Conflito em Cabo Delgado já causou mais de 6.500 mortos desde o início da insurgência em 2017

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A província de Cabo Delgado, atingiu a trágica marca de 6.518 óbitos acumulados desde o início dos ataques armados em Outubro de 2017. Os dados constam do mais recente relatório da organização internacional Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED), divulgado nesta sexta-feira, dia 10 de Abril de 2026. Segundo o documento, que analisa o período entre 23 de Março e 5 de Abril, foram registados três eventos violentos nas últimas duas semanas, sendo que dois destes envolveram extremistas ligados ao Estado Islâmico e resultaram em três mortes confirmadas.

A organização detalha que, ao longo de quase nove anos de conflito, foram contabilizados 2.345 eventos violentos na região, dos quais 274 tiveram o envolvimento direto de elementos associados ao grupo Estado Islâmico Moçambique (EIM). Apesar de descrever as últimas duas semanas como relativamente tranquilas em termos de grandes confrontos, a ACLED sublinha que o grupo insurgente manteve a sua presença no distrito de Macomia e realizou incursões a locais de mineração em Meluco. Nestas visitas, os especialistas acreditam que o principal objectivo dos extremistas tenha sido a extorsão das comunidades locais.

O relatório também dedica atenção à situação na costa, onde a Marinha das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) intensificou as patrulhas para bloquear a foz do rio Messalo, uma via estratégica de movimentação. No entanto, a ACLED alerta que a relação entre as forças militares e as populações civis permanece tensa após o massacre de pescadores ocorrido a 15 de Março. Enquanto a organização, baseando-se em relatos locais, aponta a responsabilidade para a Marinha moçambicana no incidente que vitimou 13 pessoas em Mocímboa da Praia, as FADM negam categoricamente as acusações, alegando que os disparos foram efectuados por insurgentes disfarçados com uniformes militares.

Cabo Delgado, região estratégica devido às vastas reservas de gás natural, continua a ser o epicentro de uma crise humanitária que teve o seu primeiro marco de violência a 5 de Outubro de 2017, na vila de Mocímboa da Praia. Desde então, o conflito tem alternado entre períodos de alta intensidade e momentos de relativa calmaria, mantendo o sistema de segurança e a economia local sob constante pressão. O balanço global de mortos reflecte a persistência de um problema que, mesmo com a intervenção de forças internacionais e o reforço da vigilância estatal, ainda apresenta focos activos de insegurança no interior da província.

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