Nhongo denuncia bombardeamentos na Serra de Gorongosa

DESTAQUE POLÍTICA

O presidente da autoproclamada Junta Militar da Renamo, Mariano Nhongo, queixa-se de ser alvo de ataques com armamentos aéreos protagonizados pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS), mesmo depois de declarar trégua para permitir negociações. “O governo da Frelimo usou aviões de guerra durante dois meses a bombardear a junta militar e, até hoje, ainda não cessaram ataques” denunciou Nhongo. Na segunda semana de Julho passado, o Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança (FDS), Filipe Nyusi, instruiu instruendos da Escola de Sargentos da Polícia em Nhamatanda, província de Sofala para que “livrem Moçambique da Junta e façam isso como prioridade”.

No passado Dezembro, o presidente da autoproclamada Junta Militar, Mariano Nhongo, anunciou a suspensão de ataques na zona Centro do País, com objectivo de permitir início de negociações de paz com o governo, ataques esses que eram protagonizados contra civis e Forças de Defesa e Segurança (FDS), que provocaram morte de mais de 30 pessoas. Mas antes dele, em Outubro do mesmo ano, o Presidente da República, Filipe Nyusi, já tinha ordenado trégua de ataques, por uma semana, com igual objectivo. No entanto, as partes nunca conseguiram sentar para observarem esta agenda.

Mariano Nhongo, que falou a este Jornal a partir das matas, continua à espera do Governo da Frelimo para a negociação, o que ainda não aconteceu porque, no seu entendimento, persiste falta de vontade de acabar definitivamente com o conflito do Centro. Alias, Nhongo diz que apesar da trégua, as FDS continuam com o seu teatro de perseguição. “O governo da Frelimo usou aviões de guerra durante dois meses a bombardear a junta militar e até hoje ainda não cessaram os ataques”, denuncia Nhongo.

A denuncia de Nhongo surge no mesmo mês em que Nyusi instruiu as forças do Teatro Operacional Centro, criadas especificamente para combater os ataques militares nas províncias de Sofala, Manica e Tete, a caçar os membros da auto-proclamada Junta Militar da Renamo, incluindo seu cabecilha, Mariano Nhongo.

Esta determinação do lado do governo foi assumida depois de terem falhado as tentativas de aproximar Filipe Nyusi e Mariano Nhongo à mesa de negociações, após o cessar-fogo anunciado, primeiro, pelo Chefe de Estado em Outubro passado e, segundo, pelo líder daquele grupo militar.

Ossufo Momad, André Matsangaisse rejeitados na mediação

Desde a eclosão de ataques na zona centro, vários intervenientes nacionais e internacionais prontificaram-se a ajudar na mediação para o alcance da paz, visto o recrudescimento dos ataques protagonizados na altura pela junta militar, acção esta que não é bem vista por Mariano Nhongo, para quem alguns não passam de traidores.

Durante a entrevista, Nhongo disse haver algumas pessoas interessadas em negociar com a junta militar que no seu entender não passam de traidores. Trata-se de Ossufo Momad, presidente da Renamo e André Matsangaisse, antigo membro da Junta Militar. Em relação a estas pessoas Nhongo foi peremptório: “não quero traidor nas negociações mas, sim, o governo”, assim determinou Nhongo.

As negociações entre governo e a junta militar, ainda sem previsão temporal para o seu fim, tem dividido várias opiniões no seio de vários extractos sociais, e na entrevista dada a este jornal frisou que tem levado a cabo várias iniciativas para acabar em definitivo com conflito.

Nhongo refere-se a título de exemplo, o facto de ter suspendido os ataques para dar espaço às negociações e o facto de ter indicado uma equipa para mediar a negociação, incluindo uma carta contendo várias exigências como o passo dado para avançar com o processo de diálogo. Contudo, o líder da junta militar acusa o governo de não ter, até hoje, respondido a carta e de não ter indicado mediadores em representação do governo para o avanço das negociações.

“A junta militar já mandou o documento, cabe ao governo fazer a sua parte” afirmou o Mariano.

Mas algumas vozes ligadas ao diálogo entendem não ser o governo o responsável pela letargia do processo das negociações, mas antes o próprio presidente da junta militar. O Presidente do Grupo de Contacto, Mirko Manzoni, chegou a afirmar que Mariano Nhongo era inflexível e que não se abria para o diálogo.

Em princípio de Julho passado, circularam infirmações não confirmadas de que Mirko Manzone, o enviado especial do SG da ONU para Moçambique e coordenador do grupo de contacto entre a Renamo e o governo no processo de Desarmamento, Desmilitarização e Reintegração (DDR), manteve conversações com Mariano Nhongo, líder da Junta Militar, na província de Sofala, onde Manzoni terá oferecido a Nhongo contrapartidas financeiras (até USD 4 milhões, conforme apurado) para a auto-dissolução da JM e para a adesão ao DDR, mas Nhongo terá rejeitado.

Refira-se que a Junta Militar nasceu em 2019 em contestação à actual liderança da Renamo, encabeçada por Ossufo Momade. A organização diz não concordar com os termos acordados pelo governo e a Renamo para o Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) do braço militar daquele partido, tendo desencadeado uma nova onda de violência, atacando viaturas e pessoas nas províncias de Sofala, Manica e Tete.

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