Abusos sexuais: será que em Moçambique o escândalo «bateu-nos à porta»?

OPINIÃO

Afonso Almeida Brandão

Porque Não Acabar Com a «Estupidez do Celibato» Na Igreja Católica?

Foram conhecidas esta semana as conclusões da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais na Igreja Católica. Segundo Pedro Strecht, o Presidente da Comissão, foram validados 512 testemunhos, apontando para um número potencial de cerca de 4.815 menores abusados no contexto da Igreja, nos últimos 72 anos. Isto em relação a Portugal.

Pretendendo-se um olhar analítico da questão, importa, desde logo, referir que foram 4.815 casos a mais do que seria admissível. Em circunstância alguma, independentemente do contexto, da idade, do sexo ou de tudo o resto, podemos admitir, tolerar ou justificar qualquer tipo de violação, abuso, invectiva ou insinuação sobre qualquer pessoa que se encontre em situação vulnerável, de subjugação, de incapacidade, de dependência ou num estado tal que não lhe seja permitido compreender ou sustar tais comportamentos.

Passe-se, porém, a crueza dos números e os relatos arrepiantes do contexto, reiteração e modo em que os abusos ocorreram e, numa análise crítica ao relatório, há aspectos que cumpre salientar. O primeiro, o contexto temporal em que estes ocorreram — nos últimos 72 anos, no início da Década de 50, da Segunda Metade do Séc. XX— sem que se conheça ainda, em pormenor, se o grosso dessas condutas se centrou em períodos mais distantes ou em momentos mais actuais. Isto é importante, quer porque a realidade económica, social e cultural evoluiu, não sendo nem Portugal, nem o Mundo, igual ao de décadas passadas. Tem também sobeja relevância porquanto há que aferir se a tendência é crescente, ou se, pelo contrário, tem vindo a diminuir e com que significância.

Uma outra questão é saber quais os tipos de abuso em concreto, na medida em que, apesar de todos serem inaceitáveis, há diferenças de grau, de gravidade e de consequências.

Convém, igualmente, que se esclareça, de quantos são os abusadores a que se refere o Relatório, para se perceber se a reiteração de condutas é de carácter mais pessoal ou se assume proporções mais endémicas.Importa também definir qual o grau de certeza na extrapolação que se faz de 512 testemunhos validados, para um número potencial de vítimas quase 10 vezes maior. Sem duvidar do critério e, menos ainda, da Seriedade e Competência dos Membros da Comissão, é importante que se perceba a validade dos testemunhos indirectos e a tendência natural a que a memória nos pregue algumas partidas quando recordamos factos marcantes à distância de décadas.

E, por último, perceber o alcance da asserção “Igreja”, já que esta não se reduz a Padres, Cónegos, Bispos e Cardeais, existindo um vasto conjunto de Leigos que têm funções de responsabilidade e contacto directo com os menores, como sejam sacristãos, catequistas, ministros da comunhão, acólitos e um conjunto de dirigentes de movimentos e missões cristãs.

O movimento católico é, seguramente, o movimento juvenil que, de uma forma concertada, mais jovens acolhe no seu seio. Entre aqueles que pretendem seguir o Sacerdócio ou a via Religiosa, os que pertencem aos coros, aos acólitos, aos escuteiros, aos jovens vicentinos, aos que frequentam a catequese, aos alunos dos colégios e a todos os que, mais ou menso próximos e com maior ou menor frequência participam em eventos relacionados com a Igreja, são, anualmente, dezenas de milhar. Pressupondo um maior grau de informação dos jovens e seus pais, existem hoje mecanismos muito mais alerta e eficientes na avaliação de fenómenos comportamentais de risco, nomeadamente por parte da escola e outros mecanismos de apoio familiar.

A verdade é que estamos perante um Escândalo de proporções a nível Mundial e há vários anos que a Comunicação Social vem alertando para o facto. E resta saber se não haverá mais casos de Abuxos Sexuais a Crianças praticados por outras Religiões.

Nos Países que fazem parte dos PALOP´s é sabido que existem casos desta natureza, designadamente, em Moçambique e em Angola, que importará desvendar e trazer ao conhecimento Público.

Ao que sabemos, no entanto, nenhuma Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais na Igreja Católica foi criada nem temos, sequer, conhecimento de qualquer Comissão que tivesse sido formada para o efeito, relativamente a países africanos, designadamente, Moçambique e Angola.Não sabemos, por isso mesmo, a realidade (eventual) do número de casos de Crianças Menores envolvidas.É oportuno questionar, aqui e agora, se esta podridão vergonhosa não atinge, também, outras Religiões bem conhecidas de todos, designadamente, a Evangélica, a Adventista, a Baptista, a Protestante, a Ismalita, as Testemunhas de Jová ou aIURD (bem “enraizada” em Moçambique e em Angola) — isto só para citar alguns exemplos —, além de algumas “seitas” que por aí proliferam, sem qualquer controlo…

Em Moçambique — bem entre nós — já nos constou existirem diversos casos de Abusos Sexuais de Crianças entre os 8 e os 15 anos, por parte de alguns Padres e Pastores, afectos à Igreja e outras Organizações Religiosas, embora nunca tivessem vindo a público provas concretas e suas origens, em termos de Congregação específica.

Sim, pois não é apenas (e tão-somente!) à Igreja Católica — onde acaba de ser provado haver «culpas no cartório». Há que responsabilizar todos os culpados e envolvidos nestas “práticas diabólicas”, com penas severas e que as Vítimas venham a serdevidamente indeminizadas. Há que efectuar um levantamento exaustivo de todas as Religiões existentes no nosso País, de Norte a Sul, para que seja avirguada a Realidade do Drama que constitue umaaberração e vergonha para a Humanidade, por um lado, e sobretudo para a Religião, por outro, independentemente daquela que seja.

Segundo apuramos, junto do Ministério da Justiça, em Maputo, existem 739 denominações religiosas e 162 organizações religiosas registadas em Moçambique. Número asustador, convenhamos!

Relativamente à Igreja Católica, o Papa Francisco, através do Vaticano, em Roma, já veio a Público condenar o Escândalo e pedir Desculpas a todas as Crianças — Meninos ou Meninas, hoje Mulheres e Homens —, por tamanha heresia praticada (e continuada) ao longo das últimas sete Décadas… fora as centenas de (outros) casos que irão permanecer no anonimato, por questões de vergonha…

Como nota final somos de opinião sincera e aberta, que a Igreja Católica há muito que devia ter ACABADO COM O CELIBATO de uma vez por todas e permitir aos Padres que pudessem contrair Matrimónio e Constituir Família. Estamos certos de que a Igreja Católica não teria chegado a este extremo ignóbil,a todos os títulos condenável.

Resta-nos aguardar pelos resultados conclusivos (e finais), a bem da Verdade e da Justiça. Isto, a nível de todos os Países, a Nível  Mundial, numa palavra, onde as Religiões são praticadas por milhões e milhões de Crentes e meros Seguidores.

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