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Sociedade Civil defende que Moçambique precisa de definir uma agenda nacional de promoção de paz e reconciliação

No âmbito do Projecto “PROPAZ – Cultura de Promoção de Paz, Reconciliação e Coesão Social”, o Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), em parceria com a Universidade Católica de Moçambique (UCM), organizou, na última semana, na cidade da Beira, uma reflexão sobre “Mecanismos e Modelos Locais de Promoção de Paz e Reconciliação em Moçambique”, onde os participantes vincaram que Moçambique precisa de definir uma agenda nacional de promoção de paz e reconciliação

Texto: Jossias Sixpence – Beira

Discursando na abertura do evento, a secretária de Estado na província de Sofala, Stella Zeca, referiu que preservar a paz não pode ser apenas responsabilidade do Governo, tendo, por isso, apelado a todos moçambicanos para colocarem a paz como prioridade.

“A Paz não é apenas tarefa do Presidente da República, nem do presidente da RENAMO. É tarefa de todo povo moçambicano, da sociedade civil, religiosos, líderes comunitários, partidos políticos, é tarefa de todos nós. Precisamos que a educação esteja voltada para Paz. É preciso que desde a escola as crianças bebam a cultura da paz. Vamos educar os nossos jovens e nossas crianças para que aprendam a viver num clima de paz. As nossas crianças que não nasceram num clima de guerra não precisam viver esta experiência”, disse, acrescentado que “por isso como Governo, ao nível da Província de Sofala temos a paz, a boa convivência e o respeito como uma forma de estar”.

Zeca destacou a reintegração dos ex-militares da Renamo no sector produtivo, mas reconheceu que ainda existe muitos desafios para a manutenção da paz no país.

“Em Gorongosa temos ex-combatentes da RENAMO a produzir café, em alguns locais estão na piscicultura, outros estão a participar nos programas de alfabetização. Temos procurado envolver os ex-combatentes nas actividades do Governo. Mas reconhecemos que ainda precisamos de fazer mais e iniciativas como estas do IMD vão obviamente ajudar encontrar outras formas de como podemos continuar a aperfeiçoar a nossa Paz e a nossa democracia”.

Ainda no encontro cujo objectivo era reflectir sobre mecanismos, modelos e boas práticas para promoção de Paz e reconciliação ao nível da província de Sofala, o director de programas do Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), Dércio Alfazema lamentou o facto da assinatura dos acordos de paz não ter sido suficiente para garantir uma boa convivência entre moçambicanos.

“Desde a independência, em 1975, Moçambique tem vivido várias experiências de conflito armado, pontuadas por acordos de paz. Apesar dos ganhos alcançados pelos sucessivos acordos, nomeadamente, a cessação de fogo e das hostilidades, a introdução do multipartidarismo em 1994 e a realização sistemática das eleições, a implementação da descentralização, Moçambique continua a enfrentar desafios na consolidação do Pluralismo Político, Paz Sustentável e Reconciliação Nacional. Precisamos fazer algo mais e não nos limitar na assinatura de acordos e esperar que seja o suficiente”, disse Alfazema para posteriormente afirmar que Moçambique precisa de definir uma agenda nacional de promoção de Paz e Reconciliação.

“Falta confiança entre os actores políticos, as pessoas não confiam nas instituições, processos políticos são organizados com pouca transparência, serviços públicos ainda não são acessíveis a todos, ao nível das comunidades ainda há exclusão de pessoas e limitação no acesso aos serviços”, destacou.

Prosseguindo, Alfazema avançou que a instituição por si dirigida, através de uma iniciativa que será financiada pela União Europeia, vai nos próximos três anos trabalhar com artistas, académicos, líderes comunitários, confissões religiosas, ex-combatentes e organizações da sociedade civil para desenhar um modelo integrado de promoção da paz e reconciliação.

Por seu turno, o vice-reitor da UCM, Armindo Tambo, destacou a necessidade de desenhar um modelo de paz e reconciliação que seja inclusivo e que também priorize as pessoas afectadas pelos conflitos.

“É preciso buscar soluções pacíficas e duradouras, que garantam a dignidade e os direitos das pessoas afectadas por conflitos. A Paz e a Reconciliação, também, são importantes na vida quotidiana, nas relações interpessoais e na convivência em sociedade. É preciso cultivar resiliência, tolerância, compaixão e o diálogo, em vez de alimentar o ódio, a vingança e a violência”, frisou Tambo.

Refira-se que este foi o primeiro encontro dos onze que vão decorrer em todo o País.

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