Xavier Uamba
Imagino que Craveirinha deve estar fartando-se de comer “As Saborosas Tangerinas de Inhambane”. Não. Esse tipo não é disso. Talvez o Eduardo White deve estar revirando-se na sua sepultura com “Até Amanhã, Coração” e, com certeza, corcomendo-se goela abaixo. Afinal. Há uma questão que perturba o tipo mesmo abaixo dos dois metros sobre terra. E não é para menos. Parece-nos, e isso é um facto, inevitável, até para os mortos, pensar no término do mandato do Presidente Filipe Nyusi, mas, sobretudo, é improvável não pensar em quem conduzirá os destinos do país na próxima legislatura.
E aí salta à vista “Maria”, a mulher dos Deuses, quão Craveirinha a saboreou em vida. Espero que não se pense nisto como uma heresia, até porque a Inquisição foi restabelecida, mas apenas para os curandeiros…perseguidos à torta e à direita. Isso não. Deixe essa cena para a mana Paulina. A Chiziane ama isso. Veja-se o “Sétimo Juramento”.
Alto aí! Não sei. O que não sabes? O que não devia saber! E o que deves saber? Que o partido Frelimo tem maior responsabilidade neste terreno movediço e lamacento. E o que nos parece, fazendo uma avaliação rápida dos possíveis candidatos às presidenciais entre os dois maiores partidos da oposição, MDM e Renamo, não se vislumbra nada de expressão. Ou seja, a alternativa tornou-se não alternativa de si mesmo. São todos, na verdade, fracos, não me parece estarem à altura de dirigir este país, não têm expressão!
Vamos por parte. Comecemos pelo homem da terra da saudosa Reinata Sadimba e as suas frenéticas tatuadas mãos. Ossufo Momade. Presidente da Renamo. Está gatinhando mesmo para dirigir o seu próprio partido. Aos relampejos e relâmpagos à mistura vai gerindo a nau com enormes dificuldades e, até prova em contrário, não seria a ele que os moçambicanos iriam depositar confiança, mesmo em casos extremos. Veja-se o discurso belicista que o homem retoma por estes dias. É! “Mudam-se os tempos/mudam-se as vontades…” e o passado não pode prevalecer no presente…o resto são zonas comuns.
Lutero Simango tem na cidade da Beira a sua zona de conforto. O seu burgo. Mas este país nos parece vasto para se circunscrever só àquela cidade. Ao assumir a carruagem, precisa apresentar soluções de forma enérgica e acutilante à semelhança de “Não Chora, Carmen”, que o diga o homem de “Macurungo”, Adelino Timóteo.
E a Frelimo? Bom! Vamos por partes. A premissa basilar deve ser abandonar, primeiro, o discurso triunfalista de 1975, libertamos o homem e a terra. E aqui, nos parece relevante captar o voto da juventude, há bastante desgastada com o partido-regime.
É insensato falar de ter libertado o país do colono 48 anos depois, com os graves problemas instituídos da corrupção, nepotismo, custo insuportável de vida, entre outros. Isso já não está na moda. É preciso que a Frelimo pense em como devolver a dignidade aos moçambicanos e para isso precisa eleger entre os seus quadros, que sobejam, um homem com grande sentido de responsabilidade, íntegro e transparente, à imagem das águas cristalinas e imaculados.
Mais do que escolher um candidato pelo seu grupo étnico, tribo, região, a Frelimo precisa buscar uma figura que reúna consensos entre a sociedade e que ataque os reais problemas do país: o clientelismo da própria Frelimo, a corrupção que nos grassa, o custo de vida, despesa pública insustentável. De resto, a Frelimo tem a responsabilidade e peso do país sobre si e a Nação espera.

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