Se na cidade de Maputo não sobram dúvidas de que Razaque Manhique será o cabeça-de-lista da Frelimo nas próximas eleições autárquicas, com o actual edil da Cidade de Maputo, Eneas Comiche, fora de cena, após ser preterido ainda nas preliminares, Manhique vai concorrer com Izilda Zandamela, vereadora de Kamaxaquene, e Edgar Muchanga, antigo presidente da Assembleia Municipal, na província de Maputo, para além do já conhecido drama na cidade da Matola, há outros casos em ebulição, sobretudo nas duas novas autarquias.
Na Matola Rio, uma nova autarquia na Província de Maputo, dois empresários estão apurados para a finalíssima, ou seja, para as eleições, para saber quem dos dois será cabeça-de-lista da Frelimo nas próximas eleições autárquicas. Trata-se de Samuel Muzila e Abdul Issufo. Em termos de popularidade, Samuel Muzila está em vantagem para um posto administrativo que nas eleições gerais mostrou preferências a Renamo.
No município de Marracuene, sete candidatos mostraram a vontade de ser o cabeça-de-lista da Frelimo nas próximas eleições autárquicas. No entanto, apenas três candidatos foram apurados para a última fase. Trata-se de Shafee Sidat, actual Administrador de Marracuene e antigo presidente da Federação Moçambicana de Atletismo; Francisco Mabjaia, antigo primeiro secretário da Frelimo na Cidade de Maputo e presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol; e o empresário José de Sousa.
O trabalho vistoso que tem levado a cabo desde que aterrou no distrito de Marracuene e a gestão impecável na Federação Moçambicana de Atletismo, onde revitalizou e dinamizou a modalidade, são o cartão de visita Sidat.
Aliás, várias personalidades de Marracuene, com destaque para a associação dos empresários locais, já tornaram público que apoiam a lista de Shafee Sidat nas próximas eleições.
Com um profundo conhecimento da realidade de Marracuene e com forte inserção nas bases, Shafee Sidat pontifica-se como o candidato favorito para a Frelimo vencer as eleições autarquias sem grande esforço, muito por conta da sua popularidade e feitos que vem lhe garantindo alguma admiração não só em Marracuene, como no país.
Por exemplo, com orçamento do Estado deficitário (três milhões de meticais) o governo distrital de Marracuene conseguiu, através de parcerias públicas privadas, incluindo dos parceiros internacionais, colocar o distrito na rota de desenvolvimento, particularmente nas infra-estruturas, como estradas, destaque para avenida Dom Alexandre, no troço entre a rotunda de albazine – estrada circular, abastecimento de água, expansão da rede eléctrica e educação e preservação do meio ambiente.
A agricultura também ganhou um novo ímpeto com Marracuene, assim como as actividades económicas dispararam, enquanto os conflitos de terra estão aos poucos a passar para a história, e o turismo, com a Vila do distrito e a praia de Macaneta a ser cartão de visita.
Por ser naturalmente um candidato forte, Sidat tem estado a ser vítima de tentativas de linchamento de caracter nas redes sociais e imprensa, protagonizada por alguns dos seus adversários, mas conta com apoio de populares que chegaram a endereçar uma carta à liderança do partido a endossarem a sua escolha.
Na referida carta, destacam o bom desempenho de Shafee Sidat como administrador e a sua reconhecida experiência de gestão empresarial e questionam o facto dos dois outros candidatos, ditos nativos, não terem feito nada em prol do desenvolvimento e crescimento de Marracuene.
E porque houve tentativa de se aproveitarem de um episódio de sua participação num evento público de homenagem ao antigo Presidente da República, para criar uma imagem negativa, sem saberem que a participação foi superiormente autorizada, a população de Marracuene, na sua missiva, entende que os adversários de Shafee Sidat violam as diretivas ao usar órgãos de informação para ofender a sua imagem.
“Os candidatos não devem produzir nem usar meios de propaganda que ofendam a imagem, o bom nome e a reputação de outros candidatos e do Partido”, lê-se no documento.
O outro candidato, José de Sousa, um ilustre desconhecido na cena política a nível do distrito de Marracuene, consta que foi proposto por um grupo de interesse que pretende assaltar o poder para se servir.
Jose de Sousa, com passagem pelo sector informal, é descrito como uma pessoa sem idoneidade nem moral para defender os interesses da Frelimo e das comunidades, alegadamente porque teria enganado cerca de 10 mil mulheres empreendedoras dos distritos de Marracuene e Magude, com um projecto mal parado.
Aliás, a nossa reportagem sabe que as mulheres que caíram nas suas malhas terão remetido uma carta ao comité provincial da Frelimo a denunciar a falta de prestígio no seio da comunidade e de capacidade e habilidades para desempenhar a função de edil de Marracuene, incluindo anulação da sua candidatura.
Já Francisco Mabjaia é tido como o principal rival de Sidat nas eleições internas que terão lugar no próximo dia 15 de Julho corrente. No entanto, é visto com alguma desconfiança depois ter sido acusado de desvio de fundos alocados para a campanha que culminou com a eleição de Filipe Nyusi, para além de malabarismos nas eleições internas, que precipitaram a sua queda prematura do cargo de primeiro secretário.
Por outro lado, para além da fama de mau gestor, consta que Mabjaia terá sido encontrado, recentemente, com curandeiro nas instalações do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER) fora do expediente normal, tendo sido chamado prontamente para ser interrogado pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal para prestar esclarecimentos sobre o sucedido. Aliás, consta que Celso Correia, o super-ministro no Governo de Filipe Nyusi, não ficou agradado com o facto de Francisco Mabjaia ter levado curandeiros ao ministério por si dirigido.

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