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O Governo, através do Ministério dos Transportes e Logística, vai gastar aproximadamente 4,3 milhões de dólares norte-americanos (280 milhões de meticais) em serviços de consultoria técnica e estratégica para impulsionar o Projecto de Mobilidade Urbana na Área Metropolitana de Maputo. Este montante resulta da soma de quatro contratos adjudicados recentemente, cujos valores em dólares e meticais foram convertidos e agregados pelo Evidências para reflectir o investimento total do Estado na contratação de especialistas internacionais e nacionais para desenhar o futuro do transporte na capital.
Luisa Muhambe
O maior quinhão deste investimento, cerca de 2,44 milhões de dólares, foi destinado a consultoria técnica de apoio à implementação do projecto, sob responsabilidade do consórcio Project Planning & Management e Urban Mass Transit Company.
Paralelamente, a JV UNeed.IT S.r.l. & A.R.S. Progretti S.P.A. & Panteia B.V. & ARS4Pro foi seleccionada para desenvolver um programa de jovens profissionais para o sector de mobilidade, por um valor de mais de 1,32 milhões de euros (aproximadamente 1,43 milhões de dólares).
A lista de gastos prossegue com o desenho do Plano Director para a Mobilidade Activa na Área Metropolitana do Grande Maputo, entregue à SYSTRA – Société A. e Directoire et Conseil de Surveillance, pelo montante de 437.500 dólares. Este contrato visa projectar soluções para peões e ciclistas.
Por fim, a empresa de auditoria Ernst & Young foi contratada por cerca de 9,2 milhões de meticais para desenhar uma estratégia de comunicação para o engajamento do cidadão — um gasto irónico para um utente que já conhece profundamente as falhas do sistema por experiência própria.
O Projecto de Mobilidade Urbana na Área Metropolitana de Maputo é uma iniciativa ambiciosa, financiada maioritariamente pelo Banco Mundial com um pacote global de 250 milhões de dólares, desenhada para resolver o caos no trânsito e a precariedade do transporte público na área metropolitana.
O foco central do projecto é a implementação do sistema BRT (Bus Rapid Transit) no corredor da Avenida Guerra Popular, ligando o centro da cidade às zonas periféricas através de faixas exclusivas para autocarros de alta capacidade, prometendo reduzir drasticamente o tempo de viagem para milhares de munícipes.
Para além da infra-estrutura física, o projecto contempla a formalização do sector dos transportes, visando integrar os actuais operadores privados, os chamados “chapas”, num sistema mais organizado e seguro. Um dos componentes mais inovadores é a aposta na mobilidade activa, que inclui a criação de ciclovias e a melhoria das condições de circulação pedonal, conforme definido num dos contratos de consultoria agora adjudicados.
O objectivo é criar uma rede de transportes multimodal onde o cidadão possa caminhar, andar de bicicleta ou usar o autocarro de forma integrada e eficiente.
Resta saber se esta consultoria milionária será suficiente para tirar o projecto do papel e transformá-lo em autocarros na rua. Historicamente, Moçambique tem um currículo extenso de planos estratégicos de transporte que nunca se materializaram.



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