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- Chapo mira contra críticos internos que quebram sigilo questões estratégicas dos partidos
- Joaquim Chissano reconhece que movimentos libertadores cometeram erros
No grosso dos países da África Austral, os partidos libertadores que continuam no poder estão a ser contestados. À margem de Presidente da República, Daniel Chapo, reconheceu que os partidos libertadores enfrentam actualmente muitos desafios para fazerem face às forças imperialistas e neocolonialistas que querem derrubar e tirar do poder esses partidos. Apesar do cenário do presente, Chapo acredita que é possível continuar a ter credibilidade perante os seus apoiantes. Por sua vez, o antigo Estadista Joaquim Chissano, para além de reconhecer que os partidos libertadores cometaram erros, apelou aos movimentos que se colocaram na linha da frente na libertação do continente para resgatarem os seus ideais que inspiraram lutas pela independência.
Duarte Sitoe
A cidade sul-africana de Kempton Park, província de Gauteng, na África do Sul, foi palco da Cimeira dos Movimentos de Libertação Austral.
Daniel Chapo participou do evento na qualidade de presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e destacou a Cimeira dos Movimentos de Libertação Austral como uma oportunidade única para homenagear os que lutaram contra a dominação colonial.
“Um momento em que celebramos décadas de independências dos nossos países, conquistadas com sacrifícios e sangue dos melhores filhos que ousaram lutar contra a opressão, a dominação e a exploração do homem pelo homem, a que os nossos povos estiveram sujeitos durante séculos. Lutas essas que custaram altos sacrifícios dos melhores filhos nacionalistas que fundaram e lideraram os movimentos de libertação da região e cujo legado hoje celebramos”, destacou Chapo.
Os movimentos libertadores foram imprescindíveis para tornar os países da África Austral independentes. No entanto, volvidos 50 anos estão a ser contestados. No entender do Chefe de Estado, os movimentos libertadores na Africa Austral enfrentam forças imperialistas e neocolonialistas que têm feito de tudo para os tirar do poder.
“Não se trata de uma estratégia nova, mas sim de uma continuidade da estratégia total concebida e implantada pelo Apartheid contra os países da linha da frente na década de 1980. Uma estratégia de desestabilização que visava travar a nossa solidariedade para com as lutas pelas independências do Zimbabwe, da Namíbia e da África do Sul”.
Segundo Chapo, os que querem acabar com os partidos libertadores usam a inteligência artificial e outras plataformas digitais para espalhar discursos de ódio e desqualificação das realizações dos governos e das conquistas dos povos.
“Está cada vez mais claro que o seu principal objectivo é usar as eleições para forçar o tão propalado regime ‘change’, mesmo contra a vontade popular. A sua táctica consiste em tentar separar o povo dos nossos partidos, para fragilizar os nossos partidos e colocar no poder governos fantoches e empobrecer continuamente os nossos povos. Assim, eles acreditam que poderão facilmente delapidar os nossos recursos estratégicos, como os minerais, a terra, os hidrocarbonetos, os recursos minerais e florestais, sem benefícios para os nossos estados e povos”, disse.
Joaquim Chissano reconhece que movimentos libertadores cometeram erros
Para além das acções das forças imperialistas e neocolonialistas, o Presidente da FRELIMO destacou a luta interna no seio dos partidos libertadores, tendo referido que alguns membros são obrigados a renunciar para outros partidos e outros activam o modo crítica o que, de certa forma, acaba quebrado o sigilo de questões estratégicas dos partidos.
“Na verdade, a questão interna tem fragilizado o desempenho dos nossos partidos, em particular nos momentos eleitorais, uma vez que, perante os nossos conflitos internos, projecta-se para a sociedade uma imagem negativa do partido e dos seus dirigentes, afugentando membros simpatizantes e potenciais eleitores”, disse Chapo, para depois afirmar que é possível ultrapassar as diferenças internas e continuar a ter credibilidade nos seus apoiantes.
Por seu turno, o presidente honorário do partido no poder, Joaquim Chissano, reconheceu que os partidos libertadores cometeram erros nos últimos anos.
“É crucial reconhecermos que, ao longo do tempo, cometemos erros. Em muitos dos nossos países, assistimos ao enfraquecimento das instituições democráticas, ao crescente afastamento entre partidos e cidadãos, à apropriação de recursos públicos por interesses privados e à intolerância em relação a vozes dissidentes. Em nome da unidade, silenciámos as vozes críticas. Em nome da estabilidade, fechámos espaços de renovação. Em nome da continuidade, não criámos espaços para a participação activa dos jovens e das mulheres nos processos de decisão”, declarou.
Prosseguindo, Chissano apelou aos movimentos que se colocaram na linha da frente na libertação do continente para resgatarem os seus ideais que inspiraram as lutas pela independência.
“Sabemos que a tecnologia avançou e nós não a acompanhamos. Por isso, as nossas ferramentas de combate precisam de ser revistas. E a forma como nos ligamos também precisa de ser revista. Graças a Deus, estamos numa região que fez coisas muito importantes para cooperar. Sem esquecer apenas uma coisa: estamos a trabalhar para o povo. Na verdade, nós somos o povo. Não é que tenhamos outro povo. Temos de nos lembrar que nascemos do povo e que devemos permanecer com ele. É a única coisa que temos de nos lembrar. Assim, adaptámos uma forma de atingir este objectivo de melhorar a vida do nosso povo. Como o fazemos nas circunstâncias que temos hoje? Não há desvio se pensarmos dessa forma.”



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