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Momade acusa “cidadão Nyusi” de querer usar a Renamo como suporte para conseguir o terceiro mandato

A Polícia da República de Moçambique (PRM) voltou a recorrer ao excesso de zelo para dispersar manifestantes que saíram à rua para reivindicar a vitória da Renamo nos municípios em que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) legitimou a vitória da Frelimo.  Reagindo ao que aconteceu na sexta, 27 de Outubro, o líder da Renamo, Ossufo Momade, criticou o modus operandi da PRM e acusou o Presidente da República, Filipe Nyusi, de querer se manter no poder por meios não ortodoxos, empurrando a Renamo para a guerra com o propósito de conseguir um estado de emergência que levaria a um terceiro mandato. Por outro lado, Momade vincou que, mesmo com as constantes ameaças que os membros da Renamo têm sido alvo, as manifestações pacíficas vão continuar até serem proclamados resultados que espelham a vontade popular.

Duarte Sitoe

A Renamo reivindica vitória nos municípios de Maputo, Matola, Vilankulo, Quelimane, Nampula, Nacala-porto, Cuamba, Gurué (aqui a Nova Democracia também reclama vitória e foi mais votada que a Renamo, segundo a CNE) e Chiure mesmo depois da Comissão Nacional de Eleições validar os resultados que foram anunciados pelas Comissões Distritais de Eleições.

Para repor a verdade expressa pelos eleitores através das urnas, a Renamo organizou em todo território nacional marchas pacíficas. No entanto, a Polícia da República de Moçambique foi acionada para reprimir as manifestações e como sempre apoiou-se no excesso de zelo, o que de certa forma foi criticado com veemência pelo líder do maior partido da oposição em Moçambique.

“A violência brutal perpetrada pela Polícia resultou na morte de cidadãos, incluindo crianças, e ferimentos graves de outros cidadãos. É inexplicável que, nesta senda de autêntico terrorismo do Estado contra o cidadão, estejam envolvidos cidadãos vestidos a civil, empunhando e disparando armas como se de mercenários se tratasse”, denunciou Momade.

O líder da perdiz não se deixa intimidar pelos últimos acontecimentos e garante que as marchas em reivindicação da vitória nos municípios em que a Renamo tem provas de que venceu as VI Eleições Autárquicas vão continuar.

“Nós vamos continuar com as nossas marchas até que tenhamos os resultados que espelham a vontade popular. O povo moçambicano é que depositou um voto de confiança ao partido Renamo. Nós vamos continuar a marchar. Nós não temos medo de morrer. Vamos liquidar toda esta ditadura, porque eu não tenho medo nem receio. Não é um ditador que vai fazer calar a vontade popular”.

Momade diz que “Nyusi está escondido lá a ser guarnecido como se fosse…”

Ossufo Momade aponta o dedo ao Presidente da República, Filipe Nyusi, por tudo que aconteceu durante e pós-processo eleitoral, tendo referido que o famigerado “empregado do povo” usa as Forças de Defesa e Segurança para matar e obrigar o povo a aceitar aquilo que ele quer.

“O único responsável por tudo quanto está a acontecer é o cidadão Filipe Jacinto Nyusi, que está escondido lá a ser guarnecido como se fosse algo que eu não sei dizer. Foi ele que provocou esta situação. Ele e os seus comparsas. O próprio Nyusi apareceu no dia 11 de Outubro, depois de ter votado, a dizer que o jogo político é como um jogo desportivo. Quem perde tem de assumir, mas porque ele não quer assumir? Ele usa as Forças de Defesa e Segurança para matar, para obrigar o povo a aceitar aquilo que ele quer, nós não vamos atrás”, revela.

O líder do maior partido da oposição em Moçambique, que acusou a Frelimo de reativar esquadrões da morte para perseguir e matar membros da Renamo, referiu que Nyusi pretende levar a Renamo para a guerra com o propósito de conseguir o tão almejado terceiro mandato.

“Se Nyusi quer repetir o seu mandato, não será através da Renamo. Não pode usar a Renamo como suporte para obrigar-nos (a Renamo) a ir à guerra. Eu não vou à guerra e a Renamo também não vai à guerra. Vamos ganhar a causa a partir daqui, dentro das nossas cidades, porque o povo quer a Renamo a governar as cidades que a própria população votou. A Renamo vai continuar a lutar até às últimas consequências. Não vamos recuar, porque a Frelimo já nos habituou desde 1994 a roubar e nunca acontecer nada”, conclui.

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