Dois Embraer 190 chegam à LAM quatro anos após venda ruinosa de frota idêntica

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A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) recebeu, na noite de sábado, duas aeronaves próprias do modelo Embraer 190, avaliadas em 12,5 milhões de dólares cada, no âmbito do seu plano de reestruturação. A aquisição, no entanto, reacende a memória de um dos capítulos mais controversos da história da companhia: há cerca de quatro anos, aviões do mesmo modelo foram desmantelados pela então direcção liderada por Pó Jorge, armazenados num hangar em Nairobi, Quénia e colocados à venda sob a justificação de estarem “desactualizados”.

Evidências

Na altura, as aeronaves da frota própria não encontraram comprador, acumularam dívidas de manutenção e parqueamento que chegavam a 20 mil dólares mensais por cada uma e acabaram sendo vendidas como sucata. Nenhum responsável foi penalizado pela decisão, que representou um prejuízo significativo para a companhia pública.

Agora, a nova administração investiu 25 milhões de dólares na compra de duas unidades do mesmo tipo de aeronave. Durante a cerimónia de recepção no Aeroporto Internacional de Maputo, o presidente do Conselho de Administração dos Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) e, simultaneamente, head do Conselho de Administração da LAM, Agostinho Langa, afirmou:

“Este é um pequeno passo para a LAM, mas um grande passo para o país. Estas são aeronaves próprias, não alugadas, com matrícula nacional ‘C9’”, disse Langa.

Adquiridas na Holanda com mais de 17 anos de uso, bem mais velhas que as que foram desmanteladas num negócio ruinoso, as aeronaves estão certificadas pela Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) e chegaram em condições operacionais, mas ainda não ostentam as cores da LAM. A pintura está prevista para o início de Janeiro, antes do início das operações comerciais.

A companhia anunciou ainda que dispõe de 20 pilotos treinados, 12 dos quais já se encontram no País. A companhia não fez referência aos pilotos nacionais que já operavam o mesmo modelo.

O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, pediu moderação no entusiasmo:
“Não viemos celebrar. Encontrámos a empresa financeira e tecnicamente falida. Pela primeira vez em anos, as vendas superam as despesas, mas o passivo continua elevado.”

A chegada dos dois Embraer 190, cada um com capacidade para até 100 passageiros, visa reforçar as ligações domésticas e reduzir os chamados “voos da madrugada”. No entanto, o histórico de más decisões e a falta de responsabilização pelo desmantelamento anterior mantêm-se como uma sombra sobre este novo capítulo da LAM, que promete continuar a reestruturação até 2027.

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