Centro de Investigação em Saúde da Manhiça testa vacina contra Covid-19

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A partir do próximo mês de Dezembro, Moçambique entra para o grupo de países, no mundo, que se encontram a fazer testes de vacina contra a Covid-19. Trata-se de um estudo que será liderado pelo Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), na província de Maputo, que visa essencialmente apurar a sua eficiência da vacina contra a tuberculose no combate ao corona vírus.

O referido estudo vai envolver 350 funcionários do sector da saúde na província e cidade de Maputo, durante os próximos meses, vai determinar se a vacina BCG, actualmente usada no combate à tuberculose no país, é capaz ou não de prevenir a infecção e tratamento de formas graves da Covid-19.

Para o teste daquela droga usada em muitas partes do mundo para o combate à tuberculose, parte-se da hipótese, sustentada por vários estudos a nível mundial, segundo a qual a Covid-19 tem menores taxas de infecção e mortalidade em países onde o uso da vacina contra a tuberculose é obrigatório.

Os ensaios clínicos com a vacina de tuberculose, no país, terão uma duração de seis meses, período findo o qual serão conhecidos os resultados preliminares, que serão depois compulsados com resultados dos outros países que irão levar a cabo o mesmo tipo de teste.

Trata-se de países como Guiné-bissau, São Tomé e Príncipe, África do Sul e Reino Unido que estão a testar a mesma droga, que poderá ser crucial no combate à pandemia do Corona vírus que a nível global já dizimou mais de meio milhão de pessoas.

Segundo o responsável da área de Doenças Respiratórias no CISM, Hélio Mucavel, acredita-se que esta vacina não só pode ser usada para prevenir a tuberculose, como também para prevenir outras doenças respiratórias como a Covid-19.

“Nós pretendemos realizar um ensaio clínico que visa entender como é que a vacina BCG pode apoiar na luta contra o coronavírus. A vacina BCG não é nova, já está em uso em Moçambique desde o início da década 80 para a prevenção da tuberculose”, sublinhou Mucavel.

Os 350 funcionários que servirão de “cobaias” para o ensaio clínico serão divididos em dois grupos, sendo que o primeiro será administrado a vacina e ao outro será administrada uma substância inerte.

Depois serão comparados os dados dos dois grupos para perceber até que ponto o grupo administrado a droga é mais resistente à infecção por Covid-19, em relação ao grupo não imunizado.

“Neste tipos de experimentos geralmente fazem-se dois grupos em que um é administrado a vacina em estudo, que neste caso é o BCG, e no outro grupo é administrado o que nós cientificamente chamamos de placebo, que nada mais que uma substância que não tem nenhuma acção que pode ser soro fisiológico. Vamos ter estes dois grupos e vamos segui-los por seis meses”, destacou a fonte.