Ministério da Agricultura assegura pacote de 100 milhões de dólares para reerguer o sector produtivo pós-inundações

DESTAQUE ECONOMIA
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  • Financiado pelo Banco Mundial, através do programa Moz Rural
  • Esta fase foca-se na reabilitação do tecido produtivo básico e no fortalecimento das pequenas e médias empresas do sector.

O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas oficializou, nesta segunda-feira, um robusto pacote financeiro e material destinado à recuperação da capacidade produtiva das famílias e empresas afectadas pelas recentes cheias em Moçambique. A iniciativa, orçada em 100 milhões de dólares e financiada pelo Banco Mundial, através do programa Moz Rural, foi lançada publicamente durante a visita de trabalho do Presidente da República, Daniel Chapo, ao distrito de Guijá, na província de Gaza. Este apoio marca a transição da fase de emergência humanitária para a retoma económica, focando-se na reabilitação do tecido produtivo básico e no fortalecimento das pequenas e médias empresas do sector.

Luísa Muhambe

A magnitude dos danos causados pelos eventos climáticos extremos foi detalhada no discurso presidencial, revelando um cenário desafiador para a campanha agrária 2025/2026. De acordo com os dados oficiais apresentados, as cheias destruíram cerca de 441 mil hectares de culturas diversas, com impacto directo em produtos estratégicos como o milho e o arroz.

O sector pecuário registou a perda de pastos para mais de 428 mil animais, enquanto a pesca e a aquacultura sofreram danos significativos em embarcações, artes de pesca e tanques de reprodução. No total, estima-se que 335 mil famílias tenham visto a sua base produtiva fragilizada pela força das águas. Perante este cenário de adversidade, o Presidente da República defendeu o reforço contínuo do investimento em tecnologias agrárias resilientes e adaptadas às mudanças climáticas.

“Devemos continuar a investir em tecnologias agrárias adaptadas ao clima, expandir a reabilitação de sistemas de irrigação, gerir de forma sustentável os nossos recursos naturais e construir infra-estruturas resilientes”, destacou Chapo.

Durante a cerimónia, foram entregues 181 mil kits de insumos agrários, que incluem sementes fortificadas de milho, arroz, feijões e hortícolas, além de fertilizantes, pesticidas e instrumentos de trabalho essenciais, como enxadas e pulverizadores. No domínio da economia azul e da pecuária, o apoio abrange 392 mil alevinos, 250 mil quilogramas de ração, 1.300 artes de pesca e 359 embarcações.

O investimento total mobilizado para esta operação de emergência e recuperação estrutural é de 100 milhões de dólares, provenientes de fundos do Banco Mundial. Deste montante, cerca de 66 milhões de dólares foram alocados directamente para a aquisição de insumos e meios de produção, enquanto 15 milhões de dólares se destinam a linhas de apoio directo aos produtores.

Um componente crucial deste financiamento, no valor de 20 milhões de dólares, será canalizado através da Gapi para apoiar a recuperação de pequenas e médias empresas (PME) que sofreram danos severos nas suas infra-estruturas e cadeias de valor devido às cheias.

Reconstruir o que foi perdido e modernizar a base produtiva nacional

O Presidente da República, Daniel Chapo sublinhou que a utilização de mecanismos como o sistema de e-Voucher será fundamental para garantir que estes recursos cheguem aos beneficiários finais com transparência e eficácia.

O Chefe do Estado reiterou que o objectivo central desta intervenção é reduzir a dependência externa e transformar o cenário actual, garantindo que as 335 mil famílias afectadas recuperem a sua autonomia alimentar.

Com o suporte do programa Moz Rural, o Governo pretende não apenas reconstruir o que foi perdido, mas também modernizar a base produtiva nacional, tornando-a mais resiliente a futuros eventos climáticos extremos.

Chapo aproveitou a ocasião para traçar uma visão ambiciosa para o futuro económico de Moçambique, centrada na redução da dependência externa. Segundo o Chefe do Estado, a agricultura, que sustenta mais de 80% da população, deve ser encarada como o alicerce da independência económica e da dignidade nacional.

“O nosso objectivo como Governo é produzirmos cada vez mais milho, produzirmos cada vez mais arroz, produzirmos cada vez mais feijões, produzirmos cada vez mais hortícolas, reduzirmos a dependência externa na importação de alimentos e passarmos de um país importador para um país exportador”, declarou.

Ao dirigir-se especificamente ao sector privado, o Presidente foi incisivo ao afirmar que o futuro económico de Moçambique se constrói no campo, sendo este o local onde se gera riqueza e valor acrescentado. Apelou a um compromisso concreto dos empresários para investir na inovação e na agregação de valor às cadeias produtivas.

Daniel Chapo concluiu a sua visita assumindo o compromisso de que nenhuma família afectada será deixada para trás, assegurando que o Estado continuará presente e organizado para transformar cada adversidade numa oportunidade de renovação e crescimento para o povo moçambicano.

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