Share this
A condução da sucessão no comando do Banco de Moçambique colocou a liderança do Chefe do Estado sob forte escrutínio internacional, de acordo com um relatório divulgado pela agência Lusa. Em análise aos recentes desenvolvimentos na capital moçambicana, o departamento africano da consultora britânica Oxford Economics classificou como uma “embaraçosa reviravolta” a revogação da escolha inicial para o regulador bancário, sublinhando que o episódio instala “sérias questões” em torno da credibilidade do Presidente Daniel Chapo.
O impasse gerou-se após o anúncio da substituição de Waldemar Fernando de Sousa, indicado num primeiro momento para a chefia da autoridade monetária, por Felisberto Dinis Navalha. O recuo ocorreu num espaço de apenas 24 horas e sem qualquer fundamentação pormenorizada por parte da Presidência da República, que se limitou a invocar o surgimento de “questões supervenientes” para travar a tomada de posse.
A fragilidade do processo de seleção de quadros para a alta administração pública esteve no centro dos reparos da equipa de peritos da Oxford Economics. A consultora pôs em causa a eficácia dos mecanismos de controlo e investigação prévia ao perfil dos nomeados. “Porquê desistir à última da hora?”, questionam os analistas citados pela Lusa, assinalando que, a confirmar-se o desconhecimento do Chefe do Estado sobre o passado do economista, fica exposta uma falha grave na verificação de antecedentes para funções de soberania.
A nomeação inicial desencadeou reações imediatas na imprensa local, que relembrou o envolvimento de Waldemar Sousa em investigações ligadas a alegadas irregularidades financeiras cometidas por ex-administradores do banco central no âmbito do escândalo das dívidas ocultas. O enquadramento levantou dúvidas directas sobre o nível de informação de que o Gabinete Presidencial dispunha antes de chancelar o nome do gestor.
“Será que ele sabia dos esqueletos no armário de Sousa, mas nomeou-o na mesma?”, questionam os especialistas da consultora britânica.
O escândalo financeiro de 2016, que envolveu garantias estatais ilegais superiores a 2,7 mil milhões de dólares prestadas a três empresas públicas, volta assim a projetar sombras sobre as escolhas para as instituições financeiras do país. Para a Oxford Economics, o impacto deste volte-face transcende a figura do candidato preterido, fragilizando a confiança nos critérios de rigor aplicados pelo poder executivo.
Com a retificação do decreto presidencial, Felisberto Dinis Navalha assume a condução do Banco de Moçambique, tendo Benedita Maria Guimino como vice-governadora. O novo titular sucede a Rogério Zandamela, que liderou a instituição durante a última década, assumindo a gestão da política monetária num momento em que a imagem de transparência das instituições nacionais enfrenta severos questionamentos externos



Facebook Comments