Quis se livrar das chantagens da ex-esposa e agora pode estar a contas com a justiça.
Em 2017, um cidadão que responde pelo nome de Hélder Luís Simões Catela decidiu abandonar o Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) como forma de acabar com as chantagens que era alvo da sua ex-esposa. Aliás, Catela cometeu 32 faltas consecutivas para ser expulso do Aparelho do Estado, o que de certa forma acabou conseguindo. Entretanto, depois de ser expulso das fileiras do SERNAP, Hélder Luís Simões Catela desafiou os limites da lógica ao falsificar documentos para reduzir 10 anos na sua idade para ingressar nas fileiras das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), mesmo depois de ser expulso do Aparelho do Estado. Em contacto com o Evidências, Cateca jurou de pés juntos que não falsificou o Bilhete de Identidade para ingressar nos quadros do Ministério da Defesa Nacional, que por sua vez mostrou-se preocupado com a situação, tendo prometido tomar medidas para os prevaricadores da lei.
Em Outubro de 2017, depois de 32 faltas consecutivas, o Serviço Nacional Penitenciário, através do Gabinete do Director-Geral, apoiando-se nas alíneas a), e), r) e o) do artigo 103 do Estatuto do Pessoal do SERNAP com Funções de Guarda Penitenciário, decidiu expulsar Hélder Luís Simões Catela do seu quadro pessoal.
Antes da expulsão, Catela foi chamado para justificar a sua ausência, mas o mesmo declarou que não queria mais saber do emprego, alegando que aquela foi a única forma que encontrou para acabar com as chantagens da sua ex-esposa, por sinal ex-diretora do Serviço Penitenciário ao nível do distrito de Moamba, uma vez que a mesma o humilhava dia e noite pelo facto de ter sido ela que lhe ajudou a conseguir emprego.
Depois de se livrar do antigo emprego para escapar das chantagens da ex-esposa, Catela elaborou um plano para fugir do desemprego e viu nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique a única alternativa.
Apesar de ter sido expulso do Aparelho do Estado, o que lhe impedia de voltar a ser contratado no sector público antes de cumprir pelo menos quatro anos fora, Catela, nascido em Julho de 1976, decidiu desafiar os limites da lógica para ingressar nas fileiras das Forças Armadas de Moçambicana.
Para lograr os seus intentos, o indiciado falsificou o Bilhete de Identidade, tendo diminuído 10 anos para ser ilegível, uma vez que já não tinha idade para cumprir o Serviço Militar Obrigatório. Depois do treinamento, tornou-se militar e até o momento está em serviço.
Livrou-se da esposa e do antigo emprego, estando a refazer a sua vida, mas agora está sob suspeita de falsificação de documentos e pode ser expulso e ou mesmo detido se se comprovar que não só viciou documentos, como também ingressou no aparelho do Estado antes de cumprir pelo menos quatro anos de desvinculação.
Catela queixa-se de perseguição da sua esposa
Contactado pelo Evidências, Hélder Luís Simões Catela jurou de pés juntos que entrou legalmente nos quadros do Ministério da Defesa, tendo justificado que desde que se separou da ex-esposa tem sido alvo de perseguições sem fundamento. Aliás, Catela declarou que deixa tudo na mão da justiça dos homens e de Deus.
Ao Evidências, uma fonte que conhece o casal e que preferiu falar em anonimato revelou que um dos motivos que fez com o mesmo se separasse foram os maus tratos que o filho de Catela era alvo diariamente.
“Era um casal exemplar na zona, mas tudo mudou quando aquela senhora começou a maltratar o enteado na ausência do pai. Ela fingia ser uma boa mãe sempre quando o marido estava em casa, mas quando não estava era outra coisa. Aquele menino era maltratado e o pai sempre era humilhado porque foi ela quem o conseguiu emprego. Depois de algum tempo, o casal decidiu se separar, mas até hoje a mulher ainda não conseguiu ultrapassar isso e faz de tudo para manchar a imagem do Hélder”, contou.
MDN promete tomar medidas para punir os prevaricadores da lei
Contactado pelo Evidências sobre a denúncia que dá conta de que Hélder Luís Simões Catela falsificou a idade para ingressar nas fileiras das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, o Ministério da Defesa Nacional apontou que o Catela entrou de forma legal, de acordo com os requisitos para o ingresso para as FADM, uma vez que “teve inspeção, incorporação normal, ou seja, saiu apto e depois foi incorporado porque a idade o conferia e cumpriu todos requisitos e foi treinado, estando neste momento afecto numa das unidades militares”.
Entretanto, Benjamim Marcos Chabualo, chefe do departamento de comunicação no Ministério da Defesa Nacional, mostrou-se preocupado com a possibilidade de Hélder Luís Simões Catela ter usado um Bilhete de Identidade Falso para fazer parte dos quadros do MDN, tendo garantido que a sua instituição está a averiguar o caso para posteriormente tomar medidas.
“Nós como Ministério da Defesa Nacional vamos averiguar a situação documental deste cidadão. Não incorporamos 10 ou 20 pessoas, incorporamos mais de mil pessoas, mas um dos documentos básicos é o Bilhete de Identidade. Ele apresentou um BI normal e o que vamos fazer é averiguar os factos como temos feito regularmente, mas este é um caso específico, porque temos que ir mais a fundo da questão. O MDN é guardião da lei em Moçambique e terá que tomar medidas em função da lei, portanto esse cidadão, a se provar, cometeu uma fraude de documentos, ou seja, enganou o MND, mas o problema não é só esse, se ele circula com documentos falsos e já é alvo de acusação por outras instâncias”, declarou Chabualo.
Hélder Luís Simões Catela trouxe à tona uma das fragilidades do Ministério Defesa Nacional no que diz respeito aos critérios da selecção. Questionado sobre os mecanismos que aquela instituição chefiada por Cristóvão Chume faz para evitar casos de género, Benjamim Marcos Chabualo avançou que serão tomadas medidas para desencorajar esse tipo de atitudes, tendo igualmente adiantado que houve casos de pessoas que foram tiradas do sistema devido a irregularidades.
“A Lei do Serviço Militar vem para regular e evitar que alguém entre de qualquer maneira nas fileiras do Ministério da Defesa Nacional. Há pessoas de má fé na sociedade moçambicana. Entretanto, a lei estratifica quem efectivamente deve entrar, em função da idade, condição física, mas também em matérias de ser um cidadão sem problemas com a lei. Os prevaricadores e tentadores da fora da lei sempre vão procurar esquemas, este não é o primeiro caso, já houve casos de diferentes tipos que foram detectados e as pessoas foram retiradas do sistema. Não temos dados estatísticos, mas já foram expulsas muitas pessoas que entraram por outras tentativas. Vamos tomar medidas para que os que estão presentes saberem o risco que tem”, concluiu.

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