por africanos e asiáticos. Desde então a Europa passou a ser a Terra Prometida para milhões de Descolonizados. A partir do Maio de 68, uma ampla fatia dos Intelectuais Marxistas voltou à URSS, percebendo que o tão louvado “paraíso operário” era na verdade um INFERNO concentracionário. Esta deriva assinala o sucesso do Esquerdismo, que ultrapassou o Comunismo pela Esquerda. Entre esses Sumo Sacerdotes do Esquerdismo encontrava-se o estupor Jean-Paulo Sartre — que eu conheci infelizmente e que é o Autor da ignóbil sentença “Abater Um Europeu é matar dois coelhos com uma cajadada, é suprimir um opressor e o homem que ele oprime ao mesmo tempo: sobra um homem morto e um homem Livre”, bem como, ademais doutros, Herbert Marcuse, o qual, desencantado com o Proletariado por este renunciar a ser a Classe Revolucionária e aspirar ascender à Classe Média, entreviu nas Minorias (homossexuais, prostitutas, toxicodependentes, imigrantes…) os substitutos para assumirem o papel de Classe Social Revolucionária…
Se ambos tivessem ido DAR UMA VOLTA AO BILHAR GRANDE PARA “AREJAR AS IDEIAS” ou IDO ÀS UTIGAS, teriam feito melhor figura, estes imbecis da treta, em vez de abrirem a boca para dizer asneiras!!!…
Este é o momento em que se opera a transmutação do Mito revolucionário e o âmbito académico é tomado de assalto pelas teorias da desconstrução, as quais exaltam as subculturas, a marginalidade, o desvio, o roubo, e, claro está, a condição de minoria, assumindo o Multiculturalismo um papel determinante na narrativa de Esquerda e Socialista incluída, que entretanto, “mutatis mutandis”, deixara de criticar a Sociedade Capitalista e as questões económicas para dedicar-se à crítica Cultural, tendo por objectivo último da transformação social já não a abolição das injustiças sociais, mas a eliminação das causas psicológicas, culturais, jornalísticas em termos de opinião — como muito bem referiu o colega Alexandre Chiúre na sua habitual crónica semanal, do passado mês de Novembro — e também antropológicas da infelicidade humana.
Ora, é precisamente uma ideia de felicidade que entrecruza a actual Esquerda — por vezes dita Socialista com o Liberalismo — e a faz operar dentro deste e não contra este. “A Revolução contra o Capitalismo foi substituída por algo semelhante a uma tentativa de transformar a condição humana. O Socialismo passou, assim, a identificar-se com uma forma de tratar as pessoas, mais do que com um Modelo Institucional e Político” (Stephen Bronner).
Não tardou que os principais Marxistas fossem olvidados pela Esquerda, que passou a arvorar-se como a Guarda Suíça da DemocracÍa Liberal, da Economia de Mercado e do Progressismo Transnacional, essa ORDEM REVELADA onde a desconstrução das identidades enraizadas por via da engenharia social permite nascer novas identidades através da Miscigenação, para que, desse modo, desapareça o factor mais visível da Desigualdade entre os seres humanos: A DIFERENÇA RACIAL..
OS PARADOXOS DO MULTICULTURALISMO TORNAM-NO INVIÁVEL
O projecto para a instituição de uma Sociedade Multicultural onde as Culturas e as Religiões diferentes dialoguem e convivam harmoniosamente, enriquecendo-se com a sua diversidade, veio substituir o anterior intento de assimilação de quem vinha de fora, considerado agora pelo Prelado progressista como uma imposição RACISTA inaceitável. Porém, a experiência Histórica demonstra que todas as Sociedades Multiculturais em vez de UNIR os seus diversos componentes REDUNDAM invariavelmente na fragmentação e na constituição de comunidades separadas e conflituantes. Um exemplo paradigmático na Europa foi o Império Austro-Húngaro, que albergava povos de origem germânica, eslava e magiar, todavia no topo da hierarquia encontrava-se a elite germânica que subalternizava as outras etnias desse confronto interétnico resultou a Primeira Grande Guerra Mundial.
Uma Sociedade Multicultural depressa torna-se uma Sociedade Multiracista, dado que a coexistência, no mesmo espaço, de populações cujos modos de vida chocam é sempre de elevada tensão e a coabitação somente pode ser regulada por meio de um quadro jurídico antidemocrático de cariz repressivo e totalitário. Por vezes, entre pessoas da mesma raça africana, a inveja impera. Basta por os olhos nos Moçambicanos e nos Portugueses menos afortunados. A isso acresce (também) a comprovada falência do princípio igualitarista que começa com a introdução de quotas (discriminação positiva) e termina sistematicamente na sobreposição de uma comunidade sobre as demais, vitimando a tão apregoada diversidade.
Malgrado os decénios de experiência, as evidências da impraticabilidade do Multiculturalismo são teimosamente negadas pelos fiéis sectários da Religião Liberal, os quais, negadores da Realidade, sacrificam a Verdade no Altar do progressismo ao confiscarem a Democracia, cerceando o Debate Público de forma a erradicar o Mal da Sociedade, entenda-se, aqueles que não participam no Culto da chamada “diversidade”.
Elevado à condição de doutrina de Estado, o Multiculturalismo é encarado como o Destino Último da Humanidade, pese embora tal visão revelar-se absurda para os Povos de culturas enraizadas como são os Asiáticos e os Africanos (Moçambique e Angola, incluidos). A imposição do Multiculturalismo pelas “elites” culturais e mediáticas é entendida como uma marca definitiva de tolerância e abertura de espírito que irá alumiar as massas ignaras europeias, mesmo que isso signifique a amputação da sua especificidade identitária. O Culto Multiculturalista faz tábua-rasa da nossa própria Cultura, despojando-nos do estatuto de cultura de referência para não ferir a sensibilidade dos OUTROS e reduz-nos à condição de Comunidade Étnica entre outras dentro do reino da Diversidade. Por outras palavras, a Cultura acaba onde começa o Multiculturalismo.

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