Governo investe 421 milhões em vacinas, medicamentos e drogas carraceiras

ECONOMIA
  • Assegurada cobertura vacinal de 90% do efectivo de gado no país

Depois de um crescimento de 9% registado no ano passado, o sector pecuário no país procura incrementar ainda mais os níveis de produção e produtividade através do aumento da cobertura vacinal para garantir a defesa da saúde animal e da economia do país. Com efeito, semana passada, o Ministério da Agricultura lançou, semana finda, a Campanha de vacinação animal 2022, que prevê alcançar 90% dos mais de dois milhões de cabeças de gado bovino no país, uma acção que está orçada em pouco mais de 421 milhões de dólares norte-americanos.

 

Evidências

 

No ano 2021, o subsector de pecuária registou um crescimento na ordem de 9%, sendo superior à média registada dos últimos 10 anos, de 4,4%, o que anima as expectativas do Ministério da Agricultura para o presente ano.

Por essa razão, com vista a garantir a defesa do contínuo crescimento do gado no país, o governo tem estado a investir anualmente vários milhões de meticais em vacinas, medicamentos e drogas carraceiras para a protecção do efectivo.

Foi nessa senda que o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural lançou, semana finda, no Distrito de Búzi, Província de Sofala, a Campanha de vacinação animal. Trata-se de uma acção que visa Consciencializar as comunidades, criadores e as estruturas administrativas locais sobre a importância e necessidade de imunizar os animais.

A meta, segundo o sector, é assegurar que mais de 80% de gado esteja protegido contra as doenças de impacto na saúde pública e animal, que muitas vezes causam prejuízos aos produtores.

Falando na ocasião em representação do ministro Celso Correia, o director nacional de Desenvolvimento Pecuário, Américo da Conceição, destacou que a presente campanha de vacinação serve para garantir a saúde do animal e da economia do país através da sua imunização contra doenças de declaração obrigatória.

“A cobertura cresceu de 62%, em 2020, para 86,75%, em 2021, com destaque para Carbúnculo Hemático e Carbúnculo Sintomático que atingiram uma cobertura de 81% e 85%. A produção pecuária global no país foi de cerca de 159 mil toneladas de carne, contra as 141 toneladas registadas em 2020, o que corresponde a um aumento de 13 por cento”, destacou Da Conceição.

As campanhas de vacinação obrigatória, banhos carrecicidas, o aumento da produção nacional de vacina e o controlo do movimento de animais são apontados como os principais factores que contribuíram para o aumento da produção, e Da Conceição não tem dúvidas que o sector pecuário está a crescer a um ritmo satisfatório.

Febre aftosa controlada depois de quatro anos de ocorrência no país

A febre aftosa é a doença com maior impacto negativo na economia, porque a sua ocorrência pode gerar interdição das transacções comerciais do país com outros mercados internacionais, tanto de produtos de origem animal como os vegetais provenientes das zonas afectadas.

Na Campanha 2021 não houve o registo da Febre Aftosa, depois de quatro anos de ocorrência sucessiva desta doença, o que fica a dever-se ao maior rigor na implementação de medidas de prevenção, nomeadamente: Cobertura de vacinação em cerca de 98%; registo obrigatório e monitoria de transporte/transportadores de animais e de marchantes (comerciantes de gado); Licenciamento e emissão de credenciais provinciais (documento que autoriza o movimento de animais); e Testagem prévia de animais para mobilidade interdistrital/provincial.

Nos últimos 10 anos, o cumprimento da obrigação de vacinação e banhos tem representado o principal desafio para o crescimento do subsector pecuário.

Refira-se que o efectivo pecuário está avaliado em cerca de 70,9 Bilhões de Meticais, equivalentes a cerca de USD 1 Bilhão. O crescimento registado na pecuária foi de 9%, sendo superior à média registada dos últimos 10 anos, de 4,4%. O ano de 2021 fica assim marcado como o segundo ano consecutivo de registo de crescimentos acima da média.

Em Moçambique, a produção pecuária engloba as carnes vermelhas (bovinos, pequenos ruminantes e suínos), avicultura (frangos de corte e ovos) e leite. A criação de ruminantes é dominada pelo sector familiar, (87% de gado bovino e 96% de pequenos ruminantes) em regime extensivo com recurso a pastagem natural, e um sector comercial (13% de gado bovino e 2% de pequenos ruminantes).