Direcção Provincial de Educação “gazetou” entrega da escola na Beira

POLÍTICA
  • Governo negou receber escola construída de raiz pelo Conselho Municipal

O edil da Beira, Albano Carige, fez, na última semana, a entrega de uma nova escola no Posto Administrativo da Manga Mungassa, por sinal uma zona em expansão onde a população ainda é privada de alguns serviços básicos. A entrega do estabelecimento de ensino para aliviar o sofrimento de centenas de crianças que estudam ao relento e sentadas no chão insere-se nas celebrações do 116º aniversário da Cidade da Beira. Embora construída com fundos da edilidade, a escola deveria ter sido entregue nas mãos do Governo, no entanto, a Direcção da Educação, supostamente sob orientação do partido Frelimo, não se fez presente no acto. Durante a inauguração da mesma, Carige fez duras críticas à Direcção Provincial pelo facto da mesma ter gazetado a cerimónia, mesmo depois de receber um convite formal. Contactada pelo Evidências, a instituição que chancela o pelouro da educação na província de Sofala prometeu contar a sua versão dos factos na próxima quinta-feira, 31 de Agosto.

Jossias Sixpence-Beira

Com o propósito de melhorar o processo de ensino e aprendizagem escolar no Posto Administrativo da Manga Mungassa, o Conselho Municipal da Beira desembolsou mais de 11 milhões de meticais para a construção de uma escola de raiz.

A cerimónia de entrega do estabelecimento de ensino, que conta com seis salas de aulas devidamente apetrechada, foi caracterizada por muita euforia e entusiasmo no seio da população e até do corpo docente, uma vez que, para além de reduzir longas distâncias que eram percorridas pelas crianças para ter aulas, vai reduzir o número de alunos que estudavam ao relento na Cidade da Beira.

Na sua intervenção, Albano Carige declarou que a nova escola vai contribuir para a formação dos futuros quadros que vão trabalhar para o desenvolvimento do país.

“Este é o laboratório que vai cozer os nossos filhos para serem futuros dirigentes deste país, aqui vão sair presidentes, professores, deputados da assembleia da República, vereadores e todos aqueles que vão fazer crescer a nossa cidade, a nossa província, até o nosso país, por isso essas seis salas de aulas têm carteiras, quadros, secretarias dos professores para melhor se acomodarem”, disse o edil da Beira, numa iniciativa considerada inovadora no que a gestão municipal diz respeito.

Mas, mais uma vez, questões político-partidárias voltaram a estar na mó de cima. Numa altura em que o governo se debate com graves problemas de falta de salas de aulas e carteiras, que fazem com que milhares de alunos estudem ao relento e sentadas no chão, a Direcção Provincial de Educação em Sofala decidiu faltar na cerimónia em que devia receber oficialmente as chaves da escola para estar ao serviço da comunidade.

O motivo? Tudo indica que é meramente político, pelo facto de a escola de seis salas convencionais ter sido construída de raiz pelo Conselho Autárquico da Beira, dirigido pelo Movimento Democrático de Moçambique, enquanto o sector da educação é coordenado centralmente pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, sob égide do Governo da Frelimo, que tenta, a todo custo, sabotar as acções da edilidade que quer tirar do poder na Beira.

Ainda na sua intervenção, Albano Carige fez duras críticas à Direcção Provincial pelo facto da mesma ter gazetado a cerimónia, depois de receber um convite formal, tendo na ocasião frizado que, embora o Governo se recuse em transferir os serviços de educação para a gestão municipal, o município por si dirigido está a mostrar que tem capacidade.

Contacto pelo Evidências para responder às acusações que pesam por si, o director-Distrital de Educação, Fernando Chimbia, prometeu se pronunciar sobre a acusação que pesa para o sector que dirige até o dia 31 de Agosto corrente.

Professores e alunos satisfeitos

Por sua vez, os professores, que há muito aguardavam pela inauguração daquele estabelecimento de ensino, manifestaram a sua gratidão pela entrega da infra-estrutura e lembraram o drama que viviam durante a época chuvosa.

“Tínhamos pena das crianças que entravam às 10h e praticamente não estudavam devido ao sol, cada criança saia da sua casa com sua capulana para servir de carteira, nem a caligrafia saia direito. Como professores, trabalhávamos, junto com essas crianças, no chão, no sol, na chuva, com isso queremos agradecer ao presidente Albano Carige, nós professores de Mungassa estamos satisfeitos”, disse Rosa Fernando António, representante dos professores da escola.

Em representação dos alunos, Safi João relatou o drama que viviam antes desta infra-estrutura, tendo referido que o mesmo vai contribuir para o melhoramento do processo de ensino e aprendizagem.

“Estamos satisfeitos por terem aliviado o nosso sofrimento, visto que percorríamos longas distâncias para termos o acesso à aprendizagem, e corríamos riscos. Tivemos colegas que foram atropelados quando iam à escola. Pedimos o cumprimento da promessa que David Simango nos fez ainda em vida, ou seja, queremos uma escola secundária para concluir os nossos estudos, sem ser necessário percorrermos grandes distancias”, declarou João.

Não foram apenas as crianças que foram beneficiadas na cerimónia de inauguração da escola, visto que Carige fez, igualmente, a entrega de um autocarro para minimizar o sofrimento da população que era obrigada a percorrer longas distâncias por falta de transporte.

“Viemos até Nharimue daquele autocarro, mas iremos deixar aqui. Este autocarro custou 8.200.000 e o município pegou aquele pouco que tira dos vendedores de tomate, de banana e imposto autárquico para comprar, hoje viemos entregar a vocês o resultado das vossas contribuições”, disse o presidente do Conselho Municipal da Cidade da Beira.

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