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A mina de Balama, localizada na província de Cabo Delgado, vai fornecer entre 34 mil e 68 mil toneladas de grafite natural ao mercado japonês ao longo dos próximos sete anos, ao abrigo de um novo contrato plurianual anunciado pela mineradora australiana Syrah Resources. Segundo um comunicado dirigido aos mercados, o acordo foi celebrado com a NextSource Materials, uma companhia canadiana especializada em materiais para baterias, e prevê que o início das entregas ocorra já a partir do próximo mês de Junho. A grafite extraída em solo moçambicano terá como destino inicial uma unidade de produção de ânodos em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, sendo posteriormente utilizada para abastecer o fabrico de baterias para viaturas elétricas no Japão.
Este novo compromisso comercial reforça a importância estratégica da grafite de Balama para a cadeia de suprimentos global fora do mercado chinês, posicionando Moçambique como um fornecedor fundamental de minérios de alta qualidade e em grande volume. A mineradora Syrah Resources sublinhou que este contrato evidencia a relevância crítica da mina para o setor de mobilidade elétrica internacional.
A NextSource, parceira no negócio e também proprietária de minas em Madagáscar, está a priorizar o desenvolvimento de infraestruturas de materiais anódicos no Médio Oriente como parte de uma estratégia para diversificar as fontes de fornecimento para a indústria global de baterias.
O anúncio surge num período de recuperação para a mina de Balama, que registou a produção de 26 mil toneladas de grafite no terceiro trimestre de 2025, após ter enfrentado uma paralisação de seis meses devido a agitação social em Moçambique. A retoma plena das atividades foi formalizada em julho de 2025, quando a subsidiária Twigg Exploration and Mining comunicou ao Governo a remoção da cláusula de força maior que impedia o cumprimento das obrigações contratuais. Durante o trimestre de retoma, a empresa conseguiu expedir 24 mil toneladas para clientes internacionais, mantendo um preço médio de venda em torno dos 625 dólares por tonelada.
Apesar da nova parceria estratégica e da retoma operacional, o setor de grafite em Moçambique ainda procura recuperar dos níveis baixos registados em 2024, ano em que a produção nacional destinada ao setor de baterias sofreu uma queda de 64%, fixando-se em pouco mais de 34 mil toneladas. Além do contrato com o Japão, a Syrah Resources continua a investir na sua fábrica de material anódico em Vidalia, nos Estados Unidos, que também será abastecida com grafite proveniente de Cabo Delgado.



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