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A capital moçambicana vai ser palco da 9.ª edição do Festival Maputo Fast Forward (MFF), intitulada “Realidades Artificiais: O Espelho Infinito”, decorre de 23 de Outubro a 1 de Novembro de 2026, no edifício da JFS Tower, na Rua do Bagamoyo, na Baixa da Cidade de Maputo, unindo arte, tecnologia e pensamento sobre o futuro.
A presente edição propõe uma reflexão sobre as fronteiras cada vez mais fluidas entre o real e o artificial, o sintético e o vivo, a tecnologia e a experiência humana. Num mundo em que a inteligência artificial, os algoritmos, as plataformas e as redes digitais moldam cada vez mais aquilo que vemos, acredita-se que, influenciando a forma como nos relacionamos e imaginamos o futuro.
O Festival MFF convida a explorar estas transformações e a questionar: quem constrói as realidades que habitamos, quem as “programa”, quem “codifica” o futuro e qual é o lugar de Moçambique e África nessa construção?
Durante 10 dias, três pisos da JFS Tower serão transformados num espaço de encontro entre arte, tecnologia, inovação, pensamento crítico, cultura e entretenimento, que serão divididos em conferência internacional, exposições, rodas de saberes, performances, experiências imersivas (VR, XR), projecções, cocktails de networking, workshops, e um bazaar de projectos inovadores, comgaming corner e food court e actividades para crianças ao fim de semana; tudo com acesso gratuito.
Uma década a fazer Maputo avançar
Esta edição do Festival marca um momento especial no percurso do Maputo Fast Forward, que ao longo de 10 anos consolidou-se como uma plataforma de diálogo e encontro entre tecnologia, inovação, arte e pensamento crítico, reunindo pensadores, artistas, criadores, empreendedores, investigadores e activistas de África e de outras partes do mundo trazendo para Maputo conversas globais e criando espaço para vozes, experiências e ideias produzidas no continente. O MFF 2026 parte de que Maputo, Moçambique e África devem ter lugar nesta conversa global sobre as transformações tecnológicas e digitais, não como espectadores, mas como produtores de conhecimento e criatividade, questionando e reimaginando as realidades que habitamos.
O conceito “realidades artificiais: espelho infinito”
Vivemos hoje rodeados por uma realidade que ajudamos a construir, um mundo onde a fronteira entre o verdadeiro e o simulado, entre memória e imaginação, se tornou cada vez mais ténue. O que antes era vivido em primeira mão é hoje também gerado, editado e discutido em ecrãs. Os algoritmos sugerem o que sonhamos; as máquinas transformam os nossos desejos em dados. Os algoritmos, as redes digitais e a inteligência artificial atravessam hoje a economia, a política, o trabalho, a cultura, a psique individual e colectiva e a nossa relação com o planeta. Moldam, cada vez mais, o que pensamos, o que sentimos, como decidimos, como geramos conhecimento e como imaginamos o futuro. Para grande parte do Sul Global, no entanto, viver dentro de uma realidade forjada não é novidade. Durante séculos, África foi moldada por ficções impostas: mapas coloniais, mitologias políticas, distorções mediáticas. Por aqui, o “real” nunca foi um dado garantido. Com a inteligência artificial a apagar a fronteira entre humano e máquina, a pergunta torna-se urgente: quem programa o mundo que vemos? É esta a pergunta que atravessa esta edição de aniversário do Maputo Fast Forward. Não como alarme, mas como convite: se já vivemos em simulação, como desenhar ficções melhores, ilusões mais verdadeiras, e reclamar o direito de imaginar o mundo de outra forma? Esta edição do MFF nasce porque as perguntas que definem o nosso tempo merecem ser feitas aqui: a partir de Maputo, de Moçambique e de África. Quem controla as ferramentas digitais e tecnológicas que usamos? O que significa criar numa era dominada por algoritmos? Como é que Maputo, Moçambique, África se posicionam nesta conversa global? Não como espectadores, mas como vozes activas e coconstrutoras, com perspectiva própria.
Várias frentes, um só festival o MFF
Assenta em várias frentes que só fazem sentido em conjunto: as exposições, onde a tecnologia se torna experiência, algo que se vê, se sente, se atravessa; a conferência, onde se torna conversa, pensamento crítico e questionamento; as rodas de saberes, onde aprendizagens se cruzam; e o bazaar, onde se expõem as inovações, soluções, e projectos que procuram responder aos desafios do nosso tempo.
Nesta edição, isso traduz-se em três pisos inteiros da JFS Tower reconvertidos em instalações, e um programa de conversas que junta vozes de fora com pensamento produzido em Maputo. Uma cidade vertical de inovação e criatividade, totalmente acessível e gratuita.
A curadoria desta edição é liderada por João Roxo, responsável pela Programação e Exposições, e por Tassiana Tomé, responsável pela Conferência Internacional e Rodas de Saberes.
Conferencia Internacional
A era digital e da inteligência artificial estão a transformar a democracia, a economia e, a produção cultural e artística, trazendo oportunidades extraordinárias, mas também novos riscos, desigualdades e sobretudo novas questões.
A Conferência MFF 2026 – Realidades Artificiais abre-se como um espaço de questionamento e reflexão crítica e plural, para dialogar sobre os impactos, limites, e possibilidades destas transformações, trazendo perspectivas do continente africano, em conexão com as experiências globais para repensar a construção de futuros tecnológicos que possam impulsionar sociedades mais justas e equitativas.
Instalações
A JFS Tower reabre em três pisos de instalações que se respondem umas às outras. No primeiro, o sul-africano Russel Hlongwane apresenta Ifu Elimnyama / Dzata, uma viagem cinematográfica pela cultura zulu que questiona a apropriação ocidental do conhecimento digital, ao lado da moçambicana Dilayla Romeo, que em Aerial Cartographies: Territories in Dissolution inverte o gesto cartográfico colonial e o aplica ao território europeu, usando técnicas como batik e cianotipia.
Sobe-se ao segundo piso para Plating the Polycrisis, de Zayaan Khan, instalação imersiva e colectiva sobre o que comemos e sobre como o lixo tecnológico já entra, sem darmos por isso, na comida que preparamos, e termina-se no terceiro com Broadcasts for the Blind, de Adilson de Oliveira, uma transmissão sonora mais do que uma exposição, construída a partir do que se ouve, se ouve mal, se grava, se censura.



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