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Renamo confessa não ter armas como “retaguarda segura”

O presidente da Renamo, Ossufo Momade, confessou, semana passada, que o seu partido já fez a entrega de todas as armas e não possui qualquer instrumento de guerra, mas avisa que em caso de se registar uma fraude eleitoral nas eleições autárquicas de 11 de Outubro “o país poderá parar”. Enquanto isso, em Cabo Delgado, o Evidências está a seguir denúncias de deslocados que vivem em situação de penúria, que estão a ser aliciados a votar na Frelimo em troca de ajuda humanitária.

Adolfo Manuel – Pemba

O encerramento do processo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração (DDR) dos antigos guerrilheiros da Renamo abriu uma nova página na história para o país e as eleições autárquicas que terão lugar em Outubro próximo, serão as primeiras a serem realizadas sem nenhum partido armado, pelo menos no papel.

No entanto, apesar de ter armas entregues, segundo garantias dadas por Ossufo Momade, em caso de fraude nas próximas eleições, o partido por si liderado tem condições para paralisar o país em todas as vertentes.

Ossufo Momade fez estes pronunciamentos semana finda, durante o balanço da sua visita a Niassa, província que escalou depois de um périplo pelas autarquias de Cabo Delgado, onde para além de apresentar os cabeças-de-lista da perdiz naquela parte do país, fez questão de alertar aos militantes do seu partido sobre as manipulações que têm marcado os processos eleitorais em Moçambique.

O líder do maior partido da oposição no país avisou que em caso da Frelimo se envolver em ilícitos eleitorais e continuar a seviciar os seus membros, a Renamo estará preparada para dar resposta, mas contra a sua vontade, visto que já foi assinado um Acordo de Paz Efectiva.

“Eu já desmilitarizei todos os homens que estavam nas 16 bases e entreguei todas as armas, mas com isso não significa que a Frelimo deve nos subir em cima da cabeça”, disse Momade, observando depois que não há necessidade de esconder armas depois de um acordo de paz.

Segundo o líder da perdiz, o partido no poder, que continua com a estratégia de recolher os cartões de eleitor para fins obscuros, não está na lista da democracia, tendo alertado que em 1994 o saudoso Afonso Dhlakama entregou todas as armas, mas quando notou um cenário de pressão e humilhação recorreu a recursos violentos.

Aliás, Ossufo Momade, que voltou a ser boicotado por ordens superiores para não realizar as suas actividades na província de Nampula, concluiu que já há indícios de que as eleições autárquicas não serão transparentes.

 “A Frelimo não está preparada para cumprir com o acordo de paz na medida que orienta para que a minha visita seja boicotada, mas nem com isso vão me empurrar na guerra por causa da confiança que o povo tem para comigo”, declarou.

Ainda na sua intervenção, o líder da Renamo denunciou que agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) cercaram a residência do delegado político depois da sua visita à vila de Mandimba, província de Niassa, tendo ainda revelado que quando visitou a Cidade de Cuamba um membro das Forças de Defesa e Segurança se fez armado ao local onde ocorreu o comício.

“Ele estava de calções, mas com pistola escondida, talvez tinha intenções de me eliminar”, referiu Momade, para posteriormente garantir que não tem medo de ser executado devido ao seu juramento.

Deslocados aliciados a votar na Frelimo em troca de ajuda humanitária

Segundo apurou o Evidências sobre o processo de recolha de cartões, o trabalho está a ser feito por agentes cívicos do Secretário Técnico de Administração Eleitoral, sendo que em Nampula o maior partido da oposição encontrou dois chefes de quarteirão na posse de 30 cartões de eleitor.

Na Cidade de Pemba, capital da província de Cabo Delgado, os homens mandatados pelo partido no poder para recolher os cartões de eleitor aliciam os deslocados com promessas de ajuda humanitária.

Refira-se que dentre estas e outras irregularidades, Ossufo Momade assegurou que a Renamo fará de tudo para manter as autarquias que estão na sua posse e vencer em outras nas próximas eleições, principalmente na capital do país.

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