Felisberto S. Botão
Entender a cultura da religião – Olha o que fizeram com o nosso povo
Olha o que fizeram com o nosso povo, depois de 6 séculos ainda somos um povo assustado, com o espanto da pólvora que explodiu com a nossa realidade. O pânico deixou o nosso povo sem norte, e incrédulo pela abnegação do homem de pele pálida na sua brutalidade e persistência em conquistar a nossa terra e as nossas almas. Pois é, os nossos ancestrais lutaram muito, e mataram muitos brancos, mas estes estavam numa luta de vida ou morte, desistir não era uma opção. E ainda estão nesta luta até os dias de hoje, pois a sua situação é muito delicada…
A europa é um continente pobre, pelo menos não tem capacidade de sustentar o padrão de vida que leva hoje, mas soube encontrar formas de sobreviver. Pena que esta forma baseia-se no roubo de propriedade alheia, e para manter o status quo, desenvolveu um sistema forte de bullying, que contempla o sistema financeiro, o sistema multipartidário, a força militar (NATO), as organizações multilaterais ONU, OMS, OMC, entre outras, e a religião como a cereja no bolo, e normalizou isso como a ordem global do dia.
Fizeram o nosso povo acreditar no mundo globalizado, mas quando reclamamos oportunidades iguais, aí percebemos que o mundo não é global para todos. E pobres de nossos filhos, continuam a lutar por essa igualdade.
Entretanto, o nosso povo está desligado da realidade espiritual, daí este vazio tão grande que se apossa de nós, e a desorientação total que assistimos. Acompanhei na semana finda o incidente envolvendo o filho do presidente da república de Moçambique, que atropelou uma criança, ou crianças, e não prestou socorro. E no final do dia, o pai, presidente da república, foi ao hospital fazer umas fotos, e agradecer o apoio a sua família, e nem uma palavra sobre o comportamento do filho, parecendo não ter visto gravidade.
Eu chorei e senti pena do presidente, imaginando o tipo de conversa que teria com o seu filho, quando estiverem a sós. A destruição espiritual de um homem, deve ser o maior dos crimes contra a humanidade, pois o deixa desumanizado, sem sensibilidade, e como sociedade nós precisamos levantar-nos e dizer chega a este sistema colonial que não quer largar a nossa gente, e tem nos nossos líderes os alvos maiores.
A realidade espiritual é que governa tudo o que está a nossa volta. Não estou a falar de ir à igreja, fazer vigílias e jejuar, e no final ter como prémio um casamento de vestido branco. Isso é o que querem que o povo acredite e se entretenha.
Há uma comunicação forte e permanente entre espíritos e pessoas físicas na nossa sociedade, e aqueles que entendem desta realidade espiritual estão a manipular a realidade física todos os dias, e aqueles que ignoram esta realidade estão a ter os seus destinos e sua sorte roubados, e pior, estão a sofrer abusos sem terem consciência disso. A perturbação cognitiva expõe homens inteligentes ao ridículo, a perturbação da aura expõe homens carismáticos ao isolamento e empreendedores natos ao fracasso, mulheres bonitas e formosas tornam-se invisíveis e são abusadas sexualmente a noite, e homens viris são feminizados, entre vários aspectos que não podemos esgotar aqui.
As nossas casas tornaram-se habitação para espíritos indesejados.
A religião não responde as necessidades espirituais da nossa existência, ela é apenas uma interpretação cultural da relação com Deus. Aqueles que fazem-nos acreditar que a religião e a nossa espiritualidade tem a mesma essência, muitos deles sabem que isso é apenas uma ferramenta para desviar e controlar o povo. A religião é a maior armadilha em que o nosso povo caiu, e para desembaraçar-se deve haver uma revolução cultural em África, de outro jeito, a revolução política não será bem sucedida, e muito menos a económica.
A religião africana foi capturada e está a ser usada contra o nosso povo. Se tiver interesse em perceber um pouco da vida africana antes do colono, em várias áreas, recomendo alguns estudiosos negros dos estados unidos, John Henrik CLARKE, e de África, o historiador e antropólogo senegalês, Cheikh Anta Diop, ambos já falecidos, que não devemos deixar morrer com eles o trabalho abnegado que tiveram para trazer a verdade do povo africano à tona, usando bases da ciência ocidental. Estes deixaram bases que poderão ser usadas para perceber aonde a nossa existência foi manipulada pelo homem branco, e quais eram os objectivos.
Mas lembre-se, religião é uma criação humana, que se tornou cultura dos povos. Portanto, tanto o cristianismo como o islamismo, são culturas de povos europeu e árabe, que querem impor aos outros como algo global, principalmente aos africanos, por pretensões coloniais e de exploração. Hoje as pessoas já não vão a igreja na europa, na origem do cristianismo actual, porque a missão já passou. Até estão a colocar igrejas a venda, e outras estão convertidas em bares, restaurantes e outro tipo de actividade económica. Entretanto, continuam a financiar as igrejas em África, para os mesmos fins que da era colonial.
Entretanto, o meu conselho tem sido sempre pela volta a espiritualidade, que é o mecanismo estabelecida por Deus (criador) para nos comunicarmos com ele, e que funciona, pois baseia-se na natureza. Ela começa no perceber como nos comunicamos com os ancestrais. E estas respostas encontramos na tradição africana, que devo chamar atenção, há muita coisa corrompida nos dias de hoje, por conta da interferência colonial árabe e europeia.
Como africanos, é nossa obrigação limparmos a nossa espiritualidade dos males trazidos pelos árabes e europeus. O desafio de todos nós, é o resgate da tradição africana genuína, e estarmos preparados para algumas vezes cair nas armadilhas dos feiticeiros ou dos religiosos, sem desistir da luta maior…
A fé é muito mal interpretada, por conta das segundas intenções da religião. A fé, se quisermos ir por aí, deve ser entendida como o seu estado de espírito: “é possível para mim, e eu mereço“. Este estado de espirito deve acompanhar as suas acções. A nossa religião foi capturada, até desencorajam o trabalho, em troca da oração, mas Jesus trabalhava, e disse, “no suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra”.
A oração é um pedido de ajuda para a clarividência da sua mente, e protecção nos seus caminhos, enquanto você age e trabalha. Aí entram os espíritos diversos, incluindo o Divino, para cada um responder a sua parte da chamada. Ninguém vai fazer nada por ti se você não agir e não trabalhar.
A tradição africana começa nos rituais de passagem, e nos rituais de chamamento. O primeiro é a seguir a morte, para a segurar que o espírito do morto “ascenda” sem energias negativas (que podem ser de vária natureza). O segundo, é depois de algum tempo, varia de região a região, que pode ser 3 meses, 6 meses, ou até 12 meses depois da morte, que serve para trazer o espírito do morto ao convívio familiar, onde ele passará a estar ao serviço dos vivos, para guiar e proteger, nos aspectos familiar, saúde, prosperidade, etc.
O problema é que paramos de respeitar os rituais, é daí que aparecem casos de reclamação de maldades vindas de nossos mortos, usado como motivo para enchermos as igrejas. Isso acontece quando deixamos os nossos mortos ascenderem com energias negativas, pois quando você não cuida da passagem e do chamamento dos seus entes queridos, há fortes possibilidades de pessoas do mal o fazerem em seu lugar, para usarem o espirito como escravo pare diversas tarefas, boas e más, incluindo matar pessoas. E o pior de tudo, é que, como tem a mesma energia que a sua, a pessoa maldosa, que entende da manipulação de espíritos, tem acesso livre a sua vida e aos seus ambientes, podendo perturbar muito a sua vida.
Para pessoas que não alcançam clarividência em vida, morrem sem contribuição para a comunidade, mesmo que tenham neles, espíritos fortes. Isso está a acontecer com muita gente na geração dos nossos pais e a nossa. Mas uma vez morto, se se cumprirem os rituais, mesmo que a posterior, o espírito ganha abertura e clarividência necessária para contribuir. O alcance do espírito é muitas vezes maior que do ser físico. Tem a mobilidade da sua imaginação, com relação ao tempo e espaço. Daí não se comparar o alcance do espírito, com a pessoa física que foi.
Importante que note, há seres espirituais por aí governando a nossa realidade, e nós estamos muito entretidos com o exercício intelectual, como sociólogos, psicólogos, doutores, engenheiros, e a vida a passar-nos ao lado. Estes espíritos estão sob o comando de gente física, e desta gente, há muita que não são da nossa raça, mas estão aqui entre nós, até disputando protagonismo entre eles, todos vindos lá de longe.
O que fazer se o nosso povo nem se quer sabe que esta realidade existe?
Do grande Império do Mali, a terra do Mansa Musa, o rei do ouro e do conhecimento, surge a esperança de África, hoje personificado na pessoa de Assumi Goita, rapidamente coadjuvado pelo Ibrahim Traoré e logo de seguida pelo Tiani. Eles já lançaram a fundação, e já mostraram o caminho que deve ser seguido para a liberdade, restando a África apenas se juntar a eles e copiar os processos, e talvez melhorá-los.
Os brancos estão em pânico, não era um comportamento esperado por parte de agentes africanos a esta altura. Por conta disso estão a acelerar os seus processos de subjugação. Olha o que estão a fazer na África do Sul, já tomaram o governo, e a resistência está a enfraquecer, o Malema está a escolher viver, e o Zuma está a ficar sem idade. O preto quer vida, quer paz, mas o branco está aí, firme, disposto a tudo, é uma questão de vida ou morte. O povo está confuso. Olha o Quénia, a confusão está instalada, e o presidente Ruto está atordoado, com alguns momentos de lucidez, o que o coloca em risco de vida. Olhem para a Nigéria, o Gana, a Costa do Marfim, o Benin, e de certo modo o pobre Senegal, país de líderes tão jovens, são países do bloco ECOWAS, completamente tomados, os seus presidentes completamente sacados da sua essência humana, estão desumanizados pelo processo espiritual, completamente instrumentalizados, e são hoje a linha da frente para o ataque ao Império do Mali, a única esperança de África neste tempo. Em nome da democracia e da união que não existem, este bloco ECOWAS vai submeter os seus povos numa guerra sangrenta, e abrirão espaço para o colono retomar a terra. E no final, eles serão decapitados como animais sem serventia. Lembre-se, para o branco só existe preto útil, e preto inútil, isso não vai mudar nesta geração.
Como podemos mostrar isso ao nosso povo?
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