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O Governo advertiu que a paralisação das atividades por parte dos profissionais de saúde está a causar sérios prejuízos e a castigar os cidadãos devido à falta de atendimento médico. A greve, iniciada a 16 de janeiro com uma duração prevista de 30 dias prorrogáveis, surge como protesto contra a decisão do Executivo de pagar apenas 40% do 13.º salário de 2025. O porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, manifestou a preocupação do Executivo, sublinhando que, embora a greve seja um direito, este não deve sobrepor-se à dignidade humana.
Inocêncio Impissa afirmou taxativamente que “a greve pressiona, traz prejuízos e ninguém está interessado, logo, não é ajustável, aconselhável e defensável”, apelando ao diálogo imediato entre as partes.
Por sua vez, a Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), que representa cerca de 65 mil trabalhadores, afirma que o anúncio do pagamento parcial “não agradou aos profissionais de saúde e à função pública, trazendo um sentimento de desvalorização aos trabalhadores,” disse.
A organização reforça que a paralisação é também uma denúncia contra a crise estrutural do Sistema Nacional de Saúde, exigindo melhorias que vão desde o fornecimento de medicamentos e camas até à alimentação e equipamentos de proteção. A associação reitera a sua posição ao declarar que “esta greve será de 30 dias prorrogáveis até que o Governo troque a decisão ou aumente a percentagem do pagamento”.
A APSUSM defende ainda que o esforço dos profissionais deve ser devidamente reconhecido, enfatizando a natureza das suas funções e a legitimidade das suas contas. Entre as queixas, destaca-se o facto de muitos funcionários serem obrigados a comprar material de proteção do próprio bolso e a trabalhar em ambulâncias sem equipamentos de emergência básicos.
A situação é acompanhada com tensão, especialmente após o ministro da Saúde, Ussene Isse, ter alertado anteriormente que uma eventual greve no sector seria “um desastre”, apelando ao diálogo para evitar o colapso no atendimento. Com uma rede de 1778 unidades de saúde em todo o país, o impacto da paralisação é vasto, reabrindo o debate sobre a Tabela Salarial Única (TSU) e as condições de trabalho num sistema que tem enfrentado pressões sucessivas de várias associações do setor nos últimos anos.



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