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- Prometem ainda anunciar novas medidas dentro de uma semana
No dia 23 de Junho do ano em curso, os ex-guerrilheiros da RENAMO anunciaram a reabertura de todas as sedes do partido RENAMO, encerradas em protesto contra a liderança do actual presidente, Ossufo Momade. O anúncio foi feito dias depois de terem sido “corridos” pela Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da sede nacional em Maputo. Mas engane-se quem pensa que o grupo está, de alguma forma, resignado. Para pressionar a liderança do partido a marcar a data da realização do Conselho Nacional, o grupo havia dado um prazo de 20 dias para que tal se efectivasse. Passado o prazo, esta segunda-feira, 14 de Julho, o mesmo grupo convocou uma conferência de imprensa para anunciar mais uma vez o encerramento de todas sedes do partido à escala nacional e assegurou que dentro de uma semana vai anunciar outras medidas, se não houver pronunciamento do líder da perdiz. Ademais, apelaram a Polícia da República de Moçambique (PRM) para não se intrometer, ameaçando responder com uma reacção “de que ninguém vai gostar”.
Elisio Nuvunga
Volvidos vinte dias do ultimato dado ao presidente da RENAMO, Ossufo Momade para convocar e realizar o Conselho Nacional alargado (bem como a sua demissão), os desmobilizados voltaram à carga, anunciando a retoma do encerramento das sedes a nível nacional.
Para justificar este esticar de corda, o grupo, através do seu porta-voz João Machava diz que decidiu retomar os protestos porque o líder do partido nunca mais se pronunciou a respeito do assunto.
“Anunciamos que, a partir de hoje, retomamos o encerramento das delegações do Partido RENAMO em todos os níveis, até que sejam cumpridas as nossas exigências estatutárias. Exigimos, com efeito, a realização do Conselho Nacional, com carácter urgente e alargado, incluindo os combatentes e quadros que desempenham cargos de relevo, em conformidade com os estatutos do Partido”, disse João Machava, porta-voz dos ex-guerrilheiros.
Com as memórias da intervenção agressiva da UIR ainda viva nas suas memórias, os ex-guerrilheiros apelaram ao Governo para não se intrometer nos assuntos internos do partido Renamo.
“(…) pois esta atitude nos irá obrigar e ou empurrar a tomar atitudes menos desejadas. É importante que o Governo entenda também que nós somos pessoas e, como tal, também sentimos dor e esta dor nos levará a uma reacção que podem ter certeza de que ninguém vai gostar. Aliás, a polícia republicana tem muitos assuntos para ocupar-se deles como, por exemplo, o esclarecimento dos raptos, entre outros males que enfermam a nossa sociedade”, ameaçou Machava, em nome dos ex-guerrilheiros.
Ossufo Momade e Domingos Gundana acusados de ameaças
Os desmobilizados contam ainda que desde a data do anúncio da abertura das sedes, o líder da perdiz nunca mais se pronunciou a respeito: “daqui para frente vamos encerrar as delegações (de novo) e dentro de sete dias vamos anunciar novas medidas ou passos”.
Machava conta ainda que no lugar de convocar e realizar o Conselho Nacional, o presidente do partido tem empreendido esforço para ameaças e intimidações. “a única coisa que tem acontecido são ameaças. São ameaças de Ossufo Momade, Domigos Gundana”.
Este último foi quem elogiou e enalteceu a capacidade de liderança do Presidente da RENAMO na gestão de tensões internas que ameaçam a coesão do partido, aquando da realização da IV Reunião da Associação dos Combatentes da Luta Democrática (ACOLD).
A organização política aproveitou ainda para deixar um aviso ao Governo, pedindo que se abstenha de se intrometer nos assuntos internos do partido
“Neste contexto, alertamos mais uma vez o Governo que se abstenha de interferir nos assuntos internos da RENAMO. Qualquer tentativa de manipulação, imposição ou pressão para influenciar as nossas decisões será interpretada como uma provocação. Caso continue, não hesitaremos em reagir — e asseguramos que essa reacção será de uma forma que ninguém desejará testemunhar”, avisou Machava.
Por fim, a RENAMO apelou à polícia que se concentre em resolver os problemas que afectam a sociedade: “Lembramos à polícia da república que existem questões de extrema gravidade que merecem a sua atenção prioritária, como o esclarecimento dos raptos e outros males que afligem a nossa sociedade moçambicana”.
Refira-se que no âmbito do encerramento das sedes provinciais antes da reabertura por vinte dias, a sede nacional e o gabinete de presidente da perdiz foram também encerrados e ocupados por este grupo que protesta a liderança de Ossufo Momade. Os ex-guerrilheiros da RENAMO só abandonaram os locais após a intervenção da Polícia da República de Moçambique (PRM) e a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) que recorreram a tiros verdadeiros e gás lacrimogéneo.



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