- Continua aparente desalinhamento entre Ministro e IGEPE
- Fausto Maurício diz que falta de salários na Tmcel é problema do passado
Está cada vez mais indisfarçável o clima de insubordinação ao ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, sobretudo quando o assunto envolve empresas públicas sob égide do Instituto de Gestão de Participações do Estado (IGEPE). Depois de se ter feito ecoar nas paredes da LAM que “nada mudou, continuem a se reportar a mim”, desta vez o ministro está a ser desmentido em público por trabalhadores da quase defunta Tmcel, que não gostaram dos seus pronunciamentos na Assembleia da República. Diante dos deputados, Magala descreveu a Tmcel como se fosse um doente em fase terminal, cuja única esperança passaria por encontrar um parceiro estratégico e pela venda de 80% das acções, pois caso o Governo assumisse a dívida de mais de 400 milhões de dólares reduziria a força de trabalho em 60%”, o que não agradou nem aos gestores da Tmcel, muito menos ao IGEPE. O Comité Executivo chega a referir que a situação dos salários está regularizada e os trabalhadores vêem um futuro melhor da empresa, apesar dos referidos ordenados nem sequer serem assegurados com receitas próprias.
Reginaldo Tchambule e Renato Cau
Ninguém mais respeita Magala. O ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, na sessão de perguntas ao Governo, na semana finda, cometeu o pecado capital de ter catalogado de forma nua e crua o actual estágio da Tmcel. “Está à beira do colapso e precisa de medidas urgentes para salvar a empresa, porque perdeu a capacidade de honrar os seus compromissos, incluindo o não pagamento de salários”.
Diante dos deputados avançou que Tmcel estaria à beira do colapso, da insolvência, e que a salvação da empresa seria uma intervenção séria do Governo e com a possibilidade de venda de 80 porcento das suas acções, numa altura em que as dívidas ascendem a mais de 400 milhões de dólares.
Desagradados, os trabalhadores da Tmcel, através do comité de empresa, descartaram a ideia de um colapso iminente, assegurando que a situação é melhor do que a descrita pelo ministro dos Transportes e Comunicações.
“A situação é boa, porque estamos a sentir um ritmo de mudança. Estamos a sentir a melhoria das operações da empresa relativamente à implantação de novos sistemas e novas redes, mas também na questão do pagamento de salários. A questão do atraso do pagamento de salários já está regularizada, e isto está a devolver alguma dignidade e esperança aos trabalhadores relativamente ao futuro da empresa”, disse referindo-se a uma estabilização que, curiosamente, só foi possível depois da intervenção do Governo.
Fausto Maurício disse que o clima de trabalho na empresa é bom porque se está a trabalhar directamente com a gestão interna e o IGEPE e a “comunicação é directa, estamos a par de todos os processos de todos os processos que estão a decorrer dentro da empresa”.
Fausto Maurício avançou que está a decorrer em coordenação com o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) um investimento que consistirá na modernização dos sistemas de facturação para garantir que a empresa se reerga e volte a ocupar a sua posição de destaque no mercado.
Trabalhadores apanhados de surpresa com provável redução da massa laboral
Questionado sobre como olha para a possibilidade de se reduzir a força de trabalho da empresa, o secretário avançou que todos funcionários da empresa foram colhidos de surpresa, por nunca terem sido abordados sobre o assunto e isto criou muita agitação entre os funcionários da empresa.
“Um grande número de colegas e mesmo o comité de empresa foram colhidos de surpresa relativamente a estes pronunciamentos sobre a redução da mão-de-obra”, disse para depois acrescentar “não estamos contra isso”, mas exigiu mais informação sobre critérios que vão definir os 60% dos funcionários bem como a indicação os funcionários que farão parte deste percentual.
No que diz respeito a venda de 80% das acções da empresa referiu não terem sido formalmente informados pelo sector que lida com gestão da em empresa, mas já foi feita a devida solicitação de pedido de esclarecimento ao IGEPE para que possa dar explicações sobre a venda destas acções.
Refira-se que num passado recente, o ministro dos Transportes e Comunicações viu-se contrariado um dia depois de ter anunciado a decisão da reestruturação da LAM e Tmcel, quando a PCA do IGEPE foi tranquilizar os funcionários que nada mudou e que todos continuavam a se reportar a ela, contra a indicação que o ministro deu de que ele estaria no topo da pirámide.

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