Comunidade Islâmica diz que não há terrorismo em Cabo Delgado, mas sim interesses comerciais

DESTAQUE SOCIEDADE
  • Seriam “agentes de algum consórcio” que estão por detrás da instabilidade?
  • Mangrasse quer investimento com vista a preparar forças armadas credíveis e preparadas

Desde Outubro de 2017 que a província de Cabo Delgado, rica em recursos naturais, debate-se com o terrorismo. Numa altura em que parece que as forças que estão na linha da frente no combate contra os insurgentes no Teatro Operacional, a Comunidade Islâmica de Moçambique, através do seu presidente, Abdul Rashid, veio ao terreno referir que não há terrorismo na província de Cabo Delgado, mas sim interesses comerciais, tendo ainda referido que tem dúvidas de que se trata de terroristas ou são agentes de algum consórcio ou de algumas empresas multinacionais.

Duarte Sitoe

Sem papas na língua, o presidente da Comunidade Islâmica de Moçambique, Abdul Rashid, referiu que o drama que se vive em alguns distritos da província nortenha de Cabo Delgado é resultado da população nativa não ter sido directamente envolvida nos grandes projectos de exploração dos recursos. 

Para Abdul Rashid, falta vontade aos governantes e dirigentes moçambicanos para repor a ordem que caracterizou a província de Cabo Delgado antes de Outubro de 2017, uma vez que, no seu entender, não há nenhum terrorista naquela parcela do país.

“Praticamente, ali há algumas oportunidades, alguns interesses pessoais e comerciais. A nossa juventude está desamparada, e a juventude desamparada, sem educação, sem saúde e sem oferta de um emprego, é motivada, é cativada por alguns interesses externos, através de algum dinheiro ou oferta”, explicou Rashid citado pelo o País.

Recentemente, ou seja, durante as celebrações do dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, o Presidente da República, Filipe Nyusi, referiu que os terroristas têm nova liderança. No entanto, o presidente da Comunidade Islâmica de Moçambique tem dúvidas de que os grupos armados que semeiam luto e terror em Cabo Delgado são mesmo terroristas.

“Não sei se estes terroristas são terroristas mesmo, ou são agentes de algum consórcio ou de algumas empresas multinacionais. Eles fazem-se de terroristas só para distrair o povo moçambicano. Houve uma altura em que se dizia que os muçulmanos é que estavam envolvidos e provou-se que não era isso. E nós, a comunidade, estivemos em Cabo Delgado para ajudar e vimos que, afinal de contas, são pessoas que estão a ser financiadas para fazer esse trabalho”, declarou, para posteriormente referir que Moçambique tem grande problema de permitir que os estrangeiros explorem recursos naturais sem grandes vantagens para a população local.

Mangrasse defende investimento em armas e no homem

Tratava-se da comemoração de mais um aniversário do Acordo Geral da Paz e Reconciliação Nacional, mas o antigo Estadista moçambicano, Armando Emilio Guebuza, fez da ocasião para observar, na base do actual contexto social e económico, que o terrorismo inculcou corações dos moçambicanos na vocação ardente pela paz.

“A paz é um bem precioso que o povo moçambicano aprendeu a valorizar. A violência da ocupação colonial em todas as suas formas vexatórias, a luta de libertação nacional, com todo o derramamento de sangue que implicou, as agressões a que a nação esteve sujeita desde os primeiros anos da independência, (e agora a guerra em Cabo Delgado), tudo isto inculcou nos corações e na mente dos moçambicanos uma vocação ardente pela paz”, lê-se na publicação do antigo Estadista na rede social Facebook.

Ainda na sua publicação, Armando referiu que na sua marcha na luta para a paz o povo (moçambicano) “aprendeu que deve mobilizar toda a sua vontade, todo o seu espírito de unidade e luta, o seu sentido de justiça económica e social, e a sua capacidade de reconciliação”.

Por sua vez, ainda à margem das celebrações do 32º aniversário dos Acordos Gerais da Paz, o chefe do Estado Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), Joaquim Mangrasse, reiterou que acabar com o terrorismo na província de Cabo Delgado é neste momento a grande preocupação da força por si liderada.

“Vivemos uma época desafiante e bastante exigente, mas ao mesmo tempo um período de mudança, em que procuramos transformar as ameaças e fraquezas em oportunidades, capacitando as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, tornando-as mais modernas, credíveis e conscientes do seu papel em prol da nação, que busca estabilidade, permitindo assim o desenvolvimento económico”, disse o Chefe de Estado Maior durante a saudação ao Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança, Filipe Nyusi, para reiterar que acabar com o terrorismo em Cabo Delgado é a grande prioridade das Forças Armadas.

Mangrasse defendeu, por outro lado, investimento com vista a preparar forças armadas credíveis e preparadas. “É pertinente que a restante documentação estruturante e da implementação do processo de planeamento estratégico confira a programação do investimento público na aquisição do equipamento militar, na edificação de novas capacidades e desenvolvimento de outras necessidades”.

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