Tractores da bolada avariam em pouco tempo e mostram-se inadequados para terrenos mais exigentes

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  • Algumas unidades não resistiram nem sequer um mês

Os tractores agrícolas transformados em autocarros de passageiros, comprados a preços de ouro e anunciados com pompa e circunstância como a solução milagrosa para a falta de transporte em zonas rurais já começaram a tossir. Pelo menos dois,  registaram avaria, semana passada, em Niassa, lembrando que o improviso não se disfarça de política séria.

Evidências

Os tractores adquiridos pelo Estado para o transporte misto de passageiros e carga em diferentes distritos do País já começam a desmentir a retórica de durabilidade, qualidade e disponibilidade de manutenção, sob pretexto de que a Mahindra tinha representação em todo o País.

A iniciativa, que desde o início foi alvo de críticas pelas condições precárias oferecidas aos utentes ao serem transportados em caroças geralmente usadas para carrecgar animais, volta a estar no centro do debate público.

Adquiridos como solução alternativa para reduzir o défice de transporte público em zonas rurais, os tractores foram adaptados com reboques destinados a transportar dezenas de pessoas em viagens de longa distância. No entanto, os veículos rapidamente se revelaram pouco adequados para o fim a que se destinavam, acumulando problemas mecânicos e colocando em risco a vida dos passageiros.

Em menos de um mês após terem sido despachadas as primeiras 10 unidades para alguns distritos, pelo menos dois foram reportados como tendo avariado. Um dos tractores avariados é do distrito de Sanga, cujas imagens tornaram-se virais nas redes sociais, expondo por completo a aparente falta de qualidade dos meios circulantes.

“Estes tractores não foram feitos para transportar pessoas. As falhas mecânicas são frequentes e já aconteceram vários acidentes”, denunciou um residente em Mandimba, que acusa o Governo de ter investido em soluções improvisadas em vez de apostar em transporte rodoviário seguro e sustentável.

Enquanto não se apresenta uma alternativa, a população rural de Niassa continua a viver entre o dilema da insegurança nos tractores avariados e a falta de transporte digno, revelando mais uma vez as fragilidades da política pública de mobilidade em Moçambique.

O governo de Moçambique investiu aproximadamente 6,5 milhões de meticais por unidade na compra de 100 tractores com atrelados adaptados para transporte de passageiros em zonas rurais — totalizando cerca de 650 milhões de meticais. O plano é de adquirir ao todo 390 meios.

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