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Na cerimónia de inauguração daquela que é a primeira unidade de processamento de hidrocarbonetos do País, esta quarta-feira, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, tomou a palavra para enquadrar o empreendimento como uma vitória da visão estratégica e da perseverança do governo moçambicano, mediante desafios conjunturais e outras adversidades.
É quadro decano do sector. Antes de ser ministro, teve passagem pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), como gestor de topo. Conhece como ninguém os dossiers desde as negociações, a escolha do modelo, até a materialiazação, por isso, no seu discurso destacou a inauguração como uma grande vitória para o País que testemunha a materialização do Constrato de Partilha de Produção (PSA), assinado em 2000, entre o Governo e a ENH como Contratantes e a Sasol Petroleum Moçambique, Lda, uma afiliada do grupo Sasol, como Contratada.
Na verdade, trata-se do segundo dos dois contratos assinados no mesmo ano. Até aqui, apenas Contrato de Produção de Petróleo (PPA) é que se encontrava em produção desde 2004 e a participação do Estado, através da ENH é de 25%.
“Esta infraestrutura que acabamos de inaugurar nasce de uma visão clara do Governo de Moçambique de transformar os seus recursos naturais em produtos que respondem às necessidades dos moçambicanos. É um sonho de mais de 10 anos que hoje se materializa”, afirmou Pale.
O ministro sublinhou que a construção da unidade ocorreu num “contexto exigente”, enumerando como desafios superados a “volatilidade dos preços internacionais de energia, pressão inflacionária dos combustíveis, limitação dos financiamentos globais, exigências crescentes da segurança energética e a crescente procura de GPL”, além dos “desafios logísticos no período pós-pandemia”.
Para Pale, o projeto concretizado vai ao encontro das orientações presidenciais para “aumentar a produção nacional, promover a industrialização e fortalecer a segurança energética”.
Concluiu, classificando a fábrica como mais do que uma planta industrial, mas sim “o vislumbre da resiliência, visão estratégica e capacidade de execução de projetos em contextos difíceis”.
Sasol diz que desembolsou mais de 4 bilhões de dólares em Moçambique em duas décadas,
Por sua vez, a gigante energética sul-africana Sasol reivindicou ter já investido mais de quatro mil milhões de dólares nos últimos 20 anos de presença em Moçambique, consolidando-se como um dos maiores investidores privados no País.
O ponto mais visível desta trajetória é a nova Fábrica de Processamento Integrado (FPI) em Inhambane, uma instalação de um bilhão de dólares inaugurada pelos presidentes de Moçambique, Daniel Chapo, e da África do Sul, Cyril Ramaphosa. O projeto, enquadrado num Acordo de Partilha de Produção, criou milhares de empregos durante a sua construção, muitos deles destinados a populações locais.
Contudo, para além da infraestrutura, a Sasol enfatiza o seu impacto alargado. Dube destacou que a empresa se tem mantido consistentemente entre os três maiores contribuintes fiscais do país nos últimos cinco anos. Paralelamente, descreveu um amplo leque de investimentos sociais que, segundo a empresa, visam catalisar o desenvolvimento sustentável.
“Nos últimos 20 anos, investimos mais de quatro bilhões de dólares no país e estamos orgulhosos do impacto positivo criado”, afirmou Dube. Esse impacto, defende, materializa-se não só em impostos, mas também em programas de capacitação e em investimentos comunitários diretos.
Só nas 37 comunidades dos distritos de Inhassoro e Govuro, vizinhas do novo projeto, a Sasol aplicou cerca de 20 milhões de dólares em acordos de desenvolvimento local desde 2020, com mais 35 milhões de dólares em outras iniciativas sociais. O compromisso foi recentemente reforçado com um segundo acordo, no valor de 43 milhões de dólares, que expandirá a atuação para 70 comunidades até 2030.
Num setor famintos por mão de obra qualificada, a petrolífera também investiu no treino de profissionais moçambicanos, desde operadores e técnicos até jovens engenheiros. “Isto é essencial para a capacidade do país expandir as suas operações de óleo e gás”, sublinhou a presidente da Sasol, apresentando a formação como um vetor de soberania energética.
O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, reconheceu que o projeto avançou num cenário global “particularmente exigente”, marcado pela volatilidade dos preços da energia e por desafios logísticos pós-pandemia. A nova fábrica, com foco na produção de gás de cozinha (GPL), visa ainda responder à crescente procura interna por este combustível.
Duas décadas e mais de 4 bilhões de dólares depois, a pegada da Sasol em Moçambique é inquestionável. O debate agora centra-se na profundidade e na perpetuidade do desenvolvimento que este investimento massivo deixará para além das infraestruturas e dos ciclos de produção de gás.



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