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O conflito entre Homem e a fauna bravia continua a constituir um dos principais desafios para as autoridades e comunidades do distrito de Mavago, no interior da Reserva Especial do Niassa. Só este ano, três (03) pessoas perderam a vida em consequência dos ataques selvagens, numa região onde a convivência entre as populações e a vida selvagem é uma realidade diária.
As vítimas são dois adolescentes e um adulto. Segundo a administradora distrital de Mavago, Cecília Cassiano, os dois menores foram atacados por crocodilos quando se encontravam nas proximidades de um rio, enquanto o terceiro caso resultou da mordedura de uma cobra enquanto fazia percurso laboral.
“Problemas não faltam. Tem-se registado conflitos Homem-Fauna Bravia. Só para referenciar, ainda este ano tivemos três casos de mortes, dos quais dois adolescentes acabaram perdendo a vida porque estavam na berma de um rio e dois crocodilos acabaram por os devorar. Outro senhor, de 36 anos, também foi mordido por uma cobra e veio a perder a vida”, explicou.
Com uma população estimada em mais de 41 mil habitantes, Mavago encontra-se praticamente inserido na área da Reserva Especial do Niassa, situação que expõe as comunidades a frequentes incursões de animais selvagens nas zonas habitacionais e de produção agrícola.
Além das mortes registadas, a fauna bravia tem causado prejuízos significativos aos agricultores locais. Dados avançados pelas autoridades indicam que cerca de 70 famílias foram afectadas pela destruição de campos agrícolas provocada por búfalos, porcos-bravos e outras espécies.
“Tivemos uma devastação de cerca de 12,9 hectares, porque os búfalos, porcos e outros animais acabaram por destruir os campos de produção dos agricultores. Esses são os principais problemas que estamos a enfrentar”, acrescentou a administradora.
A situação preocupa ainda mais pelo facto de cerca de 98 por cento da população do distrito viver dentro dos limites da Reserva Especial do Niassa, aumentando a frequência dos contactos entre pessoas e animais selvagens.
Para minimizar os conflitos, o Governo distrital e a administração da reserva estão a discutir mecanismos de protecção das áreas agrícolas. Entre as medidas em análise está a construção de cercas ou outras formas de vedação que permitam separar as zonas de produção das áreas de circulação da fauna bravia.
“Estamos a discutir para ver se podem fazer alguma cerca ou vedação, para que haja alguma delimitação entre a zona de produção e a zona da Reserva do Niassa”, disse Cecília Cassiano.
A responsável revelou ainda que a Reserva Especial do Niassa tem disponibilizado meios de afugentamento de animais e apoiado iniciativas locais destinadas a reduzir os riscos de ataques às populações.
Os postos administrativos de Mavago-Sede e de Misawize são apontados como os mais afectados pelo problema, com destaque para este último, onde a incidência de conflitos Homem-Fauna Bravia é mais elevada.
Perante a ameaça constante, muitas famílias adoptaram medidas preventivas, incluindo a redução da circulação durante a noite. Segundo a administradora, a maioria dos residentes recolhe às suas casas antes das 18 horas para evitar encontros com animais selvagens.
“Até essas horas já não circulam mais. Como estamos no meio da reserva e com muitos animais que circulam por aqui, as pessoas procuram proteger-se. Mas há casos de emergência em que não têm alternativa e acabam por arriscar”, concluiu.



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