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O presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleos (INP), Nazário Bangalane, afirmou esta quarta-feira, numa breve entrevista ao Evidências, que Moçambique assume agora um “papel extraordinário” no sector energético com a capacidade de transformar o seu gás natural em GLP (gás de cozinha) no território nacional.
As declarações foram feitas durante a inauguração da primeira Fábrica Integrada de Processamento de Hidrocarbonetos em Temane, província de Inhambane, que marca a transição de Moçambique de exportador de gás natural em bruto para produtor de derivados energéticos refinados.
“O País produz gás há muito tempo. Uma parte tem sido usada em Moçambique, e outra na África do Sul, na forma de gás, mas hoje, além de produzir e consumir gás, estamos a produzir GLP a partir deste mesmo gás. Isto representa um papel extraordinário para o nosso País” explicou Bangalane.
Questionado sobre a possibilidade de replicar este modelo noutros projectos futuros, o PCA do INP foi peremptório: “Com certeza, porque para além das reservas que já temos agora, contamos descobrir mais reservas, tanto aqui em Inhambane como na bacia do Rovuma e outros pontos do País”, sublinhou
Bangalane revelou ainda que o Instituto Nacional de Petróleos continua com programas de investigação e prospecção para descobrir novas reservas de gás natural, abrindo caminho para a implementação de projectos semelhantes no futuro.
Sobre a posição dos consórcios que neste momento exploram ou preparam-se para dar arranque de seus projectos de gás natural, perante esta nova abordagem de processamento interno do gás, Bangalane mostrou-se confiante.
“Qualquer subproduto que vem gás natural representa um importante ganho para a economia do País. Não há razão para os investidores não apoiarem esta iniciativa que é soberana do nosso Estado”, projectou.
A fábrica de Temane, que representa um investimento superior a mil milhões de dólares, tem capacidade para produzir aproximadamente 30 mil toneladas de GLP anualmente, reduzindo para metade as importações moçambicanas de gás de cozinha, que actualmente rondam os 45 a 50 milhões de dólares por ano.
A entrada em funcionamento desta unidade de processamento constitui um marco estratégico na política energética moçambicana, alinhando-se com a visão do governo de se transformar num hub regional e agregar valor aos recursos naturais antes da sua exportação.
O projecto enquadra-se no Contrato de Partilha de Produção celebrado em 2000 entre a petroquímica sul-africana Sasol e os governos de Moçambique e África do Sul, mas representa a primeira concretização da capacidade de transformação interna do gás natural moçambicano.
Com a nova fábrica operacional, Moçambique inicia um percurso que poderá levar, numa fase posterior, à massificação da produção nacional de outros derivados de petróleo leve, como gasolina, gasóleo e náftas, reforçando progressivamente a sua autonomia energética e quiça suprir as necessidades da região.



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