Guebuza defende cautela perante dados que colocam Moçambique como segundo mais pobre

DESTAQUE POLÍTICA
Share this

O antigo Presidente da República, Armando Guebuza, manifestou abertamente as suas reservas em relação ao mais recente relatório do Banco Mundial, que posiciona Moçambique como o segundo país mais pobre do mundo. Durante as celebrações do Dia da Mulher Moçambicana, assinalado esta terça-feira na Praça dos Heróis, o antigo Chefe de Estado questionou o rigor dos critérios utilizados pela instituição financeira internacional e a forma como os dados têm sido interpretados e propagados.

Para Armando Guebuza, as conclusões do documento devem ser relativizadas, defendendo que não existem motivos para um sentimento de alarmismo perante o retracto traçado pela organização. Ao abordar a persistência das avaliações negativas sobre o desempenho económico nacional, o antigo estadista sublinhou uma certa resignação na aceitação desses dados.

“Quem é que disse que não somos pobres? Alguma vez o Banco Mundial disse que não somos pobres? Os relatórios sempre disseram que a pobreza é moçambicana e depois dizem que somos pobres. Nós aceitamos e propagamos”, declarou Armando Guebuza.

O antigo Presidente, com experiência de duas décadas no comando da nação,  sugeriu que estas análises devem ser encaradas com cautela, tendo em conta o histórico de avaliações a que Moçambique tem sido submetido ao longo dos anos.

No mesmo evento, a antiga Primeira-Dama, Maria da Luz Guebuza, também levantou dúvidas sobre a precisão do relatório, contrapondo os números com a realidade do dinamismo económico que observa no terreno. Maria da Luz destacou, em particular, a força de trabalho feminina como um indicador de progresso que muitas vezes escapa às métricas internacionais.

“A mulher moçambicana, em todos os cantos do País, acorda às três ou quatro da manhã para trabalhar no campo”, afirmou, reforçando que a presença massiva das mulheres na produção alimentar e nos mercados é uma prova da sua contribuição vital para a sustentabilidade da economia moçambicana.

A antiga Primeira-Dama enfatizou que a vitalidade económica do País é visível no quotidiano das comunidades, independentemente do que ditam os índices globais.

“Nós vemos um número grande de mulheres que trabalham e alimentam o País, tanto nas cidades como no campo”, sublinhou Maria da Luz Guebuza.

As reacções da família Guebuza surgem num momento em que os dados do Banco Mundial reacendem o debate público sobre os desafios do desenvolvimento e a eficácia das políticas de combate à pobreza. Enquanto alguns sectores utilizam o relatório para exigir reformas profundas, as declarações das figuras históricas do Estado moçambicano apontam para uma necessidade de soberania na análise do progresso nacional. O debate sublinha o contraste persistente entre os indicadores macroeconómicos das instituições financeiras e os sinais de resiliência e crescimento apontados por quem acompanha a evolução social e económica do País a partir das suas bases produtivas.

Promo������o
Share this

Facebook Comments

Tagged