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O veterano da FRELIMO e histórico combatente da Luta de Libertação Nacional, Óscar Monteiro, voltou a lançar duras críticas à actuação de alguns membros do partido, defendendo a necessidade de uma profunda reflexão interna e de mudanças estruturais para restaurar a credibilidade da organização.
Evidências
Falando durante a oitava sessão ordinária do Comité de Zona da Matola, Monteiro, conhecido pela sua postura frontal e espírito crítico, lamentou o que considera ser o “relaxamento e a degradação moral” de alguns camaradas que, segundo ele, têm usado o nome do partido para obter benefícios pessoais.
“A tarefa de um partido não é apenas reunir e fazer relatórios. Eu digo isso porque fui secretário de organização do Partido, e, na altura, dávamos muita ênfase à disciplina e ao trabalho. Agora há um relaxamento. A nossa imagem deteriorou-se porque os serviços do Estado deixaram de estar alinhados com o espírito de servir o povo”, afirmou.
Monteiro alertou que ser membro da FRELIMO não deve ser sinónimo de riqueza, sublinhando que muitos militantes parecem ver o partido como uma oportunidade para o enriquecimento e para a obtenção de favores.
“É preciso comportarmo-nos bem. Isso começa por cada um de nós fazer o seu próprio exame: estou no Partido para servir o povo ou para beneficiar-me da minha posição? Também existe entre nós essa tendência. É humana, mas há quem tenha passado dos limites”, lamentou.
O veterano apelou ainda à criação de brigadas de educação política e cívica, com o objectivo de resgatar a ética e o sentido de missão no serviço público.
“Há muito relaxamento, sim. Esta reunião ainda vai a tempo de criar brigadas para educar os funcionários do Estado. O Estado não é um emprego. O Estado concentra as vontades de todos para servir a maioria do povo, que é pobre e trabalhadora”, defendeu Monteiro, relembrando que, no passado, o partido chegou a ter Grupos de Estudo da Política Estatal para reforçar a formação ideológica.
Monteiro também manifestou preocupação com o desemprego e a insatisfação social, apelando aos dirigentes que criem mais oportunidades de trabalho e evitem situações de instabilidade semelhantes às registadas recentemente na Tanzânia.
“Temos de criar empregos de forma diferenciada. O que está a acontecer na Tanzânia serve de alerta. Eram boas pessoas como nós, e desejamos voltar a ser como éramos um partido voltado para o bem comum e para o desenvolvimento nacional”.
No seu discurso, o membro sénior da FRELIMO concluiu defendendo que a militância partidária deve retomar o espírito original de debate e de serviço ao País, centrando-se em acções concretas que promovam o desenvolvimento socioeconómico e o bem-estar dos moçambicanos.
“As células do partido devem voltar a ser espaços de reflexão e trabalho para o progresso nacional”, apelou.



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