Líder Comunitário ameaça expulsar quem não aderir à Frelimo dentro de 48 horas

POLÍTICA
  • Ex-guerrilheiros, Beneficiários de DDR, com ultimato para se juntarem à Frelimo
  • Findo o prazo, 16 casas de ex-guerrilheiros foram incendiadas
  • Renamo já apresentou queixa no Comando Distrital de Barue

No passado dia 28 de Abril, a Renamo submeteu uma queixa no Comando Distrital de Barue, província de Manica, contra lideranças de base do partido Frelimo que tem estado a ameaçar ex-guerrilheiros recém-integrados na comunidade no âmbito do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR). Naquele ponto do país, chegaram a dar ultimato de 48 horas para estes se juntarem ao partido no poder, sob pena de serem expulsos da zona. Findo o prazo, 16 casas foram vandalizadas, algumas incendiadas, para além de roubo dos seus animais e vários pertences.

Jossias Sixpence – Beira

Numa altura em que o país prepara-se para as sextas eleições autárquicas e os discursos políticos apontam para o sucesso do DDR e uma reconciliação nacional, continuam a imperar alguns comportamentos que ameaçam a paz.

Da Província de Manica, no distrito de Barue, posto administrativo de serra choa, na localidade de Nhabutu, povoado de Nhamanamba, chegam denúncias, feitas pela Renamo, que continua a onda de aliciamento e perseguições dos seus membros e antigos guerrilheiros abrangidos pelo DDR.

A denúncia foi feita, semana finda, por Geraldo de Carvalho, chefe regional centro para a implementação da Renamo, que relata que pessoas supostamente ligadas ao partido no poder incendiaram casas de membros da Renamo, incluindo a do delegado político local, dias depois de terem sido ameaçados de expulsão caso não se juntassem ao partido no poder..

“Em Bárue, no povoado de Nhamanamba, os membros da Renamo foram aterrorizados e impedidos de participar nas nossas reuniões políticas por um grupo de pessoas a mando do secretário do Comité do partido Frelimo.  O líder comunitário, junto do secretário da zona foram às casas dos nossos desmobilizados a exigir que no prazo de 48h deviam se transformar em membros da Frelimo e eram obrigados, naquele momento, a irem à sede do partido. Foram ameaçados que caso não fossem deviam se retirar da zona onde moram actualmente”, denunciou Geraldo Carvalho.

Sem precisar o número exacto dos membros do seu partido e antigos guerrilheiros que terão sido vítimas das supostas acções maléficas dos membros do partido no poder, disse apenas que “o clima de insegurança que os quadros da Renamo vivem neste local e outros ainda por identificar é bastante preocupante. Hoje queimam as nossas casas, nos impedem de realizar reuniões políticas, perseguem os nossos membros e ex-guerrilheiros, será que estamos a cultivar o clima de paz?”, indagou.

Carvalho diz que não se pode admitir que num país que se diz democrático e que advoga o multipartidário consagrado na Constituição da República, e que advoga o direito de escolha, haja um líder encoberto pela Frelimo e pela Polícia da República de Moçambique a ameaçar ou destruir a casa de quem quer que seja.

“Ninguém é obrigado a pertencer ao partido Frelimo”, afirmou Carvalho, para depois acrescentar que a perdiz já vem denunciando esses excessos há muito tempo e que a continuarem podem minar a paz.

“Nós já vínhamos denunciando estes actos faz tempo e estamos fartos. Se isto continuar assim, pode pôr em causa a paz. Estou a dizer que ainda estamos no âmbito do cumprimento dos acordos de paz, os acordos de Maputo e Gorongosa. Estamos a dizer que estamos numa missão forte de reconciliação nacional, mas não há reconciliação nacional deste jeito. Se os membros da Frelimo pensam que só eles é que podem destruir e queimar as casas dos nossos membros estão enganados”, avisou a fonte.