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O Governo alertou que o recente anúncio de uma trégua de 14 dias nas tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irão, no Médio Oriente, não terá um impacto imediato ou automático na descida dos preços dos combustíveis no mercado doméstico. Durante um encontro com jornalistas em Maputo, a directora nacional de Hidrocarbonetos, Felisbela Cunhete, explicou que, embora os mercados internacionais reajam positivamente a sinais de abrandamento, a destruição de infra-estruturas logísticas e de refinação na região do conflito cria obstáculos que podem manter os custos de importação elevados por mais tempo.
Segundo Felisbela Cunhete, a situação actual é de extrema incerteza, uma vez que o sector de combustíveis é altamente sensível a qualquer perturbação no Estreito de Ormuz, ponto por onde passa a maioria do produto que abastece o mercado nacional.
“Há muita imprevisibilidade. É muito difícil, a uma altura desta, fazer alguma previsão, tomando em consideração que decorre mesmo do contexto geopolítico. Ontem houve um sinal de abrandamento nas tensões e os mercados reagiram automaticamente, mas seria muito precipitado da nossa parte fazermos alguma previsão em relação às tendências”, afirmou a directora, sublinhando que o Governo continuará a monitorar o cenário global.
A directora nacional de hidrocarbonetos esclareceu que a factura de importação de Moçambique não depende apenas do preço da molécula no mercado internacional, mas de toda uma cadeia logística que foi seriamente afectada pelos confrontos.
“Nós não podemos perder de vista que, mesmo em resultado do conflito, algumas infraestruturas de energia naquela região sofreram. Tanto as infra-estruturas de produção, algumas refinarias e as próprias infra-estruturas de logística e transporte de combustíveis sofreram. Então, a reposição desses danos todos poderá levar algum tempo”, explicou Cunhete, justificando por que razão a trégua diplomática não se traduz em alívio imediato nas bombas.
Face ao agravamento dos preços de importação registado desde Abril, o Executivo assume que o país está perante uma crise de combustíveis e já prepara um pacote de medidas escalonadas para mitigar o impacto no consumidor final. Como Moçambique esta exposto às variações externas, a subida no mercado internacional reflecte-se inevitavelmente no mercado interno, o que obriga a intervenções na estrutura de custos.
“O governo já está a preparar um pacote de medidas para mitigar o impacto. Se o preço no mercado internacional conhecer um comportamento diferente, muito melhor para nós. Mas, caso não, o governo também já está preparado para implementar um conjunto de medidas para ajudar na mitigação do impacto do preço de venda ao público, porque já sabemos que o preço de combustível tem um impacto multiplicador em toda a economia”, garantiu a responsável.
Estas medidas, que já foram aplicadas em choques petrolíferos anteriores, incluem a activação de componentes de estabilização na estrutura de preços e acções sectoriais, com especial atenção ao sector dos transportes, que é o primeiro a sofrer com a oscilação. Felisbela Cunhete reiterou que o cenário está a ser acompanhado de perto e que, à medida que a situação evoluir, novos pacotes de apoio serão activados para evitar uma escalada incomportável no custo de vida, dada a dependência total do país em relação aos combustíveis importados da região do Médio Oriente.



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