Ossufo Momade diz que crescente envio de tropas ruandesas pode hipotecar a soberania nacional

DESTAQUE POLÍTICA
  • Líder da Renamo volta a denunciar acordo oculto entre Nyusi e Kagame

O presidente da Renamo, Ossufo Momade, quebrou, esta segunda-feira, um silêncio quase sepulcral a que havia se submetido desde o último Congresso. Na sua primeira aparição, com o pretexto de uma mensagem por ocasião da celebração dos 49 anos da Independência Nacional, Ossufo Momade criticou a falta de transparência e a forma oculta como estão a ser conduzidos os acordos assinados entre o governo e as tropas ruandesas. Para Momade, o acordo pessoal oculto entre Filipe Nyusi e Paul Kagame pode hipotecar a soberania do país.

Depois de mais um acordo oculto entre os Presidentes de Moçambique e Ruanda, Filipe Nyusi e Paul Kagame, respectivamente, começou a chegar ao país um contigente adicional de 2500 homens das tropas ruandesas para ajudarem no combate ao terrorismo, aumentando o seu efectivo para mais de 5000 homens.

O envio de mais homens, mais uma vez sem consultar ao parlamento, tem estado a levantar alguns questionamentos na sociedade moçambicana, sobretudo pelo facto de não serem públicos os termos do acordo pessoal entre os dois presidentes.

Ossufo Momade, presidente da Renamo, desconfia do acordo oculto assinado entre Filipe Nyusi e Paul Kagame e considera que pode estar em causa a hipoteca da soberania do país perante os ruandeses.

“Relativamente ao terrorismo, os moçambicanos continuam preocupados e repudiam a forma pouco transparente e oculta que o Governo tem recrutado forças estrangeiras para combater este mal, numa clara indicação de levar o país a compromissos que hipotecam a nossa soberania, o nosso bem-estar, as nossas riquezas e o futuro das nossas crianças”, desconfia.

No entender de Ossufo Momade, pode ser que com estes acordos ocultos o país esteja a ser altamente endividado, podendo vir a comprometer o bem-estar dos moçambicanos. Indo mais longe, critica o facto das tropas ruandesas chegarem a ponto de inaugurar infra-estruturas numa espécie de substituição das autoridades nacionais.

“Como exemplo do que estamos a dizer, continuamos a assistir à entrada de militares estrangeiros, é o caso dos últimos 2500 homens ruandeses que acabaram de entrar no país sem o conhecimento nem consentimento dos moçambicanos que se fazem representar pela Assembleia da República. Ainda como sinal da captura da nossa soberania, começamos a assistir à inauguração de infra-estruturas por forças militares ruandesas, o que, aliás, é sinal inequívoco dessa captura e ausência do Governo, sabido que os actos do Estado são inalienáveis”, sublinhou.

Ossufo Momade, que falava por ocasião dos 49 anos da Independência Nacional, acusou ainda o Governo da Frelimo de descredibilizar a Renamo perante os seus antigos guerrilheiros, abrangidos pelo processo de DDR.

“O Governo do dia, em 49 anos, nunca apresentou políticas sectoriais públicas exequíveis sobre a cultura, saúde, educação, segurança social e vias de acesso, por consequência, Moçambique continua a apresentar as piores vias de acesso, incluindo nas cidades, sobretudo em períodos chuvosos, em que o país fica paralizado”, refere.

Para Ossufo Momade, a actual situação da pobreza, baixa qualidade de educação e saúde colorem negativamente os 49 anos da Independência Nacional.

“Era desejável que hoje estivéssemos a celebrar o bem-estar das nossas populações. De ver as nossas crianças em escolas condignas e sorriso nos rostos. Infelizmente, as nossas crianças estão debaixo de árvores, sentadas no chão e sem livro escolar”, criticou.

Promo������o

Facebook Comments