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No decurso do seu discurso no painel de alto nível dos Chefes de Estado, logo após a abertura da 4.ª edição da Feira de Comércio Intra-Africano (IATF), que decorre na Argélia, o Presidente da República, Daniel Chapo arrancou aplausos da plateia, quando apelou aos países africanos para esquecerem as divisões político administrativas para juntos estabelecerem uma única plataforma de integração económica. Mas deixou um aviso: não haverá como realizar o sonho sem paz e segurança, pelo que mobilizou os países africanos para juntarem forças para lutarem contra o terrorismo que é um inimigo comum.
Reginaldo Tchambule, na Argélia
“As nossas fronteiras não são fronteiras reais, elas são fronteiras artificiais. Ao nível das nossas fronteiras, a nossa cultura é a mesma, os nossos apelidos são os mesmos, as nossas línguas são as mesmas, o que demonstra de forma clara e inequívoca que, como africanos, precisamos esquecer um pouco esta divisão política-administrativa e vermos o desenvolvimento econômico de forma integrada entre irmãos africanos”, sublinhou Chapo, enfatizando que problemas africanos tem que ter soluções africanas.
Abordando a situação de terrorismo em Cabo Delgado, Chapo reforçou que não pode haver desenvolvimento sem paz e segurança, defendendo maior solidariedade africana para enfrentar ameaças comuns. Recordou ainda o apoio histórico da Argélia durante a luta de libertação moçambicana, quando os primeiros 250 combatentes da FRELIMO receberam treino militar naquele país.
“A título de exemplo, nós neste momento em Cabo Delgado estamos a enfrentar o terrorismo na zona onde nós temos o gás natural, que precisa de ser explorado para fazermos estes projetos todos que falamos aqui. Gostaria de reiterar o que foi dito aqui pelo meu irmão presidente da Tunísia: a necessidade de nos unirmos como irmãos porque não há desenvolvimento sem paz e segurança. A paz e a segurança são aspectos fundamentais para o desenvolvimento dos nossos países e também dos nossos continentes. Daí que temos que continuar a ser solidários, como fomos durante a luta de libertação nacional, nós para ficarmos livres e alcançarmos a nossa independência como Moçambique, os primeiros 250 combatentes da luta de libertação nacional foram formados e treinados aqui na Argélia”, lembrou arrancando aplausos da plateia.
Em jeito de resposta o presidente da Argélia, Abdelmadjid Tebboune disse que tal como a Argélia apoiou Moçambique na luta contra o colonialismo, está disponível para juntos trabalharem como “irmãos das armas” para ultrapassarem os desafios actuais.
A Argélia tem uma larga experiência no combate ao terrorismo e já se prontificou a apoiar as Forças de Defesa e Segurança, através de um pacote que vai estar em discussão na cimeira bilateral no dia 06 de Setembro e culminará com a assinatura de um memorando de cooperação no domínio da defesa. Aliás, na sua comitiva, o Presidente da República se faz acompanhar pelo ministro da Defesa, Cristovão Chume e outros quadros do sector.
Encerrando a sua intervenção, Daniel Chapo apelou à união e resiliência dos povos africanos para construir um continente mais forte e competitivo.
“Se não formos nós a construir o futuro de África, ninguém o fará por nós. Unidos, vamos erguer um mercado robusto, desenvolvido e capaz de materializar o sonho africano”, concluiu.



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