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No segundo dia da sua visita oficial à Argélia, o Presidente da República, Daniel Chapo, deslocou-se na manhã desta quinta-feira ao centro histórico e arqueológico de Tipasa, a cerca de uma hora de Argel, onde destacou a importância da preservação do património cultural e a necessidade de replicar experiências semelhantes em Moçambique.
Reginaldo Tchambule, na Argélia
Tipasa, cidade de origem romana e classificada como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, foi apresentada ao Chefe de Estado moçambicano como exemplo de conservação de monumentos históricos com impacto direto no turismo e na economia local.
No local, Chapo visitou o centro de processamento de dados arqueológicos e percorreu as ruinas da cidade romana, que estava instalada junto ao mar, onde ficou a saber sobre a história das civilizações ancestrais da Argélia, quando Tipasa era uma colónia fenícia e depois uma base estratégica romana.
Entre os monumentos visitados, destacam-se fortificações militares, arenas de gladiadores, teatro,antigas casas, entre outros.
“Esta cidade é patrimônio mundial da humanidade e está ligada à civilização romana, muito antes da chegada dos árabes. O nome Tipaza significa passagem, e a sua preservação garante que as futuras gerações possam compreender o seu valor histórico e cultural”, disse Chapo durante a visita, acompanhado pelos secretários de Estado da Cultura e do Turismo.

Chapo sublinhou que Moçambique possui exemplos comparáveis, como a Ilha de Moçambique, a primeira capital do País e igualmente classificada como Património Mundial da UNESCO, além de outros sítios arqueológicos, entre os quais o de Manhiquene, em Vilankulo, que no tempo do Império de Mutapa serviu como centro comercial de exportação. “É importante transportar essas experiências para Moçambique”, destacou.
“É importante transportar essas experiências para Moçambique, não apenas pelo seu valor histórico e arqueológico, mas também pelo potencial turístico. Tipasa mostra como o turismo e a agricultura podem sustentar uma economia local, e nós também podemos transformar os nossos ativos em fontes de renda, preservando a nossa história”, frisou.
Chapo recordou ainda o recente reconhecimento do Parque Nacional de Maputo como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, defendendo que este tipo de distinções deve ser visto como oportunidade para o País reforçar a educação cívico-patriótica nos mais novos.
“Quem não tem passado, não tem presente, nem consegue projetar o futuro. Preservar a nossa história é fundamental para a identidade nacional e para o desenvolvimento económico através do turismo”, concluiu.
Antes do centro histórico, Chapo visitou o Museu de Tipasa, na mesma cidade, o Museu Arqueológico de Tipasa, onde apreciou uma vasta coleção de mosaicos e peças que retratam cerca de 19 séculos de história.
A cidade de Tipasa, classificada como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, guarda no seu centro histórico testemunhos da presença de diferentes civilizações que marcaram a bacia do Mediterrâneo. No interior do museu, Chapo foi guiado por técnicos locais através de galerias que exibem mosaicos, esculturas, sarcófagos e outros objetos arqueológicos.
Segundo as explicações de Samy Masli, guia turistico local, Tipasa foi sucessivamente ocupada por fenícios, romanos e outros povos, tornando-se um verdadeiro cruzamento de culturas. O próprio nome da cidade, de origem latina, significa “passagem”, refletindo o seu papel como ponto estratégico de trocas comerciais e culturais.
Entre os destaques da visita esteve a ala dedicada aos sarcófagos romanos. Os guias explicaram que estas peças eram esculpidas ainda em vida dos futuros ocupantes, sob medida, e a sua ornamentação refletcia o estatuto social da pessoa.
“Quanto mais detalhado e adornado fosse o sarcófago, maior era a importância do indivíduo na sociedade da época”, sublinhou Masli.
Ao final da visita, Daniel Chapo enalteceu a forma como a Argélia preserva o seu património e reiterou a importância de Moçambique valorizar e replicar experiências semelhantes.
Esta tarde, Chapo v ai reunir com a comunidade moçambicana residente em Argélia, incluindo os cerca de 100 estudantes bolsistas em formação em diferentes áreas de saber. Amanhã, incicia a cimeira bilateral dentre os dois estadistas e suas delegações, onde serão discutidos assuntos de interesse dos dois Estados.



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