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- ANAMOLA, partido de Venâncio Mondlane, ganha vida política
Ao fim de quase quatro meses, o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos tornou público, na passada sexta-feira, o despacho que aprova a constituição da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) como partido político. Proposto por Venâncio Mondlane, ANAMOLA já mexia com os moçambicanos mesmo antes da sua aprovação e acredita-se que, com a Renamo amorfa e o MDM enfraquecidos, poderá ser o principal adversário da Frelimo nas eleições autárquicas de 2028 e gerais de 2029. A Frelimo, através de um secretário da ACCLIN em Nampula, tinha avisado que governaria até Jesus voltar. A pergunta agora que não quer calar é: será que Jesus Crusto vai voltar em 2029?
Evidências
Tal como indicou Venâncio Mondlane, esta segunda-feira à chegada ao Aeroporto Internacional de Maputo, ido do estrangeiro, a ANAMOLA mal foi aprovada e já arregaçou as mangas e está pronta para entrar na luta. Esta terça-feira está marcada a primeira sessão ordinária do Comité Executivo Nacional, uma espécie de Comissão Política, que deverá tomar as primeiras decisões.
A iniciativa, liderada por Venâncio Mondlane, surge num momento em que o panorama político moçambicano se encontra fragmentado e marcado pelo desgaste de forças tradicionais de oposição.
Mesmo antes da sua aprovação formal, a ANAMOLA já agitava o debate público e despertava a atenção da sociedade civil. Analistas políticos apontam que, diante de uma Renamo amorfa e um MDM enfraquecido, o partido de Mondlane tem potencial para se tornar o principal adversário da Frelimo nas eleições autárquicas de 2028 e nas gerais de 2029.
O surgimento da ANAMOLA revive um episódio polémico e que se tornou viral nas redes sociais: a afirmação do secretário da ACCLIN em Nampula, garantindo que a Frelimo governaria Moçambique “até Jesus Cristo voltar”.
A declaração, feita há alguns dias, voltou ao debate público com o surgimento de uma alternativa política real e pergunta que agora surge entre políticos, jornalistas e internautas é inevitável: será que Jesus Cristo volta em 2029?
Para alguns, a frase do secretário da ACCLIN simboliza a percepção de hegemonia quase eterna da Frelimo. Para outros, a aprovação da ANAMOLA, que vai se beneficiar do capital político indiscutível de seu fundador, Venâncio Mondlane, poderá operar mudanças profundas no xadrez político nacional.
Venâncio Mondlane, que carrega uma legião de seguidores, graças à sua grande aceitação entre o público mais jovem, por dar peito à luta por mudanças estruturais, enfrenta agora o desafio de transformar a ANAMOLA numa força capaz de mobilizar eleitores cansados de décadas de hegemonia de um único partido.
A sociedade observa com atenção: será que Moçambique verá em 2029 a primeira eleição realmente competitiva em décadas? Ou continuará à espera, entre ironia e incredulidade, da “segunda vinda” prometida pela retórica política dos dirigentes da Frelimo?
A ANAMOLA, ao contrário da profecia messiânica, mostra que, no tabuleiro político do País, alternativas podem nascer mesmo quando o poder parece eterno. Resta saber se Venâncio Mondlane nestes quatro anos que se seguem conseguirá transformar potencial em votos e promessas em mudança efectiva.
O receio de haver um plano maquiavélico lá para a frente
No entanto, o caminho do líder da ANAMOLA não tem sido pacífico. Venâncio Mondlane enfrenta actualmente um processo judicial com cinco acusações, sendo a mais grave a de terrorismo, a qual, se consolidada, pode torná-lo inelegível e afastá-lo da corrida eleitoral pelo menos em 2029.
A situação é vista por críticos e membros da oposição como uma perseguição política, que visa enfraquecer a sua capacidade de disputar o poder, minando o surgimento de uma alternativa real à Frelimo. Mas há quem diga que qualquer acção nesse sentido levaria a “fórmula senegalesa”, em que este somente precisaria indicar alguém entre os seus para concorrer e avançar.
O contraste entre a retórica messiânica e a realidade política de Mondlane evidencia a fragilidade da democracia moçambicana: De um lado, um partido no poder que mistura aparato estatal, retórica simbólica e pressão institucional para manter a hegemonia; e do outro, um líder emergente que enfrenta processos legais potencialmente desestabilizadores, mas representa a esperança de alternância.



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