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Depois de, em Dezembro, em entrevista ao Evidências, o vereador de Infra-estruturas e Salubridade, João Munguambe ter culpado as manifestações e a falta de recursos pela falta de recolha de lixo, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMM) garantiu, recentemente, que estão ultrapassados os constrangimentos que estiveram na origem da fraca recolha de resíduos sólidos na capital do país, situação que deixou vários bairros inundados e sufocados de lixo nas últimas semanas, originando mau cheiro e até surgimento de vermes como reportado na nossa matéria intitulada: “Município de Maputo perde batalha contra o lixo: Há ruas “entupidas”, cheiro e vermes a invadirem quintais”, disponível no site.
Edmilson Mate
Lixo espalhado por todo o lado, cheiro nauseabundo que cortava a respiração, vermes a galgarem muros e a invadirem quintais como se não houvesse fronteiras entre o que seriam apenas pontos de recolha, ora transformadas em lixeiras, e a casa. Esta era a realidade que se repetia, dia após dia, em praticamente todos os bairros da Cidade de Maputo.
O Evidências escalou, na altura, diversos pontos de recolha de resíduos sólidos nos distritos municipais de KaMavota, KaMubukwana e KaMaxakeni, onde o lixo tinha deixado de ser apenas um problema de saneamento para se tornar parte do quotidiano dos munícipes, expondo milhares de cidadãos a graves riscos de saúde pública.
Em muitos destes locais, os camiões de recolha não passavam há meses, permitindo que montanhas de resíduos crescessem descontroladamente à beira das estradas, junto a escolas, mercados e zonas residenciais. Há relatos de famílias que se viram obrigadas a trancar portas e janelas e, em casos extremos, a abandonar temporariamente as suas residências, incapazes de suportar o fedor intenso e a presença constante de larvas, moscas e ratos.
Confrontado pelo Evidências, o Conselho Municipal de Maputo atribuiu a fraca recolha de lixo à falta de meios e recursos e culpa as manifestações pós-eleitorais de 2024 pela vandalização de equipamentos. Mas agora, após dias de pressão dos munícipes de alguns bairros que chegaram a barricar vias, o município não só retomou a recolha de lixo como também achualizou a sua versão dos factos.
A garantia de normalização da situação foi dada, durante uma visita técnica à Lixeira de Hulene, promovida pelo município, com o objectivo de permitir aos órgãos de comunicação social acompanhar, no terreno, as condições de funcionamento da infra-estrutura e compreender os factores que, temporariamente, afectaram a deposição do lixo na lixeira.
Falando à imprensa, o vereador de Infra-estruturas e Salubridade, João Muguambe, explicou, já numa outra versão, que as dificuldades resultaram, sobretudo, da avaria de duas bulldozers essenciais para a gestão dos campos de deposição de resíduos sólidos, agravado pelas chuvas que se fizeram sentir nas últimas semanas, que dificultaram o acesso dos camiões à lixeira.
“Se não tivermos acesso aos campos de deposição, não adianta fazer a recolha na cidade, porque não teremos onde depositar o lixo”, afirmou Muguambe, sublinhando que a ausência das máquinas provocou o acúmulo de grandes montanhas de resíduos, bloqueando as vias internas da lixeira.
Segundo o vereador, a situação já está controlada com a disponibilização de uma bulldozer alugada e a entrada em funcionamento de escavadoras giratórias para a limpeza e desobstrução dos acessos. O município prevê ainda a ampliação e duplicação das vias internas, para facilitar a circulação simultânea das viaturas.
De acordo com o CMM, a Cidade de Maputo produz uma quantidade de 1100 toneladas de resíduos sólidos. Com o trabalho intensivo em curso, a edilidade estima que a cidade volte a estar limpa dentro de um prazo de 10 a 15 dias. “Já passou quase uma semana, por isso acreditamos que, nas próximas duas semanas, a cidade esteja em condições”, avançou.
Questionado sobre um eventual défice orçamental, João Muguambe esclareceu que se trata de uma questão conjuntural relacionada com a arrecadação de receitas e não com a inexistência de orçamento. Ainda assim, garantiu que a recolha de resíduos não está condicionada, neste momento, por falta de fundos.
Relativamente ao futuro da gestão de resíduos sólidos, o vereador confirmou que decorre o processo para a construção de um novo aterro sanitário na Katembe. Já foi lançado o concurso para a construção da via de acesso e está em curso, até 26 de Janeiro, o concurso público para a contratação do empreiteiro que irá construir o aterro, com um investimento estimado entre 26 e 30 milhões de dólares.
O novo aterro deverá entrar em funcionamento em 2028, ano em que também está previsto o encerramento da Lixeira de Hulene. Segundo o município, a nova infra-estrutura irá garantir melhores condições ambientais, incluindo sistemas de drenagem, saneamento e tratamento de lixiviados.



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