Cheias: Autarquias alertam para colapso da capacidade de resposta devido a falta de verbas

DESTAQUE ECONOMIA
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O presidente da Associação Nacional dos Municípios de Moçambique (ANAM), João Ferreira, alertou para os prejuízos avultados que as cheias estão a causar em quase todo o território nacional. Embora ainda decorra o mapeamento para a contabilização exacta das perdas, o responsável sublinhou a necessidade de um financiamento robusto para mitigar os impactos.

Ferreira aproveitou o cenário de crise para apelar a uma mudança estrutural no ordenamento habitacional, defendendo que é o momento de incentivar edificações em zonas seguras para evitar problemas sistemáticos.

“Acho que chegou o momento de todos construirmos algo, não só para nós, mas para os nossos filhos e netos. Devemos investir em locais altos e bons. Claro que vai sempre haver um e outro problema de cheias, mas não será sistemático,” afirmou o dirigente.

Paralelamente, está em curso a mobilização de fundos através da plataforma digital ‘SOS’ para apoiar directamente as autarquias mais fustigadas pela intempérie.

A gravidade da situação actual é reforçada pelos avisos do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), que indicam que Moçambique pode enfrentar uma catástrofe potencialmente superior à de 2000, ano em que cerca de 800 pessoas perderam a vida. Historicamente fustigado por eventos extremos, o País lida agora com o transbordo de bacias hidrográficas vitais nas regiões Sul e Centro, num contexto em que as alterações climáticas tornam os ciclones e inundações cada vez mais severos e letais.

No plano financeiro, o desafio é crítico, existindo um défice de 6,6 mil milhões de meticais para cobrir as necessidades de assistência humanitária, que incluem saúde, alimentação e apoio a deslocados. O orçamento total necessário para responder à presente época chuvosa está fixado em 14 mil milhões de meticais. Este esforço financeiro surge após um ciclo destrutivo entre 2024 e 2025, no qual os ciclones Chido, Dikeledi e Jude afectaram mais de 1,8 milhão de pessoas, reafirmando a vulnerabilidade extrema de Moçambique perante a crise climática global.

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